Poema na minha Rua Mario Quintana
Grande é a chama acesa,
e não vai dar namoro,
Sem nenhum decoro
vai dar mesmo é poema;
Seja público ou secreto,
não pede disfarce
porque nasceu eterno.
(Encontro de estrelas
fazem o seu Universo).
A Ontologia do verso
Nem sempre um poema nasce de um incêndio na alma;
às vezes, ele brota do silêncio.
Basta sentar…
e permitir que o mundo fale primeiro.
No gesto simples de quem passa,
no vento que insiste em tocar o rosto,
na pausa entre um pensamento e outro,
ali, escondido, já existe verso.
Porque observar
é, no fundo, uma forma delicada de sentir.
E sentir…
sempre encontra um jeito de virar poesia.
Kleber Abdul Al-Nasr
Poema final
No princípio da tarde,
Tarde sem sentido ou valia
Dessas que corre a vida e o sol arde
Começo de mais um morto dia
Olhei a janela
A brilhante esquadria
Não sei se foi uma pancada
Mas um “Acorda bobo!”dizia
Uma voz de vida encharcada
Clamando”Revê o dia!”.
Procurei, dei mais uma olhada,
E, ao sol ofuscante,
Qual joia dourada,
Se via um besouro gigante
Poema:
Teu sorriso não chega,
ele acontece.
Como um amanhecer calmo
que invade sem pedir licença
e muda tudo de lugar.
Há uma luz no teu rosto
que não vem de fora,
vem de dentro…
como se teu coração
soubesse exatamente
como iluminar o mundo.
Teus olhos guardam um segredo bonito,
daqueles que a gente não entende,
mas sente e quando sente,
já não quer mais esquecer.
Teu cabelo cai leve,
como se o tempo tivesse aprendido
a ser gentil só pra te tocar.
E esse vermelho…
não é só uma cor
é presença,
é intensidade,
é o tipo de detalhe
que faz qualquer instante
parecer inesquecível.
Mas o que mais me prende
não é o que eu vejo
é o que você desperta.
Porque tem gente que é bonita…
e tem você,
que transforma o simples ato de olhar
em um motivo
pra ficar.
POEMA PARA TI
AVELINO FERNANDO DO COUTO RIBEIRO
(ou quando a morte fardada de roupagens negras se transforma em cristais de lágrimas puras que nem o sol consegue secar. © Carlos De Castro)
Há poucas horas te via
Na madrugada passar,
À minha porta.
Ias cedo, para o pão ganhar
Cedo ou tarde não importa
Quando o coração tem vida
Na noite que vai parir o dia.
E sou eu nesta elegia,
Neste paradoxo sem fim
Que afirmo com precisão
Que a morte é tão cobarde,
Se não,
Era fogo que não arde
E levava-me só a mim.
Assim, fico sem tino
Sem vontade de seguir
Esta vida, Avelino.
Pode ser que ao Divino,
Já no Reino do Eterno,
Possas rogar meu menino
Para que eu amado primo,
Jamais desça ao tal inferno.
(Carlos De Castro, in Há Um Livro Muito Trista Por Escrever, em 06-04-2026)
Vi-te de longe,
e já eras poema,
mas faltava vida no papel.
Porque você não gosta realmente de algo só por olhar,
senão por experimentá-lo,
e eu só te entendi
no toque,
no cheiro,
no silêncio tímido
entre as tuas palavras.
O amor não é pintura,
é gesto;
Não é quadro,
é colo.
Se eu te amei,
foi porque me debrucei
sobre a tua alma
e mergulhei sem medo.
O olhar encantou,
mas foi o sentir que me prendeu.
Itapema
As asas deste poema
são de ultraleve,
ele sobrevoa as praias
e rios de pedra
angulosa em tupi,
Todos amam viver aqui.
O teu povo carijó
e a herança dos açores
são parte sublime
da História Brasileira:
a nossa memória guerreira.
Foste Vila de Santo Antônio
de Lisboa e Arraial Tapera,
Itapema o teu nome rima
por fortuna com poema:
a tua alma não é pequena.
Charmosa rainha atlântica
do Litoral Norte Catarinense,
cheia de charme e beleza
que sempre captura o coração
da gente com toda a destreza.
Morar em Itapema é
deixar-se brindar e envolver
todos os dias por toda
essa sedução e riqueza
agraciadas por fortuna pela Natureza.
Tu
Tu és o poema que não ouso escrever, mas que o meu coração declama-o em segredo.
Tu és o segredo do meu corpo
quando ele pede mais.
Cada suspiro meu, tem a tua pele ,
cada gemido, a tua eternidade em mim.
Tu és o fogo que me devora
e a calma que me consome depois.
Quando tu me prendes ao teu corpo, sou infinito.
Dentro de ti, descubro que o amor
também sabe ser vulcão .
O teu calor envolve -me inteiro,
as tuas unhas riscam o meu desejo,
e dentro de ti, vagarosamente,
afundo-me cada vez mais fundo.
Não há palavra — só o choque,
o atrito, a explosão de nós dois,
quando o mundo se dissolve
no momento em que
juntos gememos um verso de fogo.
Pele e Chocolate
Passo o dedo
no chocolate
e escrevo na tua
zona umbilical
um poema, que o irei ler
com a minha boca.
A minha boca aprendeu
a língua do Amor
quando encontrou
o teu molhado beijo - e um pedaço de chocolate.
O meu beijo é feito
Murtillas frescas,
O meu poema é
escrito com linhas
certas e erradas,
Versos Intimistas
que unem almas
plenas e apaixonadas.
Quando te encontrei
no Enterro da Tristeza
na bela Florianópolis,
A folia soprou o poema
todo alegre nos avisando
que a vida começava
ali naquele momento,
dando adeus à cantilena
no coração e pensamento.
...
Projeto Gotinhas de Amor
Oceanos das Marés da Adolescência: Voz, Identidade e Futuro.
Poema
Marés da Adolescência
(Letra & Poesia)
No mar da adolescência,
A gente aprende a navegar,
Entre as ondas do medo
E a esperança de um lugar.
Navegando no escuro,
Buscando a direção,
Com a força da nossa voz,
Identidade e coração.
Este é o nosso oceano! Descobrindo a coragem,
Nosso projeto de vida.
Navegando nessa maré,
Construindo a nossa rota,
Fortalecendo a fé.
Todo capitão aprende
Com o peso da tempestade,
Asas do tempo
Sejamos uma leve poesia, ou um poema de amor, levados nas asas do tempo, feito as folhas secas… aos ventos, que partem em seus voos sem saber se irão voltar, (e retornarão?) Ou serão somente tímidas e simples sementes. Somos feito viajantes de uma era, deixando as nossas marcas, boas ou não.
Linha Tênue
Escrevo esse poema
entre a dor e um dilema,
sabendo que muitos vão apontar
antes mesmo de tentar entender.
Pra nós…
já virou rotina sentir demais,
carregar um peso antigo
de quem, muitas vezes,
nem pediu pra nascer.
A vida… a morte…
quem é que diferencia?
Existe uma linha tão tênue
que meus passos caminham sobre ela
todos os dias,
sem garantia.
Já tive vontade de ir embora,
não por fraqueza,
mas por não achar lugar
onde eu pudesse caber.
Desajeitado, quebrado, perdido…
como só entende
quem já perdeu tudo
e ainda tenta sobreviver.
Mas a recuperação tem algo estranho,
quase um enigma que intriga:
a mesma dor que antes nos empurrava
pro fim,
hoje nos faz implorar
por mais um dia de vida.
E chega a ser irônico…
porque antes, sem perceber,
a gente se destruía aos poucos,
roubando os próprios dias
de uma contagem silenciosa,
de uma doença incurável,
progressiva
e fatal.
Hoje eu perdi um amigo.
Não foi para as garras
da adicção ativa,
e isso, de alguma forma, conforta…
mas não apaga a dor.
Porque perder…
ainda é perder.
E a vida, que antes parecia clara,
se mostra torta,
como um reflexo quebrado
de tudo que já fomos.
Mas no meio desse caos,
existe um porquê que insiste em ficar:
ele partiu limpo,
de cabeça erguida,
carregando uma vitória silenciosa
que o mundo nem sempre vê.
Meu amigo se foi…
sem saber que, no caminho,
salvou vidas.
Sem saber que foi luz
em meio à escuridão de muitos.
E talvez seja isso…
o que me mantém aqui:
entender que, mesmo na dor,
mesmo na perda,
mesmo na saudade que aperta…
eu ainda escolho viver
mais um dia.
Poema do Voto Nulo
Voto nulo é um protesto calado
e não ofende ninguém,
Se você está do meu lado
VOTE NULO TAMBÉM!!!
Verão
Aqui
Existe
Lembranças
De
Um
Poema
Estéril
Que
Insiste
Em
Ser
Concreto
Quando
Ainda
Um
Deserto
Por
Inteiro
Habita
Em
Mim.
Ogiva Branca
Quando um poema
feito um míssil
para explodir nos corações
dos homens...
...um poema pela paz
universal
que tenha a força de uma ogiva
desfazendo-se em versos
sobre o obelisco de Washington,
sobre as praças de moscou...
buscarei os espíritos
gravídos de poesias:
Garcia Lorca! Cecília! Bandeira!
Pudesse em meu poema
colocar a embriaguez do verde,
o ritmo de todas as canções,
a luz da estrela da manhã...
quero um poema tão forte
como se a pomba de Picasso
desarmasse a bomba!
A paz! A paz!
Uma ogiva branca
derrubando os muros de Berlim,
levantando Beirute das ruínas,
desamarrando os corações do Oriente,
diluindo sob o mesmo céu azul
nas coreas do ódio
na Africa do Sul!
A paz chegando numa canção
que adormeça os corações das mães
enlouquecidas de saudade,
que transforme em sonhos coloridos
as memórias de terror
dos torturados...
...e chegue docemente ao coração
da humanidade,
como se John Lennon cantasse ainda
e Gandhi nos mandasse a sua voz
dos confins da eternidade!
Continuarei buscando este poema
e haverá de brotar poesia
como relva nova
acendendo esperança
em milhares de canções...
... e assim cantarão meus filhos
e os filhos dos filhos
dos meus filhos
e até onde a semente dos meus versos
atingir as gerações!
