Poema Infantil de Vinicius de Moraes
Me deixa falar, me deixa xingar, expulsar demônios de meus sonhos, tiranos de seus tronos, quero a vida simples de um instante natural, olhar pra dentro e perceber o espiritual, que move meu corpo, razão nenhuma a explica, aquela luz que ilumina a vida, a boca que traz as respostas, ideias opostas que se somam, maneiras de viver que se confrontam, liberdade pra assumir que o ego é a personificação da alma, nem tudo a alquimia explicaria nas entrelinhas, imagine quem se atreveria a procurar a razão do sol brilhar mais um dia, da onde vem a magia que a ciência não explicaria? Nem toda religião saberia, apenas apontaria, e se errassem a pontaria? Pra onde a razão apontaria?
Todo tempo investido, mensagens que traziam dedicação, amor e paz. Já me revoltos em mistérios aos quais me desfiz em sinais, igual a água: transcender o que nos prende, romper barreiras que nos separam. Lembrar de momentos aos quais nos foram eternos, viver todo instante buscando o valor de estar vivo, sou eu quando tenho me permitido tentar, cansei de esperar, preciso me levantar, começar a lutar, batalhas que nos mutilam, queria apenas valorizar a criação, olhar a minha volta interpretar cada situação e entender o valor da justiça e do perdão.
Humanos e suas manias, seres carismáticos, práticos, tudo que sou é o que a sociedade em mim reproduz, sou induzido a escolhas, meus pensamentos nem meus são, sou só um boneco, nos apegamos a Deus ou algo divino, divido minha vida em um sacrifício, me sacrifico pela cidade, uma nação que não tem rosto, de agosto a agosto trabalhando pra pagar o imposto, torço pra que minha vida brilhe, foco no que me orienta, já me despedacei pra me remontar em um quebra cabeças, dizem: “apenas ouça e obedeça”, dizem que sou manipulador, se sou, que seja pela liberdade da cabeça.
Vivemos ansiosos pelo que irá acontecer e como iremos agir, mas ignoramos o valor do ser e o porque de existir.
O presente em um segundo vai embora e vira história.
O futuro é uma idealização humana: uma fuga do agora.
Peço a ti subconsciente, meu Deus, meu guia, sua luz reflete em meu nome, tu és quem me deras uma vida pra seguir, te amo do fundo do meu coração, destrocei em pedaços ao acaso, profundo e pro raso, filtros de um homem só, flagelos de um elo congelado, fritei esperando no calçado calcificado, “canalha”! -Ela gritava. Franqueei barreiras perdidas, minha vida é o vosso sucesso, gargalhadas daquele que cobra o ingresso, sou filho do concreto desde que era um feto ou até mesmo antes de sair correndo do escroto, sou rato de esgoto quando arroto, pigmentos na pele pra me destacar, sou luz negra na escuridão.
Vivi mais de mil vidas até chegar nessa que me encontro, viverei mais um milhão apenas pra passar o tempo, nada faz sentido fora de si mesmo.
Quando eu era criança, em meio a meus questionamentos sobre a vida, eis que surge a religião, com o passar do tempo surgiram mais questionamentos, na adolescência conheço algo que supria a necessidade de respostas: a poesia, na fase adulta, nessa de querer entender a vida, guiado pelos versos encontro a filosofia, então decido seguir o caminho acadêmico para adquirir o conhecimento, no primeiro dia de curso, conheço a história e me apaixono.
"Existem dois tipos de religiosos:
aqueles que servem à Igreja e aqueles que servem a Deus. Homens de paz não se misturam com homens de guerra santa."
Preciao de ti o meu tanto que precisa de mim. Sou corresponde ao que me emociona, são fatores que levam a crer que existe vida nas formas mais variadas de existência. Sou apenas parte decálogo que permite minha permanência.
Acordei pensando em ti, o fato de não estar mais ali palpitava em meu peito um sentimento de angústia. Todo tempo investido vivia em arquivos com o peso da lembrança que corta. Sou o sangue que escorre de meu peito com o soar da primeira estocada.
Me separo dessa gente que julga, julgo da mesma maneira para me separar em pedaços, erro a cada paço pra aprender como se amarra o cadarço, só sou prejudicado pelo que me afeta, se tudo me afeta, não me preocupo com nada, meu corpo é a extensão de palavras, destravo quando tu destravas, sou reflexo do que já foi feito em algum momento, me permito sentir, porque tenho direito. Sou meu próprio verso ao relento, vivo um pensamento, sou eu que colho o que planto, fui eu quem arrumou meu arranjo, me arranjo com minha personalidade, sou mais que uma identidade, sou um dos filhos da verdade, mais uma engrenagem da cidade, estou em localidades em tempo real circulando em suas artérias travados por vias áreas, sou só mais um relâmpago trovejante, inconsciente, tipo uma escolha no espaço, fragmentos de estrelas que vivem vidas normais, olho pra vida como umum todo e percebo até aonde é possível chegar, pra que lutar quando tudo leva àdesistir? O que impulsiona sua ação? Quantos de seus amigos conhecem seu íntimo? Prefiro não lidar com tudo isso, levar uma vida promíscuo, vivendo adoidados, mas o que é normal?
Misturo Deus e o homem em um recipiente fechado e guarda na geladeira, sou fruto do acaso, confronto entre o encontro de dois corpos contrários, as palavras mais lindas sobre a vida estão no dicionário, alinho meu vocabulário para o que é necessário, acordo e dou de cara com a vida, um livro são pensamentos ativos, escolho entre o bônus e o ônus fico com o caminho do meio, deve saber pro que veio muito antes do recreio, creio porque tenho medo, confesso pra que saiba da verdade, vaidade nenhuma segura a minha ação, palavras são cartas de despedida, velo meus afetos, sou flácido ao ponto de escorrer pelos dedos, tenho defeitos que representam meus maiores medos, sou eu quando ibo, quando escolho, torço pra que um dia nossa vida sirva pra libertar outras vidas do que nos faz perder nossso tempo de vida por mentiras.
Contamos o tempo para iniciar e encerrar ciclos, porém existe apenas o agente o agora, ciclos servem apenas para contarmos histórias.
Me perguntaram que era surrealismo, respondi que quando cavalos marinhos cavalgam nas estrelas, não se preocupam com o som das calotas polares.
Se eu fosse racional o tempo todo, não me arriscaria. É preciso pôr a mão no fogo pra vivenciar o amor.
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