Poema Infantil de Vinicius de Moraes
Peixe seco
Tenho certeza que
você vai se render
de amor quando provar
o meu Peixe seco caprichado,
e vai concordar todo gamado
que é melhor do que feitiço,
Você vai ser por mim fisgado
meu amor mais do que bonito amor.
Trovadorismo para Rodeio
Quem dera eu transformar
o meu peito numa viola
para cantar o Trovadorismo
para a cidade de Rodeio
que capturou com beleza
o meu coração em cheio.
Solda de Ovos
Solda de ovos
é a navegantina,
Ninguém duvida,
Sim, eu te louvo,
com o meu amor
louco e a minha poesia.
Pirão d'água com linguiça
Inseparáveis feito
Pirão d'água com linguiça
como a tradição,
Somos nós dois
e a nossa paixão.
Tainha no Feijão
A minha Tainha no Feijão
sem exagero é a mesma
a do Franklin Cascaes
que liga amor automático
quando está o amor
em baixa no meu coração,
E põe rapidamente
no Inverno o Verão.
Sem receio de caminhar
com a minha utopia
na bagagem pelas rotas
da morte e da vida
que levem ao teu encontro,
Nunca haverei de perder
a coragem de ser eu mesma,
Porque sei só de me render
ao brilho dos seus olhos
onde está a minha pertença,
No final somente o amor
haverá de ser a única sentença.
No décimo segundo dia do ano
No décimo segundo dia do ano
busco somente aquilo
que me traz paz e serenidade,
Porque sei que só assim
conquistarei a real felicidade.
No décimo segundo dia do ano
em Rodeio
No décimo segundo dia do ano
na minha cidade de Rodeio
que fica no Médio Vale do Itajaí,
Estou pensando em ti
e em tudo aquilo que nos põe
no mesmo trilho e no amor
que nos surpreendeu no destino.
Poesia matutina para Rodeio
Quando ocorrer a real poesia
matutina para Rodeio
virá acompanhada do seu beijo
com sabor de café e pão quentinho,
E de mãos dadas percorremos
esta cidade nos orgulhando
do amor obra sublime do destino
para abençoar o nosso caminho.
Poesias matutinas para Rodeio
Cobrir a minha cidade de Rodeio
com poesias matutinas
para o canto da passarada
com afeto agradecer,
por este dia de céu azul
me inspirar e por ter
você no meu peito para amar:
Não canso por dois de sonhar.
Pescador Artesanal
Da feitura da tarrafa
pelas mãos experientes,
Do arriscar a própria
vida para ser mais um
entre os sobreviventes,
Da lança no mar
da Humanidade para pescar
os peixes para alimentar
a nossa gente,
Da salga para conservar
e ensinar a preservar,
Pescador artesanal
peço sempre a Deus que nada
te falte e proteja o seu navegar,
porque nasci poesia do mar.
Benzedeira
Com o terço feito
com Lágrimas
de Nossa Senhora na mão,
E ervas cheirosas
na outra mão,
Continua a Benzedeira
a cumprir com fé a tradição
abençoando e curando
com o amor ao Divino no coração.
PARTIDO
Particípio, tão somente regular
(so)mente não, (plural)mente corpo
e principalmente: alma.
>POETRIX
O Véu de Lete
Antes do alvorecer, fui tudo.
Rei e réptil, mãe e mártir,
ferro e flor.
Fui punhal e promessa,
fui incêndio e oração.
Mas ao nascer, bebi do rio.
E esqueci.
O nome da lâmina que me cortou.
O rosto da alma que me amou.
Os juramentos murmurados entre dentes
na última noite de outra vida.
Tudo se perdeu.
Como areia entre os dedos do tempo.
E no silêncio do não saber,
floresceu o saber maior.
Não o saber das lembranças,
mas o saber do instinto,
da escolha que pulsa sem porquê,
do medo que avisa, da paixão que chama,
do erro que retorna como mestre.
Esquecer foi meu pacto.
Minha chance de ser novo
sem me ferir do antigo.
Pois se eu lembrasse…
ah, se eu lembrasse!
Perdoar seria impossível.
E amar, um risco repetido.
Cada gesto se tornaria prisão.
Cada encontro, um julgamento.
Mas neste esquecimento sagrado,
a alma dança.
Livre de correntes de glória ou culpa,
ela ousa errar de novo.
E ao errar, aprende —
não com a mente, mas com a essência.
No final, quando o corpo dormir
e o véu se erguer,
voltarei à margem do rio.
E saberei.
Mas por ora, bendito seja o esquecimento.
Ele é o ventre onde renasço.
É o chão fértil do esquecimento
que guarda a semente da eterna sabedoria.
"A Torre que tocava o céu"
Construiu-se um dia, em pedra dourada,
uma torre tão alta, tão bem desenhada,
que o próprio céu, em sombra e fulgor,
curvou-se ao seu ápice, tomado de dor.
O rei que a erguia dizia sorrindo:
— Tocaremos os deuses, estamos subindo!
Ninguém mais morrerá, ninguém mais cairá!
Seremos eternos, além do que há.
Mas quanto mais alto se erguiam os muros,
mais fraco tornavam-se os elos futuros.
A torre, tão firme, perdeu sua base,
e o rei, cego em glória, ignorou a fase.
Até que um dia, sem som ou aviso,
uma pedra caiu do paraíso.
Depois outra, e outra, e então o trovão
desfez a torre com a mesma mão.
O rei foi soterrado no brilho que quis,
num império que nunca o fez feliz.
E dizem que ainda, por entre os escombros,
ecoam seus gritos: desejos sem donos.
Pois a queda é o fim de quem se recusa
a aceitar que a alma também tem sua lusa.
A ruína não nasce da noite ou da sorte —
ela é o preço de zombar da própria morte."
Apanhadores de Sempre-vivas-de-mil-flores
Ganhei um lindo buquê
dos admiráveis Apanhadores
com todas as cores
das Sempre-vivas-de-mil-flores,
Que encheu o meu coração
de amores ao recordar
que elas também enfeitam
os embrulhos de presentes
para acalentar com afeto
os corações de todas as gentes.
Percebi que detalhes que passam muitas das vezes quase sempre batidos são aqueles que inundam
as nossas vidas com todo o sentido.
Sempre-viva-de-mil-flores
A Lua Prateada embeleza
ainda mais a cena beijando
a Sempre-viva-de-mil-flores,
O vento balançando as esferas
da Sempre-viva-de-mil-flores
escreve sutilmente poema,
Que eu te espero e continuarei
esperando não é cantilena.
No décimo quarto dia
do ano em Rodeio
No décimo quarto dia
do ano aqui em Rodeio
só peço a Deus que
você mantenha firme
a paz e a alegria no peito.
No décimo quarto dia do ano
No décimo quarto dia
do ano quero que você refaça
os laços de afeto e de amizade
com tudo aquilo que
te liga a terra que você vive,
Porque você vive
cercado de uma beleza ímpar
que somente aqui existe.
Engenhos
A memória brinda com
a lembrança dos engenhos
de Açúcar e de Farinha
que serviram com alegria
muitas mesas à custa
de infindáveis tristezas
que até hoje deixaram
as marcas na História,
Poesia sempre para falar
de glória e também
do que nos envergonha
mesmo não tendo
ancestralidade culpada
pela parte mais inglória
e trágica da História.
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