Poema o Amor segundo Carlos Drummund de Andrade
Título: Casa da quietude, quem perturba?
Primeiro veio o correio,
Depois a telefonia,
Aí chegou às mensagens eletrônicas,
Quem será o próximo a furtar minha tranquilidade?
Para ter sossego, qual a melhor opção?
Acho que é ser ermitão.
O que procura um eremita além da sua paz?
Ele procura a sua penitência, até jaz.
O silêncio me deslumbra,
Por isso odeio quem me perturba.
Quando eu não te responder,
Entenda que só estava querendo me satisfazer.
Autor: Nélio Joaquim
Título: Palavras escritas
Um menino queria fazer trajetória,
Queria poder exprimir sua história.
Uma menina queria fazer glória,
Queria poder ortografar com uma dedicatória.
Um homem queria fazer poesias,
Queria poder redigir suas nostalgias.
Uma mulher queria fazer poemas,
Queria poder grafar seus problemas.
Um idoso queria fazer biografias,
Queria poder treinar sua caligrafia.
Uma idosa queria fazer cartas,
Queria poder comunicar algumas erratas.
Assim anda o universo,
Para o mundo se transcrever em versos.
Autor: Nélio Joaquim
Título: Quando perdoar
Perdoamos aquilo que conhecemos
O que não chega a nós, não cabe perdão
São só rumores que não tive aproximação.
Perdoamos um ser racional
O que não é ser humano, não cabe perdão
São só seres que não tiveram evolução.
Perdoamos o nosso fracasso
O êxito de outros, não cabe perdão
São só atos com uma melhor conclusão.
Perdoamos aquilo que dói
O que não machuca, não cabe perdão
São só tentativas em vão.
Perdoamos coisas que passaram
O que ainda pode acontecer, não cabe perdão
São só coisas de uma fértil imaginação.
Autor: Nélio Joaquim
Ariano Suassuna
Os homens de barro
Singela improvisação
Com o arco desolado
O sagrado e o profano
Cantam as harpas de Sião.
O pasto incendiado
E lá se vai um homem vestido de Sol!
De cerne Armorial!
Ao Auto da Compadecida
A pena e a lei.
O nosso rebento nordestino
No caminho da caatinga
Sem caneta, sem papel
Nas torturas de um coração
Um adeus ao deserto do sertão!
Stella
Radiante nell' oscurità
Brilla, brilla, brilla
In questa notte lugubre
Regna in me
Indomabile sentimento.
Si avvicina
Sorriso della vita
Gentilezza del domani
Tessendo i miei occhi
Rompe il mio oceano.
In un istante
La completezza del mio essere
Mi travolge
Desideri, sogni
La stella in me.
Doçura de viver
Entregai os sabores das cores
nas brincadeiras das poesias
aos vossos desejos reprimidos
das loucuras interditas
pelos laços dos vossos lábios.
Vigiai os olhares dos mares
nas valentias das vossas ausências
aos vossos pecados cometidos
das ternuras alvuras
pelos dias e noites das vossas mãos.
Almejai os odores dos amores
nas aquarelas das vidas
aos vossos corpos entremeados
das capelas adoradas
pelos apelos dos vossos pensamentos!
Aquário da vida
O dia amanheceu branco
mais gelado que meu próprio coração
sem nenhuma canção
sem nenhum pranto
o dia permaneceu branco
sem o teu encanto!
E se eu fosse a moça tecelã
deixaria o corpo que padece
me envolveria com sol e a neve
entre as linhas da minha face
teceria o calor e o frio
nos caprichos do dia e da noite
para ter contigo o amanhã!
Artaud
Da manifestação da insanidade
Uma articulação orgânica e estupenda da voz
Dentro do espaço da vocalidade
Alavanca o personagem marginal.
Da consciência da corporeidade
O abuso da verdade interdita feroz
Nas cadências melódicas da ritualidade
Subjaz a sociedade fatal.
Numa loucura da racionalidade
A reconstrução da palavra atroz
Na experiência-limite e literária da fecalidade
A sublime linguagem subversiva retal.
Estática
Corta-se o inútil
De pensamentos vazios
De superficialidade e imbecilidade humana.
Retiram-se as pedras
Em um momento oportuno
Tão logo traz a fertilidade da terra.
Arrebatam-se os ventos
Nas pegadas das borboletas
Outrora que se foi.
Corteja-se a beleza
Da sabedoria da alma
Somente o que se amálgama permanece.
O adeus!
Um dia a amizade aparece.
Diálogos, conselhos
Partilha de choros e sorrisos
Envolto aos ombros
E abraços de um amigo.
Um dia a amizade solidifica.
Momentos, decisões
Surgem os comprometimentos
De erros e acertos
Na vida de um amigo.
Um dia a amizade some.
Achismos, egocentrismos
Rompem sentimentos
De tudo o nada
Simplesmente jaz um amigo.
Não sou daqui, morri e renasci...
Sou mais que bens matérias...
Deixarei saudade, viverei pra eternidade...
Espírito inquieto, alma frustrada...
Cansada...
Do amor não viverei,
De saudade morrerei,
Um dia só serei...
Alma verve, coração esfria...
Morrerei.
Desenho o céu, rabisco o mar.
Ao seu redor,eu vou cantar.
Eu vou sorrir,eu vou chorar.
Estou aqui, para te amar.
A CAATINGA AMANHECEU EM FLOR
Você falou que iria voltar, para mim.
Você saiu e levou o sol.
Você guardou as estrelas, para se lembrar.
Quando eu fui tua mulher
Aqui nunca mais há luz
Aqui nunca mais foi dia
Ninguém veio terminar
O que na noite enfureceu
Você sumiu
E, a lua foi visitar o sol.
E deste amor veio o arrepio
Você me amou na cama
no nosso altar
E levou a menina, que vivia em mim.
Você brincou com meu coração
Me aprisionou na sua história
Cansada de esperar:
Morri para mim.
E de tanto chorar dissolvi em lágrimas o meu sofrer
Umedeci rio, alimentei a dor.
Transformei a caatinga em flor
Matei a sede
Da minha alma
E, a caatinga amanheceu em flor.
Meu mar invadiu o sertão
Deu cheia no rio
Meu mar invadiu o sertão
Umedeci rio, extravasei a dor.
Transformei a caatinga em flor
Sei também,
Que uma flor mostra a beleza
Na incerteza
De sua efêmera vida.
No entanto,
Todo encanto,
Por alguns não é percebido.
Pois sensibilidade,
Na verdade,
É algo que nem todos têm.
POEMAS ENLATADOS
Fiz poemas e poesias
Guardei tudo dentro de uma lata!
O mundo é perigoso e a vida queria me bater!
Pensei um pouco e disse: Oh vida me bata!
O mundo girava...Meu corpo cambaleava!
Trôpego, tremia, capengava...e não caia!
Em frente a sua casa eu gritava...chamava e você não saia!
Chamei mais uma vez e deixei esta lata...
Pegue-a!abra-a!
Antes que venha outra...gata!
Oh mundo! Oh vida! Quer bater?
Que bata!
À você... toda luz que brilha em cada amanhecer! Aluz dos astros!
À você... a brisa leve que sopra todas as manhãs! O perfume da flor!
A gota de orvalho!
À você... a sensibilidade que grita! O carinho que excita!
À você... um caminhar a luz da lua, a beira mar! A inspiração! A vontade de cantar!
À você... a palavra que enobrece! O abraço que fortalece! Apaz que engrandece!
À você... a esperança que renova!
À você... a dúvida! A coragem! A escolha!
À você... a alegria! A esperença! A esperteza de uma criança!
À você... o pôr-do-sol num mirante! A força de um gigante!
À você... uma surpresa agradável! Uma palavra amável!
À você... uma paixão!
À você... um coração!
Por você... vou compor!
"E pra você... este singelo poema de Amor"
Mentir é uma arte podre, mas é uma arte.
E como todas as outras, não é para qualquer um.
Quem domina essa arte nunca é descoberto.
Vive nos mais altos patamares, com os mais belos carros, rodeado das mais belas mulheres...
... Eles estão no poder, sem saber o que é suar para conseguir dinheiro, o maldito dinheiro!
"Admiradora secreta"
Me diga,como não te amar?
Isso é algo impossível!
Tu és belo aos meus olhos
E encantador ao meu coração
Me diga, como faço para me afastar de te?
Se a cada vez que o meu olhar encontra o seu
Me sinto tão diferente, apaixonada
Me diga, me diga algo
Preciso fugir de te
Mesmo que os meus pés caminhem para perto de te
Preciso fingir que não o vejo
Mesmo que os meus olhos queiram te perseguir
Preciso me fazer de desatenta
Mesmo que tudo que tu digas me chame a atenção
Preciso me calar
Preciso me conter
Você não poderá saber
O que há em mim
Porque eu nunca poderei lhe dizer
"Conflitos"
As vezes me sinto só
Por um lado é bom estar só
Mas pensando melhor não
Mas o que fazer?
Esqueço de mim mesma
De tudo em minha volta
Não ligo
Finjo que não vejo
Faço de conta que não escuto
E assim que levo a vida
É assim que é meu mundo
