Poema Infantil de Vinicius de Moraes
Ouço ruídos do que vejo, são retirados que ouço. Torço pra que de agosto a agosto eu faça o que é preciso.
Só você me compreende, me desmente e quebra minha corrente; você que me orienta, me instiga, renascemos logo após a briga; sou seu servo, seu tempo, nosso amor é a essência do eterno que descrevo.
não suporto todo esse barulho, ver todo esse entulho, sou fruto de tudo, sistemas, algemas, seremos um quando morrermos, falam pra mim o que querem de mim? só sou eu quando nada me afeta, tudo que me orienta também me condena, vivemos uma eterna repetição a cada vida, sou uma entre quantas escolhidas, frases que me guiavam, no carrossel de emoções verdades e miragens.
Me deixa chorar minhas mágoas, preciso escrever sem regras, dizer sem pregas e amarras, foram trincheiras, encostas, na fossa mais escura eu me encontrava, alegria de estar com você mais um momento, entre entraves e frases, oásis que sega, preenche o vazio das bordas até o centro.
E se a solução fosse pular de um prédio para acabar com o tédio? Não aguento mais trabalhar, prefiro morrer. Me disseram que isso faz enobrecer, mas só perco o meu tempo, eu quero viver, se eu fosse Deus recriaria a realidade a minha imagem e semelhança.
"Se você procura sentido nas coisas e não encontra, então pare de procurar sentido e faça-o você mesmo."
O homem criou o calendário e a hora para vivermos de história, sonharmos com o futuro e fugirmos do agora.
Em uma sociedade ideal, no ensino básico, a psicologia e o direito deveriam ser matérias tão essenciais quanto a matemática e a geografia, assim diminuiríamos os índices de ansiedade, bipolaridade, depressão e exploração.
Alguns usam a filosofia para fins intelectuais, outros para viver uma vida com menos sofrimento, e uns para mudar o mundo.
Viva como se a morte fosse encontrá-lo no próximo segundo. Em um piscar de olhos muda tudo. Muda o mundo. Achamos que estamos separados mesmo entendo presos a tudo. O alquimista faz experiências com palavras e substâncias enteógenas que o fazem enxergar, é um passe para suas expedições ao submundo. No interior à beleza, no esterior uma imagem que muta. Luta, luta após luta, a alma tá cansada. Foram várias idas e vindas por nada. Prazeres mundanos para nos confortar, porque não sabemos aonde estamos, é o tempo que criamos para que possamos sonhar. Inventamos um mundo chamado cidade. Proclamamos sermos a imagem do criador. Nos comparamos. Semeamos a falta de amor.
Na sociedade, o homem é mais um produto. Quando nascemos, nos batizam com um nome, cidade e data de validade; quando vencemos, nos aposentamos, enquanto eles trocam o produto.
Escrevo nas paredes da caverna para que, no futuro, civilizações mais desenvolvidas entendam o porque da sua decadência.
Às vezes, me exigem sorriso quando tô com a cara fechada;
às vezes, eu não minto e reflito sobre o que trago na alma.
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