Poema Nao Ame sem Amar
Quero ser lembrada —
não por vitória, não por glória,
não por nada que caiba em mãos humanas.
Quero ser lembrada
porque desaparecer em vida
é uma morte que ninguém enterra.
Eu não quero aplausos,
quero prova de que eu não fui um vazio andando,
de que meus passos não foram só barulho perdido
num mundo que esquece rápido demais
Helaine Machado
Lar é onde o coração repousa,
onde o amor não cabe — transborda.
É oração que nasce em silêncio,
é dois corações no mesmo compasso,
batendo por um só propósito.
Helaine Machado
não existe mais original.
Tudo é cópia — mal feita, mal intencionada, mal disfarçada.
A verdade foi falsificada
e vendida no mercado negro da conveniência.
Antes, pirataria era gambiarra do pobre,
um jeito de sobreviver sem acesso.
Hoje é sistema.
É método.
É regra não escrita.
Nada é confiável.
Nada é limpo.
Nada é inteiro.
Helaine Machado
A maior virtude do amor
não é ser leve,
nem bonito aos olhos do mundo —
é ser forte o bastante
pra calar o ódio
quando ele grita dentro da gente.
Porque o ódio invade,
rasga, consome,
faz do peito um campo de guerra
onde tudo perde cor.
Helaine machado
Montada por camadas, a sociedade finge não ver,
Todos só querem ser felizes, custe o que custar,
Pra disfarçar a hipocrisia já escrita antes de nascer,
Um roteiro invisível que ninguém quer questionar.
Colocam jovens pra decidir destinos que não entendem,
Sem o peso real do futuro que vão herdar,
Enquanto os que mandam fingem que defendem,
Mas só sabem se beneficiar.
Helaine machado
Sapinha
Me chama de sua sapinha…
mas cuidado com o nome que escolhe,
eu não pertenço — eu conduzo.
Sou o veneno doce
que você pede em silêncio,
o erro que você insiste em provar.
Exijo respeito
mesmo quando a pele grita,
porque o meu jogo
não aceita distração.
Eu me entrego…
só o suficiente pra te prender,
e recuo
quando você acha que venceu.
No meu toque mora o perigo,
no meu olhar, a sentença:
você não me tem —
você me deseja.
E é isso…
que tempera a nossa relação.
— Helaine Machado
Amor, poder e razão
três caminhos na mesma pulsação,
tão distantes entre si
que parecem não caber
no mesmo peito —
mas cabem.
Habita em silêncio
esse território escondido
onde o querer abraça,
o dominar insiste,
e o pensar tenta organizar o caos.
O amor pede entrega,
o poder exige controle,
a razão sussurra cautela —
e nenhum deles aceita calar.
Quando florescem,
não vêm em ordem,
não pedem licença,
não combinam entre si.
Helaine machado
Chiclete
Não me culpe por ser chiclete,
é simples assim:
quando eu escolho alguém,
eu quero estar por perto.
Grudo no tempo,
no cheiro,
na presença.
É desejo, talvez no cio da entrega.
mas não confunda isso
com falta de controle.
Eu sinto — e sinto inteiro.
Mas não venha me moldar,
ditar meu jeito,
minha roupa,
minha forma de existir.
Aqui tem vontade,
mas também tem limite.
Tem entrega,
mas exige respeito.
Porque até quando você me chama
de sua cachorrinha,
sou eu quem escolhe ficar.
— Helaine Machado
Não é de repente…
é no tempo certo,
no compasso do céu,
que o sonho floresce.
Deus sussurra primeiro
no silêncio do coração,
como quem planta esperança
em meio à espera
Helaine machado
Silêncio Que Domina
Prefiro me calar…
diante da insistência que não me alcança,
porque nem todo querer me merece,
e eu não negocio minha essência.
Meu silêncio não é ausência,
é pele guardando intenção,
é desejo que escolhe o momento…
e não cede à pressão.
Eu não repito convite,
nem imploro atenção,
quem entende meu olhar…
sente antes da minha mão.
Sou pausa que provoca,
mistério que conduz,
quando eu falo — é tarde…
porque o silêncio já seduz.
Helaine Machado
Verdade à Venda
Não se esconde a verdade…
ela só aprende a sussurrar mais baixo
quando o barulho das promessas
tenta calar o que é fato.
Em tempos de escolha,
tudo vira moeda, tudo vira voz,
e até a verdade… tão nua…
negocia o preço de existir entre nós.
Mas eu não negocio o que sinto,
nem vendo o que é real em mim,
porque há verdades que queimam por dentro…
e não se dobram por nenhum fim.
Helaine machado
Não É Voto, É Sobrevivência
Democracia… dizem.
Mas nas urnas, o povo vira número,
e nas mesas de poder,
vira moeda — trocada no escuro.
Eleição não é festa,
é leilão disfarçado de escolha,
promessas sobem no palco…
e caem antes de sair da folha.
Quem paga essa conta?
O mesmo de sempre — o invisível,
o pobre que vota com fome
e depois segue sem o mínimo possível.
Eles negociam futuro
como quem divide um prêmio,
enquanto nas ruas o povo
divide o pouco… e o silêncio.
Isso não é disputa — é ferida aberta,
não é política — é abandono organizado,
porque enquanto uns brigam por cargos…
outros brigam pra não morrer calados.
Helaine machado
Não me olhe com desprezo, guarda bem essa visão,
o mundo gira rápido, não existe posição.
Hoje você tá por cima, pisando sem noção,
amanhã pode ser eu no topo da ascensão.
Subindo cada passo com suor e cicatriz,
quem desacredita hoje não sabe o que eu fiz.
Aprendi no silêncio, caí, mas não desisti,
porque quem planta verdade, colhe na raiz. Helaine machado
Minhas Metades
Minhas metades não são vaidades,
são momentos vividos, guardados.
Tatuagens na alma e na pele,
marcas que o tempo não apaga.
Carrego em mim o que fui,
o que amei e o que perdi,
fragmentos que me constroem
mesmo quando penso que me desfiz.
Sou feita de pedaços intensos,
de dores que viraram raiz…
porque há cicatrizes que ficam,
mas também são elas que me fazem existir.
— Helaine Machado
A inveja não grita —
ela observa em silêncio.
Sorriso no rosto,
tempestade por dentro.
Ela não quer ser você…
quer tirar de você
o brilho que não consegue acender.
É um incômodo disfarçado,
uma admiração mal resolvida,
um desejo de ter
o que só nasce em quem é verdadeiro.
Mas quem carrega luz
não apaga por causa de sombra.
E quanto mais tentam diminuir,
mais evidente fica:
o problema nunca foi você —
foi a incapacidade do outro.
Helaine machado
Chega
Chega.
Já extrapolou.
Foram segundos…
mas custaram uma vida.
Uma mulher não perde só o tempo —
perde pedaços de si
cada vez que é calada, ferida, ignorada.
Uma hora passa,
mas o que foi tirado
não volta no relógio.
Há silêncios que gritam,
há dores que ninguém vê,
e há histórias interrompidas
antes mesmo de florescer.
Chega de normalizar o que machuca,
chega de aceitar o que diminui.
Porque quando uma mulher perde,
o mundo inteiro perde com ela.
Helaine machado
Chega
Chega de feminicídios.
Não dá mais pra fingir que é normal.
Ser mulher não pode ser
um risco diário,
um medo constante,
um silêncio imposto.
Quantas vozes ainda vão ser caladas
antes que o mundo escute?
Quantas histórias interrompidas,
quantos sonhos arrancados
no meio do caminho?
Não, não é “só mais um caso”.
É uma vida.
É uma ausência que nunca se preenche.
Ser mulher deveria ser liberdade —
não sentença.
Chega de medo.
Chega de dor.
Chega de perder mulheres
para uma violência que já passou do limite.
Porque existir
não pode custar a vida
Helaine machado
Viva
Viver não é só respirar,
é sentir o que a vida
te oferece hoje.
É abrir o peito pro instante,
mesmo quando ele vem imperfeito,
mesmo quando dói.
Porque viver é presença,
é coragem de sentir,
é não adiar o agora.
Então viva —
com intensidade,
com verdade,
com tudo que há em você.
Ass: Helaine Machado
“Queria te dar o mundo,
mas sei que ele não me pertence…
Então te entrego aquilo que é meu:
meu tempo, meu cuidado,
meus silêncios mais sinceros
e esse coração teimoso
que insiste em morar em você.”
— Helaine Machado
Não adianta esconder.
A vida sempre traz à tona
aquilo que mais tememos enfrentar.
O tempo pode até silenciar verdades,
mas nunca consegue sepultá-las para sempre.
Uma hora, a máscara cai,
o coração transborda,
e a alma revela o que os olhos tentavam negar.
Porque fugir de si mesmo
é carregar um labirinto dentro do peito.
E por mais distante que alguém corra,
a verdade sempre encontra caminho para voltar.
Talvez o segredo não seja esconder as feridas,
mas aprender a encará-las
antes que elas nos consumam em silêncio.
Helaine Machado
