Poema o Amor segundo Carlos Drummund de Andrade
acordou de seu devaneio
do dia que se foi,
o para sempre nunca,
o sonho se desfez
na realidade nua e crua
da poesia que o rejeitou,
e ante as palavras
que sangram
desistiu de concluir
este expressar..
e soprou o vento
de um pra sempre
de ontem
que o hoje tornou
em nunca,
trouxe um aroma
do sal do mar
que veio suave
pelo ar embalado
pelo voo de pelicanos..
te condenaria por desistir de ler-me?
minha bagunça enlouqueceu-me,
minha alma só produz gemidos,
o coração desaprendeu a escrever
insuficiência de palavras
[...]
é a vida? e o que é a vida?
um milagre que busca a morte,
o Amor, sentimento que trás tristeza,
as palavras, gritos para almas surdas
isto a poesia quem me segredou..
Noites claras ou plena escuridão
Dias felizes para iluminar
As lutas internas, vã solidão
Uma nuvem passageira no ar
Cada fase da lua a passar
Um adeus solto na imensidão
Sonhe!
Porque a maioria das pessoas
Param de sonhar quando acorda?
Sonhar é necessário
Se você já teve um sonho, recorda
Se alguém lhe desacreditou, discorda
Deixem falar , mas não lhes deem corda
Acredite pouco, acredite muito, seja em qualquer nível,
O que faz o impossível se tornar possível?
O acaso , a sorte ou a iniciativa?
Me diz, quem controla sua narrativa?
Para, pense, você lhe traz perspectiva?
Seja um desbravador
Não permaneça na dor,
Que essa mensagem, seja seu norteador
Mas eu sou só um portador
Você decide, ser um catalisador
Dos acontecimentos que estão a sua volta
E verás que na sua vida, acontecerás
Uma reviravolta.
Prisão Perpétua
suspenda a festa,
doe o vestido, o véu
o sapato e a grinalda,
recolha o tapete
vermelho, vermelho,
a luz seja apagada
cancele o sonho,
aquele sonho único
capaz de redenção,
escondo no escuro
da solidão, esse Amor
tornado em opressão,
esqueço de tudo
da busca frustrada,
Amor não vivido,
de mim mesmo
da vida, pra sempre
ficarei esquecido,
a prisão perpétua
em última instância
condenado em instantes,
Amar sem medidas,
poesias de versos rotos,
meus graves atenuantes,
perpetrada a condenação
de meu crime cometido,
Amar o Amor não vivido..
Leituras tardias e perdidas
não pude me escrever no seu doce coração
sangrei em escritos até tornar-me em sangue
até que cada parte de mim tornou-se em escritos
ainda assim o papel de seu coração rejeitou o todo de minhas palavras
recolheu-se ao silêncio do seu Amor
cobrindo-se com lágrimas de mágoas e ilusões, deixasses de olhar para mim
olharás no entanto, quando eu em cinzas ao vento
tornar-me o poema que todos esperavam
na minha morte, a morte dos escritos que me tornei
no dia do silêncio dos escritos que rasgavam meu Amor por ti
o sol nascerá, irá se por, e os arremedos estarão calados
a lua surgirá, irá embora e nenhuma palavra mais no papel
reconhecerás quem sabe meu Amor em letras mortas
de arremedos de poesias que seu coração desistiu de ler
que o silêncio dos meus escritos desvendará
quando enfim não houver uma gota sequer de sangue na pena
seus olhos fixos no vazio do penhasco, cinzas minhas ao vento
a porta do seu coração se abrirá ao contemplar a busca
tardiamente lerá em cinzas de escritos de palavras rotas
meu Amor ofuscado pelo seu olhar que dele se desviou e desistiu
verá o nada que dos meus sonhos restou
e neles todos enfim verá que buscavam te fazer feliz
minhas cinzas ao vento, leituras tardias e perdidas..
evite perder seu tempo
com quem não sabe ler você
com quem faz pouco caso
dos versos de sua alma
com quem deixa de te ler
para ler estórias baratas
de aventuras banais..
Asas quebradas
amontoei escritos
de versos diversos
todos rotos
e sem rimas
fugi para as palavras
em busca de habitat
no âmago do verbo
Amar
quem sabe no verbo
possa te encontrar
me ver livre da prisão
de mim mesmo
onde as asas que
me deste no sonhar
se quebraram
por não te encontrar
e agora me arrasto nos corredores por entre as celas da solidão..
A essência da poesia
Está nas rochas
No som que o mar revolto produz
No silêncio falante da natureza
Naquilo que só o coração sensível o suficiente consegue perceber.
Na natureza nada é estático
Se você reparar bem
O céu dança sobre nossas cabeças
Em milhões de formas e cores
As arvores e as flores conversam com o vento
Penso que assim é deve ser nossa vida
Sempre transformação e descobrimento
Compreendendo que a graça está na caminhada
E que os dias de chuva são tão necessários quanto os de sol.
É impossível esquivar-se
de todos os golpes do destino.
Não há como burlar
as emoções para sempre.
A dor é inevitável;
uma hora ou outra
a gente sente o drama.
A Dor
Quando a dor consome
Sua alma
Seu corpo
Sua mente
E gostaria de poder ir embora para um lugar em que a dor agonizante não lhe encontrasse
Mas onde há esse lugar?
Não existe, porque a dor fez morada em você e ela vai lhe acompanhar para onde você for
Nesses dias parece não haver esperança
Esquecemos que tudo são fases
Tudo passa, até a dor
A esperança
A esperança não cansa,
ela não murcha,
ela não desaparece,
apenas nós não conseguimos enxerga-la,
mas calma lá!
Não podemos nos desesperar porque com o desespero
nós nunca vamos chegar nenhum lugar
e com muita persistência,
você vai parar,
vai respirar e vai olhar e quando você menos esperar você já vai estar lá.
Eram duas caveiras que se amavam
E à meia-noite se encontravam
Pelo cemitério os dois passeavam
E juras de amor então trocavam:
Ao apelo da caveira, por sua mão
Sentia se o bater, de seu doce coração
Aonde quer que ela olhasse, não tiravas a sua atenção
Apesar de seu pedido, ela lhe disse: Não
Surpreso e abatido
A questiona com um pedido
Poderia eu, não ser esquecido?
Meu peito esfriaria, pois tu o mantém aquecido
Não compreendo, meu amor não é decente?
Apesar de lhe amar, não posso compartilhar, o que meu peito sente
Sua alma que no amor é docente
É demais para essa jovem indecente…
Eu sempre te disse não
Mas pra você foi sempre sim
Quando seu olhar dizia pra mim
Porque você me fez assim
Excreta pela pele
Conduz pelo luar
Namora pela maré
Insinua pelo pulsar
Os sois inversos á psicologia reversa
Inversa, moleja, canta e dança pelos 4 ventos
Rosa e roda gira pé feito ré e relógio curandeiro
Vai passando o lemoeiro feito cítrico á nadar
Tóxico a cura, cura tóxica
Envenena e mata o mal
Mal em bem converte feito alquimia
Pedras voam e falam com os planetas, anunciam: O sol está do avesso.
300 sois á câmera lenta denegrindo a imensidão azul
O grande sol a esperar por seus raios sabotados
A chuva em lágrimas corre a terra em oração:
Libertem o coração, libertem o amor.
Coaxando à beira rio
Me enamorou
Lavando o pé no fio,
Quando me viu pulou
Quando te encontro distraída,
Caçando em banho de sol,
Jacente na vitória régia,
Sereia!
Eu te amo, como amo a lagoa,
As poças, a chuva e moscas...
Te quero toda minha,
Sapinha linda.
O mundo sem você era inimaginável
E não aceitava o eminente fim
Perdoei o que não era maleável
Assim mesmo não quis ficar, pobre de mim
Chorei o que não podia
E todos os teus retratos dei fim
Amei quem não devia
Assim mesmo não te esqueci, pobre de mim
As vezes me vi caindo
Sem ter onde me apatifar
As vezes me vi voando
Ensaiando outra vez amar
Mas não, chega
Se for pra viver assim, pobre de mim
Sapo e seus amores rasos
Cantava e dançava a beira da poça, choveu a tarde inteira, e pela noite foi festa. O sapo nadava, gritava e não queria nada mais da vida, era só alegria, na poça tinha tudo o que queria.
Uma vez perguntaram:
- Sapo, o que essa poça tem de tão especial? Tem milhares como ela só nessa trilha, e quando o sol vem, ela se vai, não te precisa, já tu, fica sem ter onde pular. Não acha melhor parar de se jogar assim ?
BESTEIRA! Disse o sapo. Amar é assim mesmo, nem sempre da pra se doar, está presente, a ausência é necessária pra poder sentir saudade.
Pobre sapo, amou sempre poças, quando o amor é mar.
