Poema quero te Conhecer
Compreender verdadeiramente uma realidade exige investigar suas causas; conhecer apenas o efeito é conhecer o acontecimento sem compreender sua estrutura.
O Estado que pretende conhecer a verdade última sobre o homem corre o risco de esquecer que também é formado por homens.
Conquistar o poder é apenas o início do problema político; compreendê-lo exige conhecer as forças que o sustentam, as instituições que o limitam e os interesses que podem destruí-lo.
A política não pode ser compreendida apenas pelas leis escritas; é preciso conhecer também os seres humanos que as interpretam, obedecem, contornam e utilizam na disputa por poder.
Conhecer não é apenas acumular respostas; é despertar a consciência para aquilo que ela ainda não havia compreendido.
Conhecer é uma atividade humana situada em relações sociais, inclusive nas instituições que produzem decisões jurídicas.
Quando a máquina começa a conhecer nossos hábitos, nossos desejos e nossos medos, a pergunta mais humana permanece sem resposta: quem conhece aquilo que somos quando ninguém está olhando?
Conhecer sem agir é possuir uma chave diante de uma porta que jamais se pretende abrir; querer sem realizar é apenas conceder à vontade a ilusão do movimento.
Conhecer a si mesmo é descobrir o sujeito que simultaneamente interpreta, julga e transforma a própria existência.
Conhecer a si mesmo é iniciar o processo pelo qual a consciência se torna objeto de sua própria investigação.
Conhecer é aproximar aquilo que parecia distante até que a relação entre as coisas revele uma verdade maior.
Conhecer é desafiar os limites do pensamento sem abandonar a razão; é caminhar pelo infinito sem confundir a coragem de perguntar com a pretensão de possuir a verdade.
A verdadeira interdisciplinaridade não consiste em conhecer muitos assuntos, mas em perceber as relações ocultas entre eles. O pensamento mais fértil nasce quando uma disciplina atravessa a fronteira da outra e, nesse encontro, ambas deixam de ser exatamente o que eram. Não é amplitude temática. É arquitetura de conexões.
Há uma espécie de ignorância sofisticada em conhecer profundamente uma parte do mundo e desconhecer suas relações com todas as outras.
Não há virtude em conhecer apenas o seu lado bom. A evolução é a própria sombra submissa a você. Forte é aquele que pode ferir mas não escolhe fazê-lo pois dominou a si mesmo.
