Poema o Amor segundo Carlos Drummund de Andrade
A INFÂNCIA QUE LOBATO SONHOU
Subindo na goiabeira
Tomando banho no igarapé
Disputando corrida na trilha
Empinando pipa no céu
Brincando de pira-se- esconde
Tomando banho de chuva
Ouvindo as histórias de Visconde
Ao brilho da linda lua
Eita que sonhou bonito
A infância
Seu Lobato, sim senhor!
Menino rodava pião
Menina brincava no chão
Eram tão felizes não conheciam tristeza não!
Se hoje Lobato chegasse numa casa na capital
Não iria entender,
- Cadê as crianças do quintal?
Tão dentro de casa seu Lobato
No tablet e, no computador
Assistindo TV a cabo
Brincando no celular
- Como assim? Cabo ou taco?
- Não, TV a cabo!
Desnorteado começa a falar:
O meu sonho de infância acabou...
Num pesadelo moderno se tornou.
Te amo
pelo simples fato
de te amar
Se falhamos
em algum momento
Erros cometemos
Dúvidas percorreram
Mas nunca tivemos força
para o barco abandonar
Lá no fundo
Eu e você sabíamos
O que Deus uniu
Nossas almas permitiram
Sempre nos amar
Mesmo com as tempestades
Lá no fundo sabíamos
Que o amor é maior
do que qualquer tentação
E nossa maior lição
É provar pra todo mundo
Que o verdadeiro amor
Supera tudo
Te amo
com todos os defeitos
E o respeito que temos
É a prova
de que o amor é tudo
Te amo
pelo simples fato
de te amar
Amar é se recostar.
Se recontar em inúmeras equações matemáticas e entender que o destino nos quer ali. Juntos. Amar é essa força que aproxima a gente. Que enche nosso coração de paz ao estar perto um do outro. E ainda que a conta seja de subtrair, a gente subtrai. A tristeza. O tédio. O sossego. E bagunça de novo pra arrumar a conta. Ao se dar conta, inclusive, que no jogo do desapego, a gente perde. Porque o que a gente quer mesmo é se pegar.
Na sala, no quarto. Na cozinha, enquanto eu tento me concentrar na tua imagem ao mastigar qualquer alimento. Percebendo que até ali a tua boca me chama.
Amar é essa vida louca feliz que encontramos pra viver. Fazendo malabarismo pra matar nossa vontade de estar juntos. De perder horas ao telefone. Esticando a noite até o dia seguinte. Enquanto você estica as tuas pernas por cima das minhas. E eu coloco a minha cabeça no teu peito sem a interferência de nenhuma roupa.
As batidas do teu coração dizem “eu amo você”.
É, eu escuto.
Amar é isso.
É saber, ter certeza.
Sem que o outro diga nada.
A gente sente.
Esperança
O meu verde
Confunde sua visão
Quando estou entre
As palmeiras
Em sua casa, no quebrar de um copo
Em vez de azar
Levarei esperança
Ao seu sentir
Sem sorte.
Free
Quando o labirinto da existência se fecha
Num emaranhado de emoções
Que entrelaçam a alma
Necessitando de refúgio
Necessitando de calma
Sedenta, abre um livro
Que a transporta para outra dimensão
Uma realidade difusa e surreal
Que ressuscita o triste coração
Como num sonho fantasioso
A alma flutua
Numa catarse perfeita de prazer
Impalpavél...
Indescritível...
Imensurável...
[...] Realidade?
A alma flutua dentro das entrelinhas
Em meio a voz do autor
Que sussurra suas ideias
Dentro do universo do leitor
E alça voo dentro da narrativa
Quebra os grilhões da ignorância
E segue numa insaciável busca
Com uma sede ínfima
Que somente quem voa sabe
O sabor do vento da liberdade
Conduzindo a alma para níveis infinitos de aprendizado e liberdade
Por isso ela não quer
Mas fechar o livro
Não quer parar de sonhar, flutuar...
estranhos
meu maior medo é continuar nessa relação por não
saber como ir embora.
e a gente se perder de uma maneira tão brutal
que nossas novas versões já não façam sentido
um pro outro.
Azul e vermelho
Não sei se escrevo céus;
Não sei se escrevo fogos;
Não sei se sinto mares;
Não sei se escuto chamas!
Tudo é um azul e vermelho
Que no fim
Será difícil distinguir.
Jovem
Luz tênue sobre as ramagens
Do luar, um beijo
Delicado, hálito divino…
São dois seres em despedida
A contemplar o luar,
Em um escombro
Isolado…
A insônia chegou
com ela vem as lembranças
os pensamentos bobos
Tudo que tenho são algumas músicas pra ajudar
elas me acalmam
Lembro do dia em que beijei aqueles lábios
Estou apaixonado
Tento mentir para mim mesmo que não
Fecho meus olhos e imagino
Me abraço
Pego o travesseiro e o aperto forte
Me arrepia a espinha
Meus pés estão gelados
As notas marcantes da música me deixam acordado
As coisas simples que poderia eu fazer
Meu orgulho me segura
Queria que fosse a mão daquela garota me segurando
Ela não percebe
Nunca vai perceber
Gosta de se iludir longe de mim
E eu gosto de me iludir, perto dela
Lembro da minhas mão no seu pescoço
Lembro do abraço apertado todo dia no recreio
Penso em palavras sinceras pra escrever isso
tudo que vêm à cabeça são falsas esperanças
Eu cada dia mais me iludo,
e cada dia mais paro de acreditar
Em mim
Nela
Em todo mundo
Há apenas silêncio fora dos fones de ouvido
As luzes acesas, o café frio
Escrevo frases nas paredes
Sinto como se fosse explodir
Toco meus lábios com os dedos
Fecho os olhos
Não! Não tem o por que,
fechar os olhos traz aquele rosto doce e carinhoso em minha mente
Talvez o melhor a fazer seja apenas viver sem esperar nada
Nem dela
Nem de ninguém.
Canção da Saudade
Saudade, palavra doce,
Que traduz tanto amargor!
Saudade é como se fosse
Espinho cheirando a flor.
Saudade, ventura ausente,
Um bem que longe se vê,
Uma dor que o peito sente
Sem saber como e porquê.
Um desejo de estar perto,
De quem está longe de nós;
Um ai que não sei ao certo
Se é um suspiro ou uma voz.
Um sorriso de tristeza,
Um soluço de alegria,
O suplício da incerteza
Que uma esperança alivia.
Nessas três sílabas há de
Caber toda uma canção:
Bendita a dor da saudade
Que faz bem ao coração.
Um longe olhar que se lança
Numa carta ou numa flor,
Saudade – irmã da esperança,
Saudade – filha do amor.
Uma palavra tão breve,
Mas tão longa de sentir
E há tanta gente que a escreve
Sem, a saber, traduzir.
“Gosto amargo de infelizes”
Foi como a chamou Garrett;
Coração, calado, dizes
Num suspiro o que ela é.
A palavra é bem pequena,
Mas diz tanto de uma vez;
Por ela valeu a pena
Inventar-se o português.
Saudade – um suspiro, uma ânsia,
Uma vontade de ver
A quem nos vê à distância
Com os olhos do bem querer.
A saudade é calculada,
Por algarismos também:
“Distância” multiplicada
Pelo fator “Querer bem”.
A alma gela-se de tédio
Enchem-se os olhos de ardor...
Saudade – dor que é remédio,
Remédio que aumenta a dor.
Sem desejo sem saída, apenas a fuga
A partida
Partir o coração
Sem desejo, sem um vão
Apenas a dor da solidão
Por que tanta amargura em meu coração?
Por que mereço tal prisão?
Onde estas a liberdade que mereço?
Nasci neste mundo sem ter o direito de escolher
A permissão de viver, neste mundo....
Caverna sombria
Inusitado os seus olhos
Sujos; coerentes; imundos
Irônico os seus sorrisos
Fingidos; disfarçados; bem desenhados
Deslumbrantes os seus olhos,
Atravessam os meus
Quando procuro o interior do seu ser
Dentre o romper das cachoeiras,
Me sufocarei nos seus braços,
No cantar dos sábias,
Procurei inspiração
Para desenhá-la, para traçá-la,
Descrevê-la
No branco das nuvens
Na brisa que procura
Serei a sua luz
Que a guiará até o fim
De uma caverna
Sombria.
O poeta não é um ditador,
O poeta é um libertador,
Que liberta e sente,
Que escreve, morre e renasce,
E sempre revive em seus poemas.
Bela, mulher dos meus sonhos.
Não só por ser bela, mas por ser pura beleza.
Encarnação de um poema.
Poesia andante.
Na distância vou lembrar de você
Porque de fato, me ajudou a compreender
O valor de uma amizade
Não se pode esquecer
É preciso cuidado
Para não se arrepender
E depois perder.
Perder alguém que a mim
Tanto bem me fez
E tanto faz hoje também
Esse vínculo é do bem
Eu preciso cuidar
Para não me arrepender
E depois perder
Perder alguém que a mim
Tanto quer bem =))
CIDADE SORRISO
Em minha memória, uma saudade
Dos tempos de outrora, um aviso
Daqui fui, aqui voltarei, realidade
Uma mineira cidade, cidade sorriso
Onde sempre fui, territorialidade
De minha alma, aqui sou indiviso...
Neste um universo, versa a beleza
Gente de minha história, de contos
Em um recital duma incrível pureza
Poesia nas velhas cadeiras, pontos
Seresteiros cheios de doce certeza
Nada ali é pequeno. São confrontos!
© Luciano Spagnol
Poeta do cerrado
2017, junho
Cerrado goiano
Eu não lamento ter te conhecido.
Nem que isso tenha me feito questionar tudo.
Porque foi você quem fez eu me sentir mais vivo.
@cicerolaurindotextos
Consciência Negra
Consciência de raça
Consciência de cor
Consciência de seu papel
Consciência de seu valor
Consciência libertária
Consciência que faz acontecer
Consciência Igualitária
Consciência para se viver
Consciência das diversidades e crenças
Consciência de que o mundo tem várias cores
Consciência de que é preciso mais respeito
Consciência de alguns valores
Consciência de que não há diferença
Consciência de que somos todos iguais
Consciência de que preconceito é doença
Consciência de que o amor vale mais
A chuva cai torta
Como as minhas lágrimas
Na direção do vento
Escorrendo pelas calçadas
As pétalas voando
De um buquê de flores
Que eu nunca ganhei
E não fico esperando
Passaram lindas
Girando como em uma dança
E leves como o coração
De uma criança
O meu choro era pesado
Pesava mais que uma nuvem carregada
Porque levava a tristeza
Que também escorria pela calçada
Um dia daqueles
Que o sol já não brilhava
Que meus olhos não sorriam
E o silêncio dominava
Dominava até mesmo
O barulho dos trovões
Que caiam do céu com raiva
Mas eu só via os clarões
Iluminavam os meus olhos
Me faziam pensar mais
Será que existe outro caminho?
Ou só cair como a chuva faz?
À flor da pele
Onde foram os espelhos
Da comparação
Pra me fazerem
Lembrar o passado lasso,
Ver todas as diferenças
Retratadas
A beleza é uma quimera estética
O que vale é o que reflete
Por dentro.
Manchas rubras se derramaram
Nesta terra
Nossa raça é cerúlea
Por ironia.
Somos de garbo,
Vencemos muitas prendas!
