Poemas sobre a praia onde o mar inspira versos
DISTRAÇÃO.
Como me divirto...
amo,
brincar onde existe você.
Numa praia,
conto conchas e desenho teu nome.
O sol corre,
fugindo humilhado pelo brilho maior,
calor sem pudor,
radiante esplendor.
Então, findando o crepúsculo,
salpico estrelas em seus cabelos
numa noite azul.
Laço a lua,
e a trago para iluminar seu sorriso.
Em gotas de orvalho,
vejo o brilho do seus olhos.
Invento orquestra de grilos,
holofotes de vaga-lumes e um
enorme palco de flores
onde danças só pra mim.
Em meus delírios a faço bailar,
solta, leve como pluma,
ritmada em silvos de colibris.
Toco,
numa sedosa e delicada pétala vermelha,
como seu corpo fosse,
e a trago a mim
para colher teu perfume
e sentir tua presença.
E,de uma forma singela,
simples,
me faço feliz,
na tua presença ausente.
RECADO AO UNIVERSO
Eu quero viver contigo
na praia ou no campo,
pelo resto da vida.
Ah! eu quero tanto!
Faremos os nossos pratos
vegetarianos, plantaremos flores
e morangos, limparemos
carinhosamente o nosso recanto.
Eu quero despertar
e te acordar com beijos e
lhe servir a salada de frutas,
para dizer no teu ouvido,
veja: a cortina romântica
de rendas, alega que o Sol
está carente e quer ser elogiado.
Então, na praia deserta,
vou cobrir os teus pés
com os búzios que viajaram tanto.
Só então beijarei teus delicados tendões.
Ao meio dia
após um banho refrescante,
te matarei de rir,
mordendo-te as ancas rosadas pelo Sol,
e no restante da tarde, após
ter avermelhado suas coxas divinas
com mordidas mil,
vou surfar em suas costas
no entanto, se quiseres, eu serei
a prancha e, serão tantas
as ondas, que adentraremos
vivos no paraíso, como
o êxtase do surfista que fez um "tubo".
Mas consequentemente
chocados pelo impacto da luz
e do sopro de vento,
seremos arremessados,
desfalecidos no nosso leito.
Por sorte nossos enormes cães,
farão sentinela,
para que tenhamos um
sono bem merecido,
até o Sol se despedir satisfeito.
Ser carioca
É gostar da vida
Gostar de ir a Praia
Gostar de ter amigos
Conhecidos de ontem são irmãos de sangue hoje
Vizinho é companheiro de casa
Sorriso é companheiro de Infancia
Ser carioca é ser maneiro
Encontros marcados são os de momento
Ir ao barzinho jogar conversa fora
É a religião
Falar de futebol é a política
Ser carioca é amar a vida
É amar o amor sobre todas as coisas
Ser carioca ..... Ô carioca .... Só nós é que sabemos, pois para nós a vida é amar muito e viver todo o momento !!!!!
Pessoas e desejos são como onda,
eles vêm e vão.
Aos poucos, abrasam a praia,
formam sulcos na areia,
e é ali, naquele vão, onde eles veem
uma ostra ou água-viva escondida.
E é aí que começam a perceber
que da situação passageira, oscilante
ainda existe algo concreto, possível de ser remexido.
E então, o que fazer?
Tapar, esquecer que a fissura existe
ou escavar, em meio ao conhecido desconhecido
e talvez até perseguir as ondas outra vez?
Eres lua
así quando posto luares
teus mares se transformam
e tu maresia
praia deserta
mas enches e sacodes meu ser
revolto, tipo paixão
no furor
me entrego nos teus braços
sereia, para fazer-te na areia
encantamento
na plenitude e serenidade do amor
Sentei na areia da praia com um amigo
a ideia era passar o tempo
ele não falava, mas me entendia
ficamos por uns instantes a olhar o mar
cada onda era um pensamento, uma reflexão
pensei no amigo e como estaria entendendo tudo aquilo
ele me olhava e voltava a mirar o mar
por um momento viajei na sensação em que ele também viajava
nesse dia entendi o valor de um companheiro
ao ver aquele cachorro sentado comigo
olhando o infinito
como se quisesse aplacar minha solidão
não tive dúvidas
levantamos e fomos correr pela praia...
" Ousas invadir pensamentos, pontuas madrugadas
és como ondas de praia num vai e vem sem nunca ficar
és quem sabe apenas o sonho
um dueto à beira mar
mas só, sinto o sabor das ondas molhando meus pés
mas só, o luar perde a graça sem querer
mas só, tento não conter a saudade
mas só, o que mais posso fazer?
Seriamos mar, praia, nudez
o conjunto perfeito,nas redes do amor
acaso a saudade não fosse presente
e nós não fôssemos apenas
recordações...
“” Perder um grão de areia
Numa praia deserta
E imensidão
Se for considerada a busca pra reencontrá-lo...
- Nada é tão insignificante que não tenha seu valor....””
MEU MAR MINHA LINHA
Era eu um pequenito
Naquela praia grande
De areal imenso
Do então Espinho extenso.
Eu ficava sozinho
Sentado numa pedra
Mais ao longe
Como que a comandar
A proa do meu barco
Rumo àquela linha do horizonte
Que eu via sempre direitinha
Com aqueles barcos grandes
De cargas de pão, de ouro
E especiarias, nos porões
Das fantasias.
Se calhar alguns petroleiros
Assaltados pelos piratas
Da minha verde imaginação
Que passavam com pachorra,
Na linha, do mar quente de verão.
E eu então imaginava:
Para além daquela linha, ficava
A Beira de Moçambique,
Era aí que o meu pai morava.
Não muito longe, eu via numa tela:
A Caracas do meu tio Vitorino,
Emigrado em Venezuela.
Depois, de barriga vazia
Voltava à areia da praia,
Morna da sorna da tarde
Que se ia com os barcos
E convidava ao sono.
Então, eu cobria-me com o meu manto
De areia
E, entretanto,
Adormecia...
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Por Escrever, em 30-05-2023)
PRAIA DA NOSTALGIA
Só te vejo agora pelas tecnologias
Que me mostram marés cheias
E outras tantas coisas vazias
Num vazio tão triste de ideias.
Corpos pequeninos na praia distante,
Que já foi só nossa nas noites frias
De gente comigo, na areia escaldante.
Que saudades quando nela eu indo
Na cíclica maré da baixa-mar,
Tanta areia havia para levantar
Milhões de castelos para albergar
Os amantes dos amores proibidos.
Agora, após longos anos idos,
Ainda te amo, mas de forma estranha,
Praia de areia do mar dos meus sentidos,
Eras a menina dos olhos meus,
Quando a tua beleza era tão tamanha
Que até um dia foste pintada por Deus.
(Carlos De Castro, In Há Um Livro Por Escrever)
Eu quero viver.
Quero o dia, o pôr do sol,
A praia, o mar, o camarão,
O suco de abacaxi com hortelã.
Quero o avião, as nuvens, as luzes da cidade ao aterrizar, a noite, a lua cheia,
Novas paisagens, novos cheiros, novos sabores, novas risadas.
Quero a estrada, o acelerador, cabelos ao vento, a música.
Quero o gramado, o cheiro de terra molhada, o milho verde, o bolo de fubá,
A serra e o frio.
A loucura de São Paulo,
A alegria do Pará,
A intensidade de Brasília,
A extravagância de Las Vegas,
O luxo de Dubai,
O capitalismo da China,
O bom gosto francês,
A astúcia italiana,
A responsabilidade japonesa,
A inovação coreana,
A boemia artística.
Eu quero o tudo e o nada,
O luxo e o simples.
Quero viver.
Quero estar aqui e ali,
Fazer isso e acolá,
Depende do momento,
De como me sinto.
Só quero ser inteira em fragmentos.
É pedir muito? Só quero o direito de escolher.
"A obra perfeita
Seria eu e você
Na beira da praia
Do anoitecer ao amanhecer
Do friozinho ao calor dos corpos
Junto ao pôr do sol"
Dos gases às águas
Dos ares às algas
Da areia à praia
Da flor à mata
Dos peixes aos primatas
Da fome à caça
Do fogo à prata
Da fala à arte
Da roda à máquina
Do amor ao ódio
Da dor ao ópio
Sou
Transbordo a expressão do ser no tempo
Sou essa interação, esse senso
Sou essa liberdade, esse contato integrado
Um Capapari
iluminado pela Lua
no canal do rio
próximo a praia,
Um doce desafio
sob o testemunho
das estrelas:
(Lançar poemas
para quem sabe se
o teu amor capturo),
E nas tuas mãos
talvez vire Iara
e nas minhas quem sabe
tu se entregará em disparada.
Beija-flor-da-praia
poesia agitada
com sua sublimes asas,
Eu estou apaixonada,
Diz para ele que
desejo ser por amada.
No canto do Sabiá-da-praia
tenho o primeiro solfejo
da trégua tão desejada,
é preciso superar qualquer
mágoa, pensar na terra
adorada e abraçar
com afeto profundo toda
a possibilidade de viver
com paz e felicidade.
