Agda
Lugar Muito Distante
Lugar muito distante.
O sol e a lua se enfrentam,
frios, cruéis, indiferentes.
Um lago negro, imóvel,
reflete uma árvore seca,
sem nome, sem memória.
Estrelas que queimam sem luz,
fogo que consome sem calor,
ar que sufoca sem toque.
O tempo se partiu.
O chá aguarda
num chalé sem portas
ou no fundo de um poço sem fundo.
Não há quem esperar.
Não há caminho.
Não há hora certa.
Tudo é perda.
Tudo é silêncio.
O presente é lâmina.
O presente corta.
Escolher é sangrar.
Perder é inevitável.
Na vastidão do existir,
somos apenas ecos
presa de nós mesmos,
perdidos no frio absoluto
do lugar muito distante.
Cabelos e Olhos de Outono
Teus cabelos, cor de terra molhada,
dançam ao vento, leves, encantados,
como folhas de outono recém-caídas,
trazendo calma ao meu peito apressado.
Teus olhos… ah, teus olhos castanhos,
são poços profundos onde me afogo sem medo,
neles cabe o sol, a noite e meu sonho,
neles mora o segredo que tanto desejo.
Quando me olhas, o mundo se aquieta,
o tempo desacelera, quase se esquece,
e cada batida do meu coração repete teu nome
como se fosse música que nunca envelhece.
E eu, perdida nesse calor ameno,
sei que amor assim é raro e verdadeiro,
pois nos teus cabelos e olhos castanhos
eu encontrei meu lar inteiro.
Menino de Sol e Vento
Num canto qualquer da rua encantada,
dançava um menino de alma dourada.
Cabelos cacheados, nuvem em espiral,
como se o vento pintasse um vendaval.
Olhos castanhos, cor de aconchego,
onde mora a calma e também o apego.
Brilham como tarde em fim de verão,
com o calor do mundo em seu coração.
Riso leve, quase cantiga,
voz pequena que o tempo abriga.
Passa entre folhas, corre com o chão,
como quem guarda segredos na mão.
Ele sonha alto, mesmo sem saber,
que em seu olhar há tanto por ver.
É feito esperança que não se desfaz,
menino de luz, de amor e de paz.
Cacheado de sonhos, castanho de céu,
carrega a ternura como um anel.
E onde passar, deixa poesia,
como quem vive pra ser alegria.
Paixões são fogo. Amor é construção.
Paixões chegam de repente, viram a cabeça, aceleram o coração.
É olhar, rir, arrepiar. É tudo intenso, rápido, quase irreal.
Mas paixão, muitas vezes, é faísca: brilha forte, mas não dura.
Amor é diferente.
Amor é escolha.
É ficar quando o encanto passa, é abraçar nos dias difíceis, é crescer junto.
Amar é entender que ninguém é perfeito nem o outro, nem você.
É brigar e ainda assim querer ficar.
É saber que o amor não grita... ele permanece.
Paixão te tira do chão.
Amor te ensina a aterrissar.
Nos Cachos do Teu Sorriso
Nos teus cachos castanhos, o vento passeia,
trazendo segredos que a noite semeia.
Cada onda em teu cabelo, um verso perdido,
cada riso que nasce, um céu colorido.
Tão alto tu és, mas perto me sinto,
quando teu olhar desenha o infinito.
Teu sorriso é estrela, um doce feitiço,
que prende, que acalma, que é puro e bonito.
Se o mundo desaba, se tudo é escuro,
teu riso ilumina e faz tudo seguro.
E se algum dia me vires perdida,
segue teus cachos são minha saída.
Às vezes, eu me calo
Às vezes, eu me calo,
não por falta de amor,
mas porque o medo me trava
e o silêncio vira dor.
Sinto que não mostro tudo,
como eu queria mostrar,
e no fundo do meu peito,
tem medo de te perder, de te deixar.
Mas se eu pudesse abrir a alma,
e soltar o que não sei dizer,
seria um mar de palavras,
um abraço pra te envolver.
Não quero que duvide,
não quero que parta,
quero ser a tua calma,
o teu porto, a tua carta.
E mesmo que eu hesite,
e que eu me esconda,
saiba que no meu silêncio
é o teu nome que sobra.
