Poemas Anjos de Pijama Matilde Rosa Araujo
Há dias os em que acordo e olho para o céu o vejo, a sua imagem que não sai da minha cabeça. Meu desejo é você e isso não esqueça, o que não é segredo a gente faz e não importa o que aconteça.
Algo o chamou naquela noite, uma vez que sussurros pareciam invadir seus ouvidos de maneira fantasmagórica. Mesmo com receio ele não se perdoaria se ignorasse aquele chamado, daquele fantasma não gentil. [...]
Era apenas um simples olhar, não era para ser mais do que isso. Mas quisera o acaso que isso fosse mais. O olhar penetrante como uma agulha, enfiou-lhe pelos olhos de quem a estava observando e cravou-lhe uma certeza: “Você é meu” dizia aquele meigo olhar. Meigo e penetrante, meigo e dominante. Qual alma não sucumbiria ante tal poder?
"Pois este segundo ponto de partida do contínuo momento daquele errôneo eterno desencontro de duas almas carentes e eternamente gêmeas..."
[...]Fechei os olhos, saboreando a nostalgia das belas e más lembranças. Uma lágrima rolou por meu rosto, inevitável, borrando levemente minha maquiagem suave. Senti como se o vento gélido me abraçasse, me confortando em seu colo sombrio. Deixei o ar escapar de meus pulmões levemente.[...]
[...]O tempo era curto. Não riram, não choraram, não falaram nada e não fizeram nada. O mundo parou, a imagem congelou, o vento não soprou, o rio pareceu secar, e o luar lentamente os deixou a sós. O momento se tornou quase constrangedor por ser tão perfeito. [...]
“Algo o chamou naquela noite, uma vez que sussurros pareciam invadir seus ouvidos de maneira fantasmagórica. Mesmo com receio ele não se perdoaria se ignorasse aquele chamado, daquele fantasma não gentil...”
"Por várias vezes na vida tentei ser alguém a quem muitos teriam a vontade de conhecer de perto. E talvez em meio à tantas coisas que me fizeram ser quem sou, nunca conseguiria saber se o que eu era, ou quem eu era podia fazê-las entender que para se mudar é preciso querer. Mudo porque eu preciso. Nunca com uma só vida para ser vivida até a morte, porém com muitas formas de se viver a vida vivida a cada dia."
"Há apenas uma rota que palpita em meu coração e não importa o que venha a seguir, porque você é o caminho que eu escolhi."
"Em dias difíceis, de escuridão, onde os sussurros distorcem o silêncio facilmente, apenas siga em frente!"
Sei que as vezes pode te faltar lugar seguro para calcar, um colo pra deitar e alguém para você desabafar. Mas tenha certeza que EU posso ser seu solo, sempre que precisar posso te dar colo e te ouvir, nunca se sinta desamparado, pois estarei aqui, posso não ter sido designada para ser seu anjo, mas posso me incumbir desta tarefa.
Não é amor, disso pode ter certeza, é simplesmente amizade e idealização, se precisar conte comigo, que por que não seja nada serei sua amiga.
Mova-se da cadeira, tente, abrace o mundo, cuide de você. Voltando à frase do “cuidando do jardim...” cuide do seu. Faça as borboletas pousarem em você, e quando acontecer, vá com tranquilidade, não as espante, e tenha em mente: Borboletas têm asas, borboletas voam, voltam, pousam em outros lugares, já pousaram, irão pousar. Você é o presente. Você é o agora. É o que está acontecendo naquele momento. Então intensifique, mas tenha em mente que borboletas vivem somente Setenta e duas horas.
Ou é pelo menos o que dizem por aí...
Eu estava sentindo aquelas borboletas no estômago novamente, e era tão gostoso, era tão bom. Havia tanto tempo que não sentia aquela sensação gostosa de “É hoje que eu vou vê-lo!” ou aquela saudade de tudo aquilo que eu não havia vivido.
Mais uma vez eu havia colocado intensidade em uma viagem que não tinha combustível, nem estrada suficiente para chegar ao destino certo.
...uma forma um tanto maluca de fazer que você desista de mim, mas por dentro estou gritando: Não desista nunca, por favor!
Grandes amizades escorrem pelas mãos, e as novas brotam como flores de primavera. E eu tenho que aprender a me desprender do passado, do meu quarto, da minha cama, dos meus velhos amigos (que me deixaram) eu preciso. E eu penso: Também mudei, será que eles me enxergam assim também? Sei lá. Sei lá. Só sei que eu continuo voltando pra casa, farto de tudo, ando longe, ando pensativo, ando preso, ando solto, ando por aí. Continuo me sentindo fora, deslocado, desplugado. Continuo me sentindo um peixe. Um peixe fora. Fora do meu aquário. Que se não fosse meu, eu....
..."Como vai?" você disse. "Me desliguei em um gancho errado, cansado de bater na madeira, é assim que eu vou indo" Eu quis responder. Mas me afundo em seus olhos, dois poços de lamas escuros, invendáveis, envolventes, não sei definir com precisão, um sorriso avassalador, fascinante, que me mata. De saudade, vontade, de tudo.
