Poema Nao Ame sem Amar
Pare de mandar áudio se não é sua voz que ele quer ouvir;
Não adianta bater na porta se é outra pessoa que ele quer ver;
Você pode até chamar para ir à praia, mas se ele prefere uma cachoeira com outra, desista.
Tem tanta gente interessante no mundo, menina, pare de se jogar para cima de alguém que já está segurando outra pessoa.
Amor de verão
Um amor de verão
Começa nesta estação
Não termina no outono
Mesmo com o abandono
Vive na saudade no inverno
Quando a distância aumenta
É algo um tanto incerto
Daqueles que não se inventa
Na primavera há a esperança
De voltar a ser como era
É difícil de aceitar e ver
Mas aos poucos se supera
Um amor de verão
Sempre será de verão
Um outro tipo de amor
Que cabe aqui no coração.
A luz que não se apagou
Estranhas indefinições da vida
Mas há uma luz que não se apagou
Tão distante e até mesmo perto
Um caminho que você me mostrou
É irônica a nossa existência
Perspicaz, discreta e sagaz
A madrugada traz benevolência
Tua companhia me acalenta
Esclarece e até reinventa
De minhas letras não te esqueças...
Gaiola doida
O relógio parado
Fixado na parede
Não falta água
Só não tenho sede
A minha causa rara
Afirma-se em solidão
Sem perspectiva do amanhã
E o hoje sem a tal emoção
O velho sábio pensa
Indefinições que voam
Como pássaros embriagados
Sonhos que são lamentados
Nada é como outrora
O pôr-do-sol se extinguiu
Nunca pesquei naquele rio
Minha empresa já faliu
Antes de nascer eu previ
Na gaiola doida estaria
Segue então o rumo do baile
Fantoches em total monotonia
O meu esconderijo maior
Esconde aqueles sentimentos
Cada vez mais realçados
Num poço de lamentos
Não vejo as cores
Tal como elas são
O daltonismo cai
A luva serve na mão
Razão na pura emoção
Comoção sem sentir
Um amor que aflora
Na cova vou partir
Quase nunca nada
Jamais te conheci
Nada serei sem ti
Estrela da madrugada
Adeus ao navio negro
Leve todas as vítimas
Eu aqui ainda aguento
Mesmo sem carícias.
Quando as ondas do mar tocarem tua alma,
Entenda que é preciso ter calma.
E se o sol não vier amanhã, mesmo assim,
Quero ter você bem perto de mim.
O que há de belo
Não vá pensando que isso acaba
Ao final de mais uma batalha
De pequenas vitórias se leva a vida
Sua escolha não é predeterminada
O normal nunca fez muito bem
Reinvente os seus próprios padrões
Aprecie o que há de belo lá fora
Sob o pôr-do-sol, delire em emoções
O que fazia mal, tanto faz agora
Curta o tempo, não conte a hora
Passa rápido a estrela cadente
Boas pessoas chegam de repente
Seja otimista, acredite no melhor
É possível planejar o amanhã
Difícil é prever todos os dias
Céu e mar entrando em sintonia.
Passado
Você consegue olhar para si mesmo
Quando lembra do que ficou para trás?
O tempo não para, é um tiro à queima-roupa
Ferindo com a saudade um pouco mais
Paciência... o sol irá raiar novamente
Logo, então, a sua luz te fará renascer
Remexendo velhas fotos, se perde a mente
Na imensidão da lua, este é o seu ser!
Você consegue conviver consigo mesmo
Quando pensa no que deixou de fazer?
Embarcando numa viagem só de ida
Sem saber lidar com a dor da partida
Adeus... a vida não permite ensaios
Um novo dia nunca será igual...
Aquele agora tido como fenomenal...
É apenas passado! Se foi. Acabado.
Tudo o que eu falei quando você se foi
Trancado neste quarto, com as luzes apagadas
Não há nada além de incertezas na minha mente
Preso neste delírio, com as portas fechadas
Pensando em quando eu era mais inteligente
Tudo o que eu falei quando você se foi
Já não vale mais a pena ser repetido
Tudo o que eu falei quando você me deixou
É só a dura lembrança de um coração partido
Nada vejo, nada escuto, nada sinto agora
Neste caos absoluto que a solidão causou
Apaixonado ao seu lado, eu perdi a hora
O tempo era curto e hoje ele se esgotou
Tudo o que eu falei quando você se foi
Voa distante, sem rumo, inconstante
Tudo o que eu falei quando você partiu
É um crime que fui pego em flagrante.
Leitura mental
Na noite em que eu te conheci
Lá no fundo eu sabia, sim...
Que não seria a última, não...
Nosso destino não tem solução
Sem apostar, o apostador perdeu
Quando esteve a sós consigo
Refletindo um pouco, percebeu
Dinheiro não confere abrigo
Um olhar do verde selvagem
Distante de tudo que já se viu
Ei, garota, estamos à margem
Da água límpida deste rio
Como se fizesse leitura mental
Sabe o que curto, segura a mão
Escute aí e não me leve a mal
Pirei em ti e não é alucinação
Um vencedor é dado por vencido
Quando entende suas vitórias...
Uma por uma, grandes glórias...
Como um rumo já percorrido
A conquista nunca tem fim
É o que seu sorriso diz a mim
Mesmo tendo-a por vezes, desejo
Como na primeira o seu beijo!
Eu não estava lá
Quando Brasília foi projetada
Para centralizar todo o poder
Quando uma pedra foi lançada
E os incrédulos passaram a crer
Eu não estava lá...
Na hora errada, hora de falar
As palavras certas, poucas
Únicas, mas fora de lugar
Quando a Revolução foi inaugurada
Ameaçando o poder dos nobres
Quando uma bala foi projetada
Direto no coração dos pobres
Eu não estava lá...
Para conhecer o outro lado
Saber o que teria acontecido
Se fosse real e não inventado
A noite toda, o tempo todo...
É impossível para mim negar
O dia inteiro, desde acordar...
Nunca. Eu não estava lá.
Mancha negra
Longe demais das catedrais
O sino não pode ser escutado
A cada súplica, mais e mais
Não tem razão o velho ditado
Mancha negra, ironicamente
Jovens criam um novo Papa
Ideias crescendo livremente
Há algo de errado no mapa
A tradição tão desrespeitada
Pode ter sua ausência sentida
Nossa geração, desesperada
Crê na ilusão que está nítida
Quando acaba esta tragédia?
Quem realizará o golpe final?
Qual o nome desta comédia?
Qual o seu lado: bem ou mal?
A madrugada e o seu delírio
Frequente imposição natural
Se a existência é um martírio
Que o paraíso possa ser real.
O que está
Não está no quadro negro,
Em nenhuma das carteiras.
Não está nem hasteado,
Como se fosse uma bandeira.
Não se define, só se sente.
Ouço teu nome e, de repente,
Lembro do que está: o amor.
Bolha
Não quero ser condenado
Sem julgamento prévio
Uma sombra ao meu lado
Ainda sou pouco velho
Se eu pudesse fugir então
Sair de vez dessa bolha
Viver apenas uma emoção
Se houvesse tal escolha
Quando estou preso, sofro
Nas grades que eu criei
Agonizo tanto e não morro
Muita ruína já suportei
Não pretendo assim seguir
Se preciso, recriarei o ar
Sobretudo, tenho que sair
Encontrar o que respirar
Estou cansado da miséria
Intelectual, moral, anormal
Eu até viajaria à Coreia
Qual das duas? Dúvida real
Difícil aceitar o óbvio
E tudo que está por vir
É estranho ficar sóbrio
Essa bolha irá explodir!
Somos o futuro
Mais uma noite acaba
Mas não acaba o sentir
Um sentido quase raro
A novidade está por vir
Todo dia é um novo ar
Alguma coisa pra respirar
Estando nessa plenitude
Na eminência de atitude
É claro que haverá então
Outra paisagem lá fora
Somos o futuro, irmão
Quer mesmo dar o fora?
Opto por prosseguir aqui
Um tanto longe de mim
Ainda refletindo comigo
Motivado, mesmo sem ti.
Somos
Somos a ilusão da crença
E a desgostosa descrença
Somos à prova de amor
Não há escudo à dor
Somos todos, somos únicos
Somos bilhões, somos um
Cada qual, nada igual
Só mais um, bem comum
Somos número, somos um
Querendo ser dois, ser par
Ninguém vive no singular
Não sejas mais algum!
Somos o que rejeitamos
As escolhas desacreditadas
Somos falsos irmãos
Empunhando espadas
Somos mesmo sem sermos
O fruto da divina criação
Mas a laranja apodrece
E o corpo cai no caixão.
Lembrança (até mais)
Ela tinha um jeito delicado de ser
Eu sabia que não me pertenceria
Mas não sabia que tão cedo iria
Me deixar, assim, bem disperso...
A cada lembrança, pingo de chuva
A cada lágrima, que cai como luva
Eu me perco no mesmo pensamento
Que sempre é o do nosso momento
Seria fácil se não tivesse sido nada
Eu sonhei e fiz tudo aquilo por mim
Por nós... foi um beijo e todo o fim
Cada um, então, seguiu sua estrada
No fundo, sei que nos encontraremos
Só a distância insistiu em nos separar
Nada durou pra sempre e nem durará
Quando nos vermos, que reação terá?
Eu quero olhar aqueles olhos mágicos
Desfrutar de novo do sorriso demais
Nessa história, não há nada de trágico
Ela também lembra. Eu sei. Até mais.
Aluno apaixonado
Não pode ser coincidência quando a garota que você gosta senta-se ao seu lado em uma sala com outras cinquenta cadeiras disponíveis.
Dia a dia
Não dá para crer em liberdade
Estando trancado em uma jaula
Sem sentir o sol, a chuva, nada
Só peça no tabuleiro da cidade
Passam as horas, acaba o dia
O outro recomeça sem mudar
Diante desta cansativa rotina
Poucos têm chance de inovar
A maioria comemora na sexta
‘Sobrevivemos! Conseguimos!’
Mas a vitória seria no dia a dia
Fazendo o que confere alegria
Ir dormir tarde e acordar cedo
Trabalhar muito, ganhar pouco
Seguir o modelo da sociedade
Que faz do homem mais louco
Esquecendo as suas ambições
Preferências, ideias e emoções
Correndo dentro de um círculo
Estando recluso a um cubículo
Em subliminar, há a alternativa
Que envolve pessoas realizadas
Podendo escolher o seu destino
Com coragem em suas jornadas.
Platonismo
Se fosse ela que estivesse lá
Ele não seria mais ele mesmo
Talvez fosse um cara melhor
Entretanto com outra cara
De revolucionário a conservador
...vejam o que causa o amor...
Ora tagarela, outrora quieto
Moço apaixonado e desequilibrado
O que se procura não se acha
Não quando se está procurando!
É de repente e é também irônico
Que ninguém molde o seu enfim
Com um passo fora da marcha
Tem quem continue esperando!
À beira de um colapso platônico
Sem colher a sua flor no jardim.
Conflito entre épocas
Procurei na internet e não encontrei
Dáblio, dáblio, dáblio me cansou
Tô louco dessa vida de internetês
Estudei gramática e agora esqueci
Distrações do passado já superei
Percebi quando todo mundo parou
Tentei compartilhar o meu português
Com elementos que partiram daqui
Mágoas e lágrimas se entrelaçam
Com um torpor oriundo do revés
Nuvens de chuva aparecendo no ar
Garotas e garotos sem ter reação
Veículos correndo que ameaçam
No plural, veremos filmes de Pelés?
Quem mora na praia, vive no mar
Outros, com a mídia, na manipulação
Quase proponho uma solução à crise
Lembro que falta água, luz, otimismo
Recolho-me ao meu devido espaço
Volto a fazer frases sem um sentido
Ouço de bebês atirando-se da marquise
Estudei História e o tal do feudalismo
Disperso-me em completo embaraço
Percebo que estou no presente partido.
