Poema Arte

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A Arte da Necrofagia


O homem já não caça.


Habita corredores de luz artificial,
onde cadáveres repousam
sob o brilho estéril das vitrines.


Não há grito.
Não há perseguição.
Não há olhos fitando olhos
antes do fim.


A morte lhe chega limpa.


Lavada em conservantes,
selada a vácuo,
temperada com ervas
para que a consciência
não reconheça o odor da ruína.


E então mastiga.


Mastiga distraído,
enquanto conversa sobre o tempo,
sobre dinheiro,
sobre a próxima manhã.


Como se não houvesse um corpo
silenciosamente desfeito
entre seus dentes.


Há um necrófago refinado
sentado à mesa da civilização.


Usa perfume,
traja linho,
ergue taças em celebração
sobre túmulos invisíveis.


Especializou-se na arte
de consumir a morte
sem precisar contemplá-la.


Porque o homem moderno
não suporta o peso daquilo que devora.


Por isso cobre o cadáver com molhos,
renomeia músculos como iguarias,
transforma vísceras em tradição
e sangue em mercado.


O abutre, ao menos,
desce faminto sobre a carne exposta
e não profana a verdade do apodrecimento.


Mas o homem…
o homem embalsama a própria cegueira
e, com requinte, a serve quente no jantar.

Arte e poesia


A arte utiliza de plásticas e performance
Expressa a realidade e a visão do artista.
Cria cenários e expressa romances
De tudo que está à vista.


A poesia transcende palavras,
Busca beleza, sensibilidade e emoção
E se manifesta na letra que desbrava,
Contando a história do coração.


A poesia é a alma lírica,
E a arte é o corpo físico,
Ambas se manifestam de maneira infinita
Com expressões e palavras bonitas.


A poesia expressa a beleza da alma,
A arte externa a beleza de uma face.
Ambas exteriorizam e acalmam:
Sentimentos, leveza e classe.


Arte e poesia são expressões humanas,
São profundas formas que se entrelaçam,
Evocam beleza e essências soberanas,
Ideias que o tempo e a alma abraçam


Raimundo Nonato Ferreira
Janeiro/2026

A arte perdida de seguir em frente sem explicações.


Apenas siga e deixe que as pessoas presumam o que quiserem.


O resto é interpretação alheia.

O verdadeiro artista,
gosta e tem orgulho de ser lembrado e reconhecido pela sua arte.
O medíocre pseudo artista,
se realiza ostentando as conquistas materiais e a posição social que adquiriu através da arte.
Para o artista real, será a arte em si,
a realização total.

A Luz Que Expõe A Arte

Na parede da sala, ao final de mais uma tarde, a luz do Sol, em sua expressão dourada, se misturou gentilmente com a sombra, e logo um tipo de arte única apareceu como se fosse um presente dos céus antes da chegada da noite — o que proporcionou ao coração alguns instantes de vitalidade com uma exposição simplesmente emocionante.

⁠Deixe a criança que existe dentro de você brincar.
Com amor e arte Deus as abençoou.
Assim podemos rir, seja lá do que for,
e amar.
Nesse universo lindo que Ele pintou
e para o homem criou.

“O Corpo como Templo.”




Se eu pudesse descrever a maior obra de arte criada por Deus, diria sem hesitar: foi o corpo feminino, em todas as suas formas. Nunca houve prazer maior do que contemplá-lo, sentir sua beleza em cada detalhe e me perder nele.
Não existe sensação mais poderosa do que ver minha mulher se desfazer em prazer em meus braços, seu corpo tremendo enquanto goza. Nossas intimidades se encontram em um encaixe perfeito, como se tivéssemos sido moldadas uma para a outra.
As respirações se tornam descompassadas, os sussurros se transformam em gemidos, e a madrugada se entrega ao nosso desejo. Entre suor, pele e paixão, somos obra e artista, pecado e redenção — duas mulheres consumidas pelo êxtase de existir uma na outra.


— C.N.

⁠Cadê a arte que estava aqui?
O gato comeu?
O boi bebeu?
O rato roeu?
A água lavou?
O fogo queimou?
A ignorância apagou...

A espiritualidade não exige templos,
é a arte de habitar o agora,
a profundidade onde se
reconhece o mistério da vida.

NUVEM PASSAGEIRA
(A arte de observar sem reter)


O passado é como uma nuvem passageira: simplesmente observe e deixe passar. Não fique muito tempo retendo essa visão, pois pode desabar em temporal. Feche o guarda-chuva. Essa tempestade já passou!


Lu Lena / 2026

ALMA DE PLUMA
(A arte de se tornar leve para ser conduzido pela vida)

Refunda tua alma nesse barro chamado Terra, em formato de uma pluma, para que tenha leveza e possa flutuar no céu e Deus soprar aos ventos o teu nome quando a tempestade for anunciada...

Lu Lena / 2026

​A ARTE DE SOLTAR AS ÂNCORAS
(​Entre o conforto da companhia e a liberdade do ser)

​Observei, olhando para o horizonte, o sol ao longe e pensei na lua. Mesmo distantes, nunca se encontram. Foi então que veio esta reflexão: como a presença do outro, aos poucos, pode nos fazer desaprender a caminhar lado a lado, sem perder o próprio eixo?
​Ser independente é garantir que, caso todos os outros partam — seja vínculo familiar ou não —, teremos a nós mesmos. Isso quer dizer que devemos ser livres e não depender de ninguém. Às vezes, essa dependência surge porque o outro facilita nossa vida e nós nos acomodamos. Passamos a nos aproximar, ou nos deixar aproximar, por essa escolha — ou melhor, por esse comodismo de estar sem agir.
​Essa conexão inconscientemente passa a ser: "por favor, me preencha, mas saiba que sou completo; caminhar ao seu lado me dá segurança, mas sei que um dia terei que me libertar". Porque, no fim das contas, nascer e morrer só nos lembra que somos essências únicas e responsáveis pela nossa caminhada. Afinal, a liberdade reside em saber soltar o que prende e permitir que flua, com leveza, tudo o que a vida nos entrega.

​Lu Lena / 2026

​O MALABARISMO
(​A arte de não soltar o céu)

​Com uma mão eu toco o céu e a outra eu toco o chão,
e assim vou seguindo fazendo esse malabarismo chamado vida.
​Suspensa pelo fio da esperança
e ancorada pela corda da realidade.

​Lu Lena / 2026

A arte está presente em tudo, até nas formas mais simples de viver.
Há quem a valorize todos os dias, enquanto outros se apropriam dela sem conhecê-la, sem entendê-la por inteiro. Enriquecem suas vidas explorando o “menor abandonado”, aquele que encontrou na arte o único refúgio para sobreviver e mesmo assim, pouco se fala do verdadeiro valor da arte.


Aceitamos qualquer preço por não reconhecer isso.
Se tudo o que envolve a arte fosse realmente valorizado, muitos artistas teriam morrido ricos com capital financeiro e não apenas lembrados depois de morrer.


Enfim, seguimos “vivendo da arte”…
— Mara Ferly

A Arte de Conviver


Deus, em Sua sabedoria, nos criou com dons e limitações. Essas limitações não são um fardo, mas uma necessidade, para que possamos respeitar a individualidade do outro e manter a justiça nas relações, seja familiares, amorosas ou sociais.


Somos todos diferentes, com histórias e sentimentos únicos, mas buscamos algo em comum: a conexão genuína. Na correria da vida, esquecemos de olhar para quem está ao nosso lado, mas a verdadeira convivência começa no respeito e na aceitação da individualidade.


Respeitar o outro é oferecer o maior presente: permitir que cada um seja quem é, sem pressões ou expectativas. Empatia é compreender, sem tentar dominar, e escutar é um gesto de carinho genuíno. Estar presente é mais do que físico; é emocional, é dar atenção plena.


Cuidar sem querer mudar é aceitar o tempo e o caminho do outro. As diferenças não nos separam, mas nos ensinam a crescer juntos, com respeito. A autenticidade fortalece as relações, pois não há máscaras, mas sinceridade.


Nos momentos de vulnerabilidade, o apoio não é tentar consertar, mas simplesmente estar lá, oferecendo presença. Crescer juntos é entender que, apesar de nossos tempos e caminhos distintos, podemos compartilhar a jornada com respeito e harmonia.

Das artes


A arte verdadeira não está em quadros, mas no que está através deles.
Vai além de cores, texturas e formas.
A maior assinatura de um artista não é aquela no canto direito inferior da tela.
Ela está repleta de símbolos, que contam o tempo, a circunstância e o indivíduo.


O bom artista salta da 3ª para a 4ª dimensão, precisando apenas da 2ª para manifestá-las.

✨ A Arte de Ser Feliz

Ser feliz não é ter tudo perfeito,
nem caminhar sem ver nenhuma dificuldade —
é saber enxergar beleza no simples,
fazer da gratidão a sua verdade.

É guardar no peito o que faz bem à alma,
deixar partir o que pesa e traz dor,
cuidar de si mesma com toda calma
e espalhar ao redor o seu melhor amor.

Está no brilho suave do amanhecer,
no abraço que acolhe, no afago sincero,
na paz de saber que você pode ser
exatamente quem é, inteira e verdadeira.

Ser feliz é uma escolha, um dom, uma luz:
crescer, perdoar, sorrir e florescer,
carregando no peito a certeza que conduz —
a felicidade mora primeiro em você.

Música: Salve a arte.

Cansado de criar pro descarte?
Hoje eu quero a arte verdadeira, faço arte não pra ser passageira, viva arte, salve-a…

Arte que fica, não o copo que bate e se joga no lixo.
Mais que a taça que o tempo eterniza não se perde no nicho.

Quero ser o refúgio da alma do espaço no peito apertado cheio de saudade,
Onde buscam o vinho mais nobre que cobre a dor da realidade.

Sem fórmula mágica ou rima perfeita, com campo único e harmônico na linha feita moldada pro mundo com digitais minhas.
Não precisa ser surreal,
Tem de ser tom leal, pois estou cansado de ser mesmo, preciso ir além do desgaste.
Hoje eu quero a arte verdadeira, faço arte não pra ser passageira, viva arte, salve-a…!
Composição Dênisson Hélder Nogueira Rocha

NEUTRALIDADE
Neutralidade não é fraqueza, é a única arte de não herdar as guerras dos outros. Sim, porque o neutro não turba os ventos. Quem escolhe a tempestade alheia, esquece que a sua própria casa não tem tecto.
António da Cunha Duarte Justo

Nem toda dor vira arte,
nem todo peito sabe lapidar;
mas quem encara o próprio abismo
aprende a se reinventar.