Poema na minha Rua Mario Quintana
🇵🇹 Bombeiros Heróis Sem Capa 🇵🇹
Sirene na rua, o perigo dispara,
A vida em jogo, coragem não para.
Fumaça no ar, mas ele encara,
Onde ninguém fica, ele sempre encara.
No fogo avança, no medo é blindado,
O grito é alto, mas tá concentrado.
O povo recua, mas ele é chamado,
Salvar é missão, nunca é resultado.
[Refrão]
🚒 Bombeiro, herói sem capa,
🔥 No fogo, na água, coragem não se apaga.
🚒 Bombeiro, herói sem capa,
🔥 Na vida real, é quem segura a barra.
Do medo ele faz a fé que levanta,
No peito só força, na mente esperança.
Não quer medalha, nem fama que encanta,
A vida é missão, e missão não se cansa.
Guerreiros da rua, no topo da escada,
Anjos da noite, da tarde, da madrugada.
O mundo respeita, mas nunca se gaba,
No meio da chama, coragem não acaba.
[Refrão]
🚒 Bombeiro, herói sem capa,
🔥 No fogo, na água, coragem não se apaga.
🚒 Bombeiro, herói sem capa,
🔥 Na vida real, é quem segura a barra.
No jogo da vida não pede revanche,
Na queda segura, no abismo se lance.
Onde o medo domina, ele avança e não trava,
Herói verdadeiro... sem capa!
Preso em monólogos, rótulos, vou pra rua
e a vida nos cobrando respostas sem dar as perguntas.verdades são nuas e cruas.
Rotina ofuscando a retina que ainda brilha,
mas o brilho também é resistência, conduta e disciplina
.
Medos batem no peito como tambores,
e a coragem nasce no compasso,
Moldando amores e dores.
Cada cicatriz eu transformo em poesia,
Verso que ecoa, ferida que nos guia.
Caminhando sozinho por dentro dos meus pensamentos,
às vezes lento, mas sempre em movimento,
observo o tempo sempre correndo.
Acelerado, paro e conto até três, me acalmo,
mesmo no caos, busco a paz que torna alvo.
Buscando sempre a paz que me livra dos alarmes falsos.
Respiro fundo, guardo a brisa fria no peito,
mesmo em campo pequeno, chuto a bola meu jeito.
A cada batida, minhas rimas são espadas estilo esgrima,
a cada corte machuca, porém, também ensina.
Não desistir, persistir,
se seu sonho é grande você também precisa evoluir.
No ringue da vida não existe plateia,
suor no rosto é chama que clareia.
Cada queda ensina, cada dor constrói,
quem luta de verdade jamais se corrói.
Minha voz ergue muros, derruba mentiras vazias,
bloqueando sombras que iludem almas frias.
Cá entre nós, nunca estamos a sós,
quem ontem me ignorou, hoje implora minha voz.
Olho nos olhos, não fujo da briga,
verdade é flecha, mentira fadiga.
Quem hoje aponta, amanhã admira,
quem fecha a porta, um dia suplica a saída.
Eu não paro, eu insisto,
cada rima é fogo, cada verso é grito.
Do silêncio eu faço poesia,
das feridas sangram minha energia.
O Gato da Rua 15
Na calçada fria, número quinze, Mora um ser de pelo, com manhas e guinze. Não tem pedigree, nem lar aconchegante, É o Gato da Rua 15, o andarilho elegante.
Seus olhos de esmeralda, atentos e sagazes, Viram noites de estrelas, manhãs vorazes. Conhece cada fresta, cada portão fechado, Onde um afago, às vezes, é-lhe dado.
Esguio e ligeiro, em busca de um petisco, Desvia de carros, corre sem risco. Salta muros altos, some entre os quintais, Dono do seu tempo, livre de rituais.
Às vezes, um miado, manhoso e sutil, Pede por carinho, um gesto gentil. Mas logo se afasta, volta à sua postura, Um felino independente, de alma pura.
Testemunha silenciosa do ir e vir da gente, Seu reino é o asfalto, seu teto o crescente. O Gato da Rua 15, figura marcante, Um mistério felino, sempre errante.
Longe do seu querer
Na rua, que é caminho da sua casa, te vejo andar com passos leves,
pois sabe que eu estou logo atrás— mas ainda longe.
Seus passos ficam lentos,
na esperança de que eu, alguém tão sem coração, te alcance.
Depois de nove passos longos, você desiste,
já se cansa de me esperar.
Seu olhar cansado se vira na minha direção.
Já meus olhos não vão ao encontro dos seus;
a tristeza te destrói, com minha boca, que não chama pelo seu nome.
Quando entra na sua casa e a porta se fecha,
agora sou eu quem sofre: peço perdão
para você, que não pode ouvir,
e olho para lugares onde não posso te ver.
Ah, se eu pudesse voltar no tempo,
onde correr descalça na rua
era movimento de alegria,
e o barro do barraco
era anticorpos para o meu corpo.
Onde as moedas achadas no chão
eram sintonia de muita sorte,
e o banho no rio
era o banho mais alegre de se tomar,
onde o final da tarde
trazia a ansiedade doce
para a próxima manhã chegar.
Tempo em que as pessoas mais velhas
eram leais e respeitosas
com nós, crianças,
tempo em que meu olhar
transmitia a mais pura inocência,
e meu sorriso era o mais belo,
o mais verdadeiro.
Hoje, todos esses momentos
são apenas lembranças
de um passado que nunca mais voltará,
um eco suave no peito,
um suspiro preso na alma,
um tempo que ficou guardado
onde a menina descalça ainda corre,
mesmo que só dentro de mim.
A Árvore Que Caiu na Rua de Olavo Bilac
Na esquina da Rua Olavo Bilac
morava uma árvore sem pressa.
Tinha quase meio século de existência,
galhos como braços de mãe,
sombra de abrigo,
e folhas que falavam com o vento
em língua de antigamente.
Os meninos a escalavam
como quem sobe a infância,
os velhos se encostavam nela
como quem repousa a memória.
Pardais faziam festa entre seus ramos,
e um sabiá cantava no fim da tarde,
pontualmente, como um sino natural.
Mas vieram os homens.
Sem nome, sem rosto.
Vieram à noite,
no dia 31 de dezembro de 2024,
quando a cidade brindava o novo ano
sem saber que perdia o que era eterno.
Vieram com motosserras
e um caminhão grande
para levar as galhadas
como quem apaga um traço da história.
Destruíam um legado inteiro
ambiental, urbanístico, afetivo
quando a polícia chegou.
Foi flagrante.
Foram presos.
Mas o crime já estava consumado.
A árvore símbolo de resistência,
de paz, de memória
jazia no chão.
Na rua que leva o nome de Bilac,
poeta da pátria e da civilidade,
a pátria verde tombou
sem discurso,
sem flor,
sem justiça.
As crianças acordaram sem sombra.
O sabiá partiu em silêncio.
E o novo ano nasceu mais seco,
mais quente, mais triste.
No lugar da árvore,
ficou o vazio
e uma placa: Estacionamento.
Se você não consegue prestigiar o que tem em casa;
Não bata palmas para o que você vê na rua.
Ao menos até você ter condições de enxergar beleza no que é seu e não apenas no que é dos outros.
O aposentado sai na rua e é assaltado; fica em casa e é roubado pelos ladrões do INSS. Que vida doida meu Deus!
Benê Morais
“Falo do que não vivo”
✍️ Valter Martins / Santo da Favela, o Poeta da Rua
Em meus poemas,
falo de cigarros que nunca acendi,
mas sinto a fumaça deles
entrando na alma.
Falo de bebidas que não bebo,
mas conheço o gosto amargo
de quem tenta afogar o que sente
no fundo de um copo imaginário.
Falo de lágrimas que não caem,
porque já chorei demais por dentro —
lá onde ninguém enxerga,
mas tudo dói.
Falo de amor,
mesmo sem saber amar,
porque o amor é isso:
tentar entender o fogo
sem nunca ter tocado a chama.
Escrevo pra não morrer calado,
pra dar nome ao vazio,
pra fazer das palavras
o abrigo que o mundo me negou.
E talvez seja isso o que me salva —
mentir em versos
pra dizer a mais pura verdade.
Menino de Sol e Vento
Num canto qualquer da rua encantada,
dançava um menino de alma dourada.
Cabelos cacheados, nuvem em espiral,
como se o vento pintasse um vendaval.
Olhos castanhos, cor de aconchego,
onde mora a calma e também o apego.
Brilham como tarde em fim de verão,
com o calor do mundo em seu coração.
Riso leve, quase cantiga,
voz pequena que o tempo abriga.
Passa entre folhas, corre com o chão,
como quem guarda segredos na mão.
Ele sonha alto, mesmo sem saber,
que em seu olhar há tanto por ver.
É feito esperança que não se desfaz,
menino de luz, de amor e de paz.
Cacheado de sonhos, castanho de céu,
carrega a ternura como um anel.
E onde passar, deixa poesia,
como quem vive pra ser alegria.
🎹 Direto Do Bairro 🇵🇹
[Refrão]
Do bairro pra frente, ninguém vai travar,
A rua é quente, aprende a jogar.
No corre diário pra poder avançar,
Aldoar no mapa — pronto pra rebentar.
Do bairro pra frente, a tropa a somar,
Quem fala demais não costuma ficar.
Vida ensinou-me a nunca recuar,
Aqui é real, sem nada pra mascarar.
Cresci no bloco onde o som nunca dorme,
Monto cenas na rua, a noite sempre enorme.
Miúdos no hustle, cada um na sua forma,
Aqui ou tu viras aço ou a vida te deforma.
A velha do rés-do-chão sabe tudo sem ver,
A esquina conhece quem tenta esconder.
Quem nasce na luta aprende a vencer,
Quem tenta ser falso é fácil de perceber.
Bairro pequeno, problema gigante,
A vida é corrida, ninguém é relaxante.
O tempo é curto, o foco é constante,
Eu vim da base pra me tornar relevante.
[Refrão]
Do bairro pra frente, ninguém vai travar,
A rua é quente, aprende a jogar.
No corre diário pra poder avançar,
Aldoar no mapa — pronto pra rebentar.
No meu bloco não existe estrela sem suor,
Não existe respeito sem mostrar o valor.
Aqui quem vacila fica preso na dor,
E quem se mantém firme vira vencedor.
No pátio, os putos a sonhar alto,
Uns querem música, outros querem salto.
A rua é escola, mas cobra com assalto,
E quem não tiver mente acaba no asfalto.
Nós vivemos rápido, a vida atropela,
Cada passo é pensado, cada rima é uma vela.
A luz tá acesa, a fé é aquela,
O trap é o fogo, a rua a panela.
[Refrão]
Do bairro pra frente, ninguém vai travar,
Aldoar no mapa — eles vão confirmar.
A nossa verdade é o que vai durar,
No bairro ou no topo, eu vou representar.
-
Mulher! Simplesmente mulher...
Passa hoje pela rua na altivez de senhora
No olhar um brilho estranho, que me derruba na hora
Procura nem me olhar, um sonho que foi se embora
No ontem um olhar seu, chorava eu por penhora...
Meu coração se agita! Às vezes quer se ir embora
Meu olhar procura o teu, nas sombras de toda as horas
Nos segundos que se passam, desculpas arranjo agora
Qualquer desculpa me serve, se voc não for embora
Sei que talvez pense agora, que quero te magoar
Mas te amar como um louco, só trouxe a mim o penar
Trago na vida saudades de tempos de não o pensar
Que um dia nesta vida! Fosse eu te encontrar...
Você talvez se magoe por querer te esquecer!
Mas rainha como tu, um pobre não tem querer
Sou eu um pobre coitado que vive do amanhecer
Esperando que na noite em sonhos venha te ver...
Não venho por entre linhas pedir que tenha desculpas
Apenas tiro do peito escritas que me perturbam
Pois ficastes magoadas com um coração sem cura
Apenas quero de ti! Uma amizade segura...
Amar-te como eu a amo, verdade seja bendita
Um amor pra eternidade, queria a despedida
Poderia num relance mudar-me toda minha vida
A morte seria um premio! Se na morte, ali eu te esqueceria...
(Zildo de oliveira barros
Na cama, ela sussurrava amor; na rua, cuspia veneno me embriagou de promessas e acordei com ressaca de solidão.”
ela fingia amor, eu queimava cigarros pra disfarçar a dor ela fingia amor, eu queimava cigarros pra disfarçar a dor.”
“Entre o amor e a traição, existe um gole de cachaça e uma mentira mal contada.”
— Valter Martins / Santo da Favela
Olha ela descendo a rua não que quem não nota
Ela é do palco e do palco da vida e ha quem não gosta
Quando vira as na esquina começa a fofoca...
Ela toma as rodas as falas mas é só falácias
Da pia
Do tanque
Da casa e dos filho ela pilota a vida
Não comanda mas controla aquilo que sai do coração
Na contra mão... sabe dizer não
Jardins Azuis
Sentada na calçada da rua
Ela desenha a giz canteiros no chão.
Traça rosas de paz e amor
para que os animais ,os velhos e as crianças
possam passear pelas pedras no caminho
sem nenhuma lágrima e dor .
No fundo ...
São sonhos guardados desde sua infância .
Seu corpo crescera ,mas em sua alma inda há
resquícios de esperança .
Ali ,silente e sozinha ...
Ela faz uma prece aos céus
pedindo alvoradas no mundo !
Repousa suas quimeras n'algum vento
em que possam soprar acalentos de brisa
por entre espinhos.
Sua alma tem sede de azuis e de
primaveras em repentes profundos.
Lá fora ,alguns nem se dão conta do frio,
dos vazios ,das guerras ,dos aflitos ...
Mas ela teima
em re-nascer a flor
em manhãs bonitas
em auroras de amor
em borboletas de paz
em jardins azuis
em pólens fecundos...
E assim ela faz todos os dias ...
Seu Pai nosso é um grito pela cura
no mundo!
Estou andando pela rua sem destino, sem direção.
Em algum momento, sei que preciso voltar para casa.
Mas antes mesmo de abrir a porta, uma insegurança
já pesa no meu peito.
A mente inquieta pergunta:
qual das mulheres estará lá, me esperando?
Será aquela mulher sensata,
que acolhe com carinho,
que entende meus silêncios
e enxerga quem eu realmente sou?
Ou será a outra —
a que chega como tempestade,
Estressada, descontrolada,
e transforma meus dias em tormento?
No fundo, essa dúvida revela mais do que quero admitir:
a verdade de nós se esconde nas escolhas que fazemos,
e na coragem de reconhecer
quem queremos ao nosso lado
e quem precisa ficar no passado.
Porque paz também é amor.
E amar, às vezes, é saber voltar para casa
sem medo do que vai encontrar.
ANOS 80
Era fraco e franzino
Menino de rua descobrindo sentimentos
Anos oitenta era assim:
Liberdade no peito
Meio sem jeito ele abraçara a esperança
Bonança em meio às tempestades
E os dias vieram melhores
Saltitante como as flores
Espalhando saudades...
A rua da memória sempre me recebe do mesmo jeito:
um beco torto, desses que fingem não conhecer ninguém.
As minhas pegadas — educadas como sempre
apontam discretamente para mim,
como quem indica o culpado que já nasceu pronto.
O alvo mudou, claro.
Mas a corda bamba continua ali,
com aquela generosidade silenciosa
que oferece tropeços como lembranças grátis.
E eu, que já fui pele exposta querendo posar de metal,
ainda caio no truque.
Dizem por aí que esforço salva, silêncio ilumina, amor acerta.
Engraçado.
A verdade vem com farpas e ainda querem que a gente sorria ao morder.
Aprendi a trancar a língua antes que ela fale demais.
E a coragem… bem, essa eu mantenho no bolso, dobrada.
Troco trevas por tropeços, puxo o prumo para o fundo,
faço aquela coreografia conhecida:
nada firma, nada fixa.
Até meu rosto erra o próprio caminho
quando eu digo “tanto fez”,
sabendo que foi exatamente o contrário.
Cada um costura seu casulo com o fio que sobrou.
Depois finge que observa de longe
o afogamento alheio, testando a água
como quem não está com a respiração pela metade.
E ainda distribui sentença, sermão, palpite
tudo embrulhado na convicção
de que a verdade cabe numa mão fechada.
Mas a verdade…
ah, essa prefere escorregar.
Não cabe em palma nenhuma.
E morde.
Principalmente quem jura que não sente.
MÃE SOLO
Lá vai uma mulher na rua,
Andando sem destino,
Com um semblante no rosto,
Ainda não definido.
No seu rosto ainda sem definição,
Não sabemos se é de choro
Ou de gratidão,
O que sabemos é que recebeu uma notícia
Que afetou seu coração.
Lá vai uma mulher
Com as mãos tremendo,
segurando um papel
Que tocou em seus sentimentos.
Lá vai uma mulher que terá que tomar uma decisão, agora tem um filho em seu ventre
E sozinha terá que comprir está missão.
A missão de ser mãe,
mãe solo e sem companhia-
Nas estradas da vida
Terá que se virar sozinha.
Lá vai uma mulher agora com uma criança em seus braços,
Tentando fazer de tudo para que cresça forte e saudável.
Lá vai uma mulher forte e guerreira
sem depender de ninguém,
Suas vestes são coragem, seus calçados
São esperança, e sua missão é cuidar com muito amor
Desta criança !
Hoje a criança cresceu,
Que orgulho tem desta mãe,
Que por vários lugares percorreu - o sentimento é somente gratidão.
Homenagem a minha mãe
Ivone Gomes Pinho
De sua filha
Thaiara Gomes Pinho.
03/05/2025. Gaibu PE.
