Poema curto
VALSA
No morrer da lua alva
Giram
Dois pares apaixonados
Olhando-se apaixonados
Querendo-se apaixonados
Perdendo-se entrelaçados e chorando apaixonados
E ninguém, no mundo ou nas estrelas, os salva
Giram apaixonados
Dois pares coitados
Dois pares trocados.
Senti que ia morrer hoje
Não, não é nenhuma daquelas metáforas
Eu senti mesmo
Sempre me pergunto
Quem ela quer
Quão triste
Ela me quer
Até que finalmente
- adeus
Seu amor tá comigo, ele tá bem guardado
Eu não te esqueço nunca, por que é tão complicado?
Que eu sou poema e problema pra tua vida, sua metida
Tu é santa ou minha malvada favorita?
Ano Novo
Ficção de que começa alguma coisa!
Nada começa: tudo continua.
Na fluida e incerta essência misteriosa
Da vida, flui em sombra a água nua.
Curvas do rio escondem só o movimento.
O mesmo rio flui onde se vê.
Começar só começa em pensamento
Escrever!!
— É ter a façanha de tirar das entranhas, palavras genuínas de emoção, que encantam o coração!
— É rascunhar o que vivência, muitas vezes até com nostalgia, e desse modo apaziguar o pavor da melancolia!
Rosely Meirelles
Conto do minerador
Mais fundo e mais escuro
Sem luz e sem medo
Vou continuando.
Cavando por esses caminhos.
Luz já não existe
Medo me abala
A morte me persegue
Mas eu rezo a deus para que o céu não caía...
Mas quando vejo a luz...
Tudo acaba, para começar de novo
Ontem já foi, amanhã não faço ideia.
Eu quero é viver o hoje, ser intenso, inteiro e andar por aí a passear com as minhas vulnerabilidades, que me lembram de que tudo é fragil e que tenho de apreciar cada brisa que sinto.
Castelo de São Jorge
Receita de espantar a tristeza
faça uma careta
e mande a tristeza
pra longe pro outro lado
do mar ou da lua
vá para o meio da rua
e plante bananeira
faça alguma besteira
depois estique os braços
apanhe a primeira estrela
e procure o melhor amigo
para um longo e apertado abraço
Para amar eternamente
não diga "sempre" ou "jamais"
vá deixando, simplesmente,
um gosto de "quero mais"
A velhice não me assusta
quando aumenta a minha idade
porque nela se degusta
o bom vinho da saudade
Vejo a luz dos olhos teus,
Sublime luzindo ao escuro;
E no silêncio da noite,
Podendo, me sinto seguro.
Lembranças
Madrugadas frias,
Mentes vazias,
Pensava em ti,
Acreditava em ti,
Tu mentiste pra mim,
Dizia que seria eterno,
Eu tolo acreditei,
Imaginei,
Cocriei,
Me decepcionei,
E em outra madrugada fria
Me vejo caído,
Prestes a desistir
Ainda penso em ti...
Viajando eternamente no oceano da angústia
Nem minha estrela, nem minha luz, me busca
Estremeço diante da vista da terra da felicidade
E me deixo levar pelas pedras mortais, desgostoso
Querendo, enfim, me libertar desse mar tempestuoso.
Quando você ta' perto, até o polo norte esquenta
Qualquer vulcão ativo do Havaí congela
Se pá até a lua fica sem atmosfera
Eu nunca seria poeta
Eu seria alcoólatra
Não quero saber de versos
Nem sentimentos
Beberia até sem sentir
Só para sentir o amargar
De uma vida não vivida.
Você é meu oceano
Estrela d'alva do mar
A sereia de olhos claros
Na sua onda vou surfar
Tsunami de amor
Verão, areia e calor
Mulher, riqueza solar
A vida é muito curta
Às vezes ela nos testa
Se desfaça de um mal
Viva a vida numa festa
Dê valor a quem lhe dá
Carinho e bem-estar
Seja consigo honesta
Fotografia digital
Acordei
Já pensando em você
E já faz tempo que não lhe vejo
Não restou nenhuma foto
Mais ainda guardo
Em minha memória
Cada pedacinho de te
Como fotografia em um álbum digital
Que não perde
A cor!
O brilho!
O papel!
Muito menos o amor.
Mensagens
Se o dia já amanheceu
E as horas estão a passar
E nenhuma mensagem
Ou ligação minha
Não lhe chegar
Lembre-se que neste silencio
Esta contida muita saudade em mim
A ponto de transborda.
