Piano

Cerca de 258 frases e pensamentos: Piano

Há um piano em meus ossos que toca notas quebradas, cada acorde é um pedaço de mim que insiste em existir. Quando a cidade dorme, a música remexe entulhos antigos, e eu me descubro inteiro nas frestas de um acorde menor.

Um menino de costas carrega nas mãos vazias
tudo o que não pôde salvar. O piano calado chora por dentro, o violão perdeu as cordas como quem perdeu a fé. Anjos sujos ajoelham na lama, pedindo perdão por não terem chegado a tempo. As máquinas, cansadas de pensar, aprenderam o silêncio. E mesmo assim, ao longe, a água insiste em cair, porque o mundo acaba muitas vezes, mas a vida sempre encontra um jeito de continuar descendo.

Às vezes sinto que minha alma é um piano de cauda abandonado sob a chuva, onde cada gota que cai sobre as teclas evoca um acorde de saudade que ninguém mais sabe tocar. A música que resta em mim não é para os ouvidos do mundo, mas para o silêncio dos que já se perderam de si mesmos.

Chopin sabia que o piano é um confessionário sem padre, onde as teclas brancas são as promessas e as pretas são as verdades que doem no peito. Eu tento fazer o mesmo com as letras, transformando minha arritmia cardíaca em métrica poética para não morrer sufocado pelo que calo.

Chopin tocava o piano como quem acaricia uma ferida aberta, buscando a nota exata que fizesse a dor se transformar em beleza sonora. Eu tento fazer o mesmo com as letras, buscando a palavra que faça o meu peito parar de arder por alguns segundos de leitura silenciosa.

Tem gente que carrega o mundo nas costas e ainda encontra força para tocar. O piano não reproduz apenas melodias, ele revela saudades, cicatrizes e verdades que o coração guardou em silêncio. O pianista aprende cedo que a vida nem sempre oferece descanso, mas ensina sensibilidade e coragem. Porque existem dores que ninguém entende, apenas quem transforma solidão em música e sofrimento em arte. E no fim, entre notas, lembranças e emoções, permanece de pé aquele que nunca deixou sua essência desaparecer.


- Tiago Scheimann

Solidão é tocar piano sem sentir paixão.

Debbie Villela

Um Antigo Piano Novo


Era uma vez um piano. Um erudito piano
Que adorava espalhar seus sons e alegrar o povo cantando
Suas antigas teclas. De marfim amareladas
Já conhecia os tons. Das mãos que as dedilhava


E da cartola do tempo. As melodias tirava
De belíssimas ladainhas. Que o povo todo cantava
Mas lentamente como a brisa viaja o oceano
O tempo corroía as cordas e emudecia o piano


No domo azul do mundo. Nuvens não ficam paradas
E a voz do piano velho. Logo seria trocada
Por outro piano novinho. De teclas brancas resinadas
Que tocava canções de amor. E o povo compartilhava


Porém não foi esquecido o piano antigo de teclas amareladas
Ele vinha na frente todo orgulhoso. Bem vestido e imponente
Abrindo o caminho para o novo. Que timidamente iniciava
Essa linda jornada sagrada. Que é a vida da gente

A igreja Batista tradicional estava certa quando tocava apenas o piano nos cultos, os pastores antigos estavam certos quando proibiam baterias e guitarras dentro da igreja. Hoje, os músicos querem salário, tocam no culto como se fosse uma apresentação, querem fama profissional.

Jorge Palma, um poeta de piano cheio.


Palma pertence aos segundos. Quando se sentava ao piano, não procurava notas: procurava o sentido da vida. Cada tecla era uma porta entreaberta, cada acorde uma memória que regressava com o peso exacto do que foi vivido.


Nas mãos dele, o piano ficava cheio de mundo. Estações de metro dedilhadas, ruas gastas, noites que ainda sabem o nome de quem as atravessou. Há uma verdade mística no modo como ele canta: não é para impressionar, é para confessar. E nessa confissão cabe quem o escuta, como se cada canção fosse um lugar onde finalmente se pode pousar.


Palma foi isso: um compositor que não escreve música, escreve chão. Um músico que quando tocava piano, tocava caminhos. Um poeta que, mesmo quando adormecia, deixava a luz da cidade acesa e o cigarro a arder no cinzeiro, lento e translúcido, como um pequeno ritual que continuava a respirar por ele.

O piano emudeceu-se, como o riso na fotografia da parede, hoje só restam lembranças, do ontem so ficou saudade.

Inserida por PriscillaCavalcante

DEDICATÓRIA
Dedico meus dedos hoje aos finos e longos sons
As notas do meu piano dos graves e agudos tons
Tons que me marcaram a alma, que me trouxe a leve calma de tudo
Que já foi bom.
Dedico hoje aqui a voz, ao grito que tão calado
Nas dores por entre espinhos nos quais fui acorrentado
Lembrando me das lacunas e vendo me hoje coluna
No firmamento plantado.
Dedico a poesia agora, a liberdade que achei de saber que não é dúvida o
que eu sempre duvidei, em sonhos nas noites ébrias e claras que aprofundei.
Dedico também meus olhos a um futuro promissor, à um cuidado de amigo e um
Expelir de dor, à uma luz que irradia, em cada nascer de dia brilhando em
Menção do amor.
A cada passo que corro, à cada choro a sorrir, há uma dedicação
Há uma forma de agir, discutir com quem? Discordar pra que?
O destino é certo, como certo estou, que o limite do humano
É se desligar do ser.
Em cada pessoa a nova, em cada lua a impressão
Pra cada trocar as provas e da palavra a intensão
Em todo guerrear a dor, desfaço e dedido a flor,ao milagre da inspiração.
A minha dedicação é pra doce Juliana, para as flores de alfenas e todas as alfazemas
Dos quintais das franciscanas.
A minha dedicação, é apenas dedicar, a minha fala os amigos, que estiveram comigo
Os quais me viram chorar. Enfim eu dedico agora o meu sorriso ao vagar
Sem pressa e sem medo à todos aqueles que vão ficar, guardados em meus penhores, tidos como professores,que me ensinaram a amar

Inserida por Ezhequiel

Quando bate a sensação “menininha tocadora de piano”, eu já lembro daquela sniper soviética (pera, deixa eu lembrar o nome dela... digitando no google). Lyudmila Pavlichenko!

Inserida por josaneph

Como notas executadas em um piano, as palavras podem formar uma bela música ou um mero barulho. Faça das suas palavras a melhor melodia possível.

Inserida por obrunoramos

PIANO

Na sala principal da casa da direita, jaz um piano,
Em quem ninguém toca,
Nem a displicente mariposa nele toca,
Pra não dizer que nada, absoluto, lhe toca,
Toca-lhe a flanela leve, até por seus teclados.
Do que vale um piano inerte, fechado,
Como se houvesse dentro alguém calado,
No ponto já de seguir o cortejo.
No meu quintal resistem dois ipês antigos,
Que já nasceram como gêmeos, irmãos parecidos,
Qando é noite que o vento afoito balança sua fronte,
Eu ouço, do ranger dos galhos a mais suave melodia.
Por isso não vejo a necessidade de um piano
Em minha sala, as teclas se grudariam,
Porque eu não toco,
E pra que serve um piano que não toca.

Inserida por naenorocha

Eu queria ter os dedos do Nathan por que eles ja tiveram muita açao... no piano

Inserida por Prisoners

Tocando...

No piano,
Retrocedendo,
Ano a ano.

Inserida por FrancismarPLeal

Num piano branco, o pianista negro tocava um blues.

Inserida por casteladas

Apaixonar-se é

Apaixonar-se é como notas suaves no piano,
como as notas das oitavas altas em sintonia
com as notas das oitavas baixas,
como Yiruma sentindo cada uma delas
no seu íntimo enquanto as toca,
como o vibrato feito em instrumentos de corda friccionada.
Igualável a sensação de prazer
ouvindo o piano fazendo companhia ao violino, sim,
perfeitos juntos! É tão lindo
quanto as cidades mais antigas da Europa.
Olha, falando sério mesmo,
o que soa incrivelmente agradável juntos,
somos nós, meu amor,
eu e você
em alguma cidade, pode ser
nas cidades mais antigas da Europa
ao som das notas altas em sintonia
com as notas baixas.
Só isso!

Inserida por Gracilidade

A vida é como uma melodia de um piano, notas altas e baixas, doces e fortes, delicadas e intensas.
Ouvir Betoven nos faz refletir, em dias e horas que passaram.
Um querer que não passe, misturando um bem querer de momentos ou notas que já passaram.
Um meio sorriso no rosto com lágrimas,
há, uma alegria no peito, mas uma lágrima nos olhos, uma mistura de emoções.
Uma vontade de que nunca acabe, mas com grandes expectativas na eternidade.

Inserida por DenizeHeloiza