Poema do Filme em seu lugar
Eu queria muito estar satisfeita mas, em vez disso, eu sinto que eu estou presa numa prisão que eu mesma criei.
Eu sinto que as normas da sociedade, as expectativas de gênero e até a simples biologia, me obrigaram a me tornar uma pessoa que eu não reconheço, e estou irritada o tempo todo.
Há um fogo que acende no inicio da juventude. Você atiça e cuida dele. Você o protege a todo custo. Não deixa que ele queime em toda a sua fúria porque não é próprio para uma garota. Você o mantém em segredo. Você o deixar arder. É a partir desse ponto, desse fogo, que você cria e luta, e abre o seu caminho pelo mundo. É a partir desse fogo que você dá a luz a algo novo. Uma nova versão sua ou uma pessoa inteiramente nova que não existia antes de você trazê-la a este mundo.
Será que eu tenho o direito de reclamar? É uma benção poder ficar com meu filho o dia todo. Eu devia agradecer.
Eu sou pelo, sangue e ossos. Sou instinto e raiva. Conheço apenas o ar da noite. Tenho apenas um pensamento: eu sou um animal.
Eu sempre vi a maternidade com um estado fraco do ser, mas a maternidade é uma coisa bem mais primordial e ativa do que isso. Deve ser a experiência mais violenta para um ser humano além da morte em si.
Às vezes eu olho pro meu filho e não sei dizer onde ele começa e eu termino. Porque ele faz parte de mim. Nós fazemos parte um do outro.
Eu diria que isso é ser animal. Abaixo da Lua, nos amontoamos em nossas cavernas quentes nos tornando uma criatura só para nos aquecer. É assim que sempre foi e é assim que sempre será.
De simples cafeteiras a robôs colonizando planetas, seres artificialmente inteligentes tornaram-se parte integrante da nossa civilização. E, se não quisermos seguir o caminho dos neandertais, precisamos construir uma ponte entre nós e eles, um elo.
Como os humanos continuam a ameaçar todas as outras espécies, bem como seu planeta natal, é só uma questão de tempo até que eles se destruam.
Se o verão não cantar em você, nada vai cantar em você. E, se nada cantar em você, não pode fazer música.
A vida não é tão séria. Francamente, não é. Em que era vivemos? Podemos ser livres como quisermos, sem culpa ou confissão.
À medida que a morte se aproxima, acredito que um artista deva se desvencilhar de tudo que o está refreando. E um artista deve estar decidido a criar, seja qual for o tempo que lhe reste, com absoluta liberdade.
Você está apenas girando a manivela de um macaco na caixa. Caminhando em direção ao fim do mundo. Sabendo que a qualquer segundo o chão ia cair.
