Piloto de Avião
“Todos nós nos sentimos amedrontados, como marinheiros que vêem o seu piloto em desatino”.
Jocasta > Édipo Rei
As vezes ligamos o piloto automático e deixamos o destino ditar as regras, mas a realidade é que nós nos acomodamos a situação, tornando-a pertinente e recorrente de forma que a zona de conforto ofusque nossos sonhos, não deixa esse nevoeiro ditar as regras, tomar as rédias do destino é para poucos, faça parte dessa seleção, dite e trace seu destino, lembre-se sonhe, acredite e conquiste…
Desejas ser tornar alguém de sucesso…
Então, saia do piloto automático. Volte para a realidade e tome as rédeas de sua vida. O milagre não existe, o nome disso é trabalho duro! E se queres ser merecedor de algo. Então, não fique aí sentado esperando tudo caia do céu. Porque ninguém fazer nada por você. Vai lá e faça acontecer.E só pare quando se sentir orgulhoso.
V1 – velocidade máxima durante a decolagem, na qual um piloto ainda pode abortar a operação com segurança sem sair da pista.
É também a velocidade mínima que permite prosseguir em segurança para a decolagem, mesmo que ocorra uma falha crítica entre V1 e V2; V2 é a velocidade de segurança para a decolagem.
Acima de V2 a decolagem não mais poderá ser abortada, a menos que haja razões para crer que a aeronave não irá manter-se no ar.
Já se perguntou em qual momento você se encontra agora na tomada das suas decisões mais importantes?
Ainda é possível abortar com segurança?
Ou será melhor seguir em frente e proceder aos ajustes necessários?
Época em que os pilotos eram feitos de aço, quando ouviam o ronco do motor ficavam com as mãos trêmulas, olhos vermelhos e boca seca, implorando para acelerar sem medo das consequências...
O Arquiteto da Eternidade
Sou o marinheiro perdido no mar,
sou o piloto que teme ao aterrissar,
sou resistência que insiste em lutar,
sou nuvem clara a te guiar.
Sou a dor que ensina a viver,
a ferida que insiste em florescer,
sou pedra que aprende a renascer,
sou o fim de guerras que vão se perder.
Sou você ontem, sou ele amanhã,
eco profundo em túnel de afã,
sou a eternidade que nunca se cansa,
sou busca e luz, sou fé e esperança.
Sou guia do profeta, voz que consola,
sou invisível presença que te ampara e rola,
sou quem responde antes da pergunta soar,
sou o onipotente a te guiar e cuidar.
Sou Deus, sou força, sou arquiteto do céu,
sou o universo contido no véu,
sou tudo e nada, sou tempo e direção,
sou o eterno pulsar do coração.
São nos momentos de turbulências, que os melhores pilotos mostram as suas habilidades de sair em meio a situações de adversidades.
Entre o Marasmo e o Abismo
O instante em que percebemos que a vida vai além do piloto automático nos causa um estalo, um quase colapso. Ficamos divididos entre o marasmo da zona de conforto e o abismo do novo. Mudar assusta; a incerteza gera insegurança. Mas existir na nossa mais pura autenticidade exige o salto. E se o salto causar instabilidade? O remédio é tentar, falhar, aprender e evoluir. Esse é o propósito.
Se para morrer basta estar vivo, para viver é preciso coragem para acreditar em si mesmo. O amor traz o risco do sofrimento, e amar exige a força de saber que ele permanece, mesmo nos dias mais cinzentos. Às vezes, porém, amar significa desapegar. Deixar ir para um lugar distante, um recomeço silencioso.
A grande virada de chave é a autossuficiência. O amor-próprio não nos fecha para o mundo, mas nos acolhe. Ele nos lembra que somos dignos do afeto alheio, mas, acima de tudo, que fomos feitos para ser o grande amor da nossa própria vida.
Diário de Bordo: O Planeta Devastado e o Berço da Nova Praga
Enquanto o piloto acendia o cachimbo, alguns tentáculos da erva alienígena ainda tentavam rastejar para fora do fornilho. A fumaça densa e tóxica invadiu a nave. No meio da névoa alucinógena, a garota Veridiana entrou em trabalho de parto. O DNA terráqueo operou seu milagre caótico: ela deu à luz seis filhotes humanos de uma vez, cada um de uma cor diferente — o reflexo exato da nossa tripulação multicultural. Para comemorar, abrimos algumas latas de cerveja quente, fermentada direto no calor do reator da nave.
Navegando pelo quadrante, encontramos um planeta verde e abundante, que já vinha sendo timidamente depredado por dragões locais. Mas o estrago dos nativos não é nada perto do profissionalismo humano.
Na descida, a nossa nave amassada arrebentou as copas das árvores e abriu uma clareira na marra, pegando um pedaço de terra com água e uma cachoeira. A mera chegada da nossa carcaça poluente já começou a sufocar a fauna local. Sem perder tempo, descarregamos o reator atmosférico para modificar o ar e transformar o ambiente à nossa imagem e semelhança.
Duas colônias humanas foram instaladas em tempo recorde. O extermínio dos dragões foi rápido, sistemático e industrial. Em poucas semanas, as criaturas que antes dominavam o planeta viraram apenas desenhos rupestres nas paredes, tapetes e estátuas de decoração para os novos lares dos colonos.
Com o trabalho feito, os embriões entregues e o planeta devidamente condenado ao progresso humano, a nave deu mais um estouro no motor. Deixamos a nova colônia para trás, acelerando a nossa lata velha de volta à escuridão do espaço.
O universo que se cuide, porque os filhos da Terra acabaram de ganhar mais um puxadinho.
— Por Celso Roberto Nadilo
