Pés de Criança
PLANEJAR É RESPEITAR QUEM VOLTOU
Planejar aula para criança é importante.
Planejar aula para aluno da EJA é um ato de respeito.
O aluno da EJA não é obrigado a estar aqui. Ele escolheu estar. Ou veio porque foi "forçado" pelos mais diversos fatores.
Ele já trabalhou o dia todo. Ele deixou o filho com a vizinha. Ele se deslocou de longe. Ele venceu a vergonha de voltar a estudar depois de anos. Ele está cansado e, mesmo assim, ele veio.
Quando a gente entra sem planejar, com a aula improvisada só no piloto e no quadro, sem pensar nele, o que a gente está dizendo, sem falar, é: "O seu esforço para vir não valeu o meu esforço para preparar." E, infelizmente, o aluno da EJA nota, com exatidão, quem faz e como faz. E ele percebe.
O aluno da EJA percebe tudo. Ele pode não saber as fórmulas complexas de matemática, mas ele sabe quando foi respeitado e quando foi enrolado.
Planejar para a EJA não é preencher papel. É responder a três perguntas antes de entrar em sala:
A) O que da minha aula serve para a vida dele amanhã de manhã?
Se eu vou ensinar porcentagem, por exemplo, como isso ajuda ele a não ser enganado no mercado, no empréstimo, na venda da sua produção?
B) Ele vai participar das atividades ou vai ser só ouvinte? Ele coloca a mão na "massa" também?
Adulto não aprende só ouvindo. Ele aprende fazendo, falando, medindo, calculando o seu próprio salário, a sua própria roça, a sua própria receita. Se ele só copiou, ele não aprendeu.
C) O que eu vou fazer se ele não entender?
Porque, na maioria dos casos, ele vai ter vergonha de dizer "não entendi". O planejamento já precisa ter o plano B, com outra explicação, com um exemplo mais simples, mais perto da realidade dele.
Professor da EJA, o seu caderno de planejamento não é um documento para a secretaria. É o mapa do caminho de alguém que confiou em você para recomeçar.
Improvisar é até humano, todos nós improvisamos um dia. E, às vezes, a realidade nos impõe a fazer caminhos diferentes do que foi traçado.
Mas viver improvisando na EJA é dizer para aquele pai, para aquela mãe, para aquele jovem trabalhador: "O seu sonho pode esperar, porque eu não tive tempo de pensar nele."
Planejar é o contrário. É dizer: "Eu pensei em você antes mesmo de você chegar. Eu preparei essa aula pensando no seu cansaço, no seu trabalho e no seu sonho de terminar os estudos."
Quando você entrar na sala, antes de abrir o livro, abra a história da sua turma.
Planejar é isto: transformar conteúdo em esperança.
E esperança, para quem voltou a estudar, vale mais que qualquer conteúdo.
Por fim: não somos forçados a fazer "muito", mas o que nos dispomos a fazer, que seja feito como se fosse para nós, nosso filho, para a pessoa de quem mais gostamos. Nosso aluno só leva da escola o conhecimento que conseguiu produzir. Tudo, além disso, fica impregnado no papel, nos protocolos, em documentos.
Sinto medo desde que era criança! Piorou quando descobi que medos fazem parte de nossas lembranças, logo me lembro de sentir, não é apenas instinto. Agora, vejo herói, todos os que nem conhecem o medo.
"Uma criança sabe daquilo de que gosta e do que não, mas um adulto tem mais dificuldades nesse campo."
Quando olhamos alguém com o coração verdadeiramente sincero, encontramos a criança que ainda habita em seu íntimo, junto das dores e silêncios que o tempo jamais conseguiu apagar.
A criança que fui sussurra por debaixo do meu terno gasto, mendiga atenção entre o ruído das rotinas. Ela tem dedos que contam as horas em marcas na pele, e olhos que sabem o preço secreto de cada dia cinzento.
A criança que fui e o homem que sou trocam bilhetes na madrugada. Um pede coragem, como quem pede socorro. O outro devolve silêncio, rabiscos, mapas inúteis de resignação. Às vezes, contra a própria vontade, sobem no mesmo trem. Não sabem por quê. Descendem em estações sem nome, onde a surpresa não consola, apenas prova, cruelmente, que ainda se está vivo.
A negligência que encontrei na infância não terminou quando deixei de ser criança. Ela aprendeu a crescer comigo. Mudou de rosto, de voz, de silêncio, mas nunca deixou de caminhar ao meu lado.
Há dores que não gritam; elas se infiltram na arquitetura da alma e passam a sustentar tudo o que somos. A minha fez do afeto um território estrangeiro. Nunca aprendi a reconhecê-lo sem antes procurar a ausência que costuma vir depois.
Por isso, amar, para mim, nunca foi um gesto espontâneo. É uma travessia sobre uma ponte construída com tábuas podres. Cada passo parece anunciar uma queda.
Mas existe algo ainda mais difícil do que amar.
É permitir que alguém me ame.
Há uma parte de mim que permanece escondida, como se tivesse sido convencida, ainda menino, de que carinho sempre cobra um preço e de que toda permanência é apenas um atraso para o abandono. Quando alguém tenta atravessar essa distância, meu primeiro impulso não é abrir a porta. É procurar a saída.
Talvez a pior herança da negligência não seja a solidão.
Seja a incapacidade de acreditar que um dia alguém possa olhar para todas as minhas ruínas e, ainda assim, decidir ficar.
Porque existem infâncias que não acabam. Apenas aprendem a respirar dentro do adulto que sobreviveu.
- Tiago Scheimann
Vejo uma infância difícil, genitores que raramente o entendiam, provações que uma criança jamais deveria passar. Muitas vezes pareceu forte, mas, por dentro, tudo ao redor estava corroído, apodrecido pelo abandono.
Esse é o reflexo no espelho: a criança que aprendeu cedo demais a suportar aquilo que não compreendia, o homem que dela nasceu sem jamais se libertar inteiramente.
Há coisas que o tempo não cura; apenas ensina a carregar.
💞✨️😀"...a criança que habita o meu ser...sauda a criança que habita o seu ser...vêm,vamos brincar...se divertir...independente de cor... credo...sexo...religião...condição financeira...vamos nos respeitar...amar...bora ser feliz...neste grandioso e maravilhoso Parque de Diversão chamado 💕Vida💕...Bora..."😀✨️💞
O que eu diria à criança que fui, se pudesse me encontrar…
Ahhh, Ana Gelma…
Minha pequena, com esses olhinhos pretinhos e pequenos, você nem imagina quantas histórias a vida ainda vai escrever nas páginas da sua existência.
Quantas experiências vão te transformar, quantas lágrimas você vai derramar em silêncio, debaixo das cobertas, tentando entender sentimentos grandes demais para um coração tão pequenino.
Quantas vezes você vai sentir medo, insegurança e a falta de um abraço, de um carinho, de um afeto justamente de quem você mais desejava receber.
Quantas vezes você só vai querer ser ouvida… ter alguém que se sente ao seu lado, olhe nos seus olhos e diga: “Eu estou aqui, minha pequena. Você não precisa enfrentar tudo sozinha.”
Ah, Ana… se eu pudesse voltar no tempo, te daria os abraços que faltaram, te levaria mais vezes para brincar, ouviria com atenção cada palavra sua e acolheria até os sentimentos que você ainda não sabia explicar. Te daria mais colo, mais presença, mais afeto. Porque criança também precisa ser ouvida, compreendida e amada nos pequenos detalhes.
Mas sabe, minha pequena? Apesar de tudo o que doeu, você nunca esteve sozinha.
Deus sempre esteve ali. Nos dias em que você chorou escondida, nas noites em que o coração ficou apertadinho e nos momentos em que nem você compreendia a própria dor. Ele conhecia cada lágrima, cada silêncio e cada fragilidade sua. Enquanto você crescia sem entender tantas coisas, Ele cuidava de você, preparando seus passos e fortalecendo sua alma.
Você é a menina dos olhos DELE, protegida e guardada por um amor que tantas vezes te sustentou quando os braços humanos não conseguiram te alcançar.
E olha só para nós agora, minha pequena… Nós crescemos!
Aquela menina sensível se tornou uma mulher que observa, analisa, pensa antes de agir e aprendeu a ter cautela com os passos e com as pessoas. Não porque deixou de acreditar na bondade, mas porque a vida lhe ensinou que nem todo abraço acolhe e nem toda palavra traduz a verdade.
Ainda assim, você não permitiu que as ausências roubassem sua capacidade de amar. Não deixou que as dores apagassem sua gentileza, nem que as decepções levassem embora sua essência.
Você cresceu com um coração que sente profundamente, com uma verdade que não se curva às aparências, com uma bravura que se levanta diante das injustiças e com valores que não estão à venda.
Aprendeu a ser forte, mas ainda está aprendendo que também merece descansar. Aprendeu a cuidar, mas está descobrindo que também merece cuidado. Aprendeu a acolher tantas pessoas, mas hoje começa a compreender que aquela menininha também merece ser acolhida por você.
Se eu pudesse te encontrar agora, não te pediria para ser forte o tempo todo. Apenas te abraçaria e diria:
“Obrigada por ter resistido, minha pequena. Obrigada por não ter desistido dos nossos sonhos, por ter preservado nossa essência e por ter chegado até aqui. Você não precisava ter sido tão forte tão cedo. Você merecia colo, proteção e amor. E, se em algum momento a vida te fez acreditar que era pouco, quero que saiba: você sempre foi muito mais do que imaginava.”
Hoje, sou eu quem segura a sua mão. Sou eu quem pode olhar para trás, reconhecer suas dores e te oferecer o acolhimento que tantas vezes faltou. Não posso mudar o passado, mas posso cuidar de você no presente, honrando cada lágrima, cada conquista e cada parte da nossa história.
Feliz Dia das Crianças para a menina que eu fui, para a mulher que me tornei e para a criança que ainda vive em mim.
Que Deus continue nos guiando, nos protegendo e nos lembrando de que, mesmo quando a vida deixa marcas, o amor pode nos ensinar a florescer novamente.
Com todo o amor que aquela menina merecia receber,
Da mulher que ela se tornou,
Ana Gelma.
O futuro de uma criança é roubado todas as vezes que o dinheiro da educação é desviado para saciar a ganância de quem deveria proteger o povo.
Quando o Atacine e o Criança em Cena abrem espaço para crianças e pessoas em situação de rua fazerem cinema, a arte deixa de ser apenas entretenimento e se torna um instrumento poderoso de inclusão e dignidade.
Na morada do meu ser residem tantos de mim:
Há um santo,
Há um pecador,
Há uma criança,
Há um velho,
Há um animal,
Há um idiota,
Há um sábio,
Há um artista.
Permita-se entrar nesse lar sagrado e conhecerá um dentre muitos de mim; só depende de quem você vai despertar.
SER CRIANÇA
Ser criança é algo encantador,
é ter a alma pura e cheia de amor.
É sorrir sem medo, correr e brincar,
e em cada cantinho um sonho encontrar.
Ser criança é viver com emoção,
é transformar o mundo em imaginação.
É fazer de um abraço um lugar de esperança,
e encontrar felicidade na simplicidade da infância.
Ser criança é acreditar que tudo pode acontecer,
é cair, levantar e de novo correr.
É ter no coração a mais bonita lembrança:
a doce magia de simplesmente ser criança.
Texto: Fhayom
12 de outubro de 2026
Eu me perdôo
Por só ter sido uma doce, e pobre criança
Crescendo longe dos doces e chocolates e tentando segurar ao máximo todos os melhores que encontrava pelo caminho.
Apenas isso.
Eu agarrei com tanta força aqueles doces
Era tudo a primeira vez, as primeiras fantasias
Agarrando com muita força o meu passado, ao máximo, tão quanto fosse necessário para achar que eu tinha tudo por um instante.
Eu me perdôo por isso
"VOCÊ SÓ VIVE UMA VEZ, APROVEITE SUA VIDA", é a frase que o acaso (um brincalhão, como sempre) me trás enquanto estou me perdendo nestas linhas.
Eu estou ME PERDOANDO. Em algum momento seria preciso, sinto que chega a hora finalmente.
Preciso, enfim, mais que nunca e como sempre, desprender e deixar permanecer apenas o que deve ir comigo..
Mensagem de uma Criança
Dizem que sou o futuro;
Não me desampare no presente.
Dizem que sou a paz;
Não me preparem para a guerra.
Dizem que sou a promessa de Deus e do bem;
Não me entreguem ao mal.
Dizem que sou a luz de seus olhos;
Não me deixem mergulhar na escuridão.
De vocês não espero o pão apenas;
Dêem-me a luz do entendimento....
Não quero de vocês o carinho somente;
Suplico que me eduquem...
A vocês não lhes peço apenas brinquedos,
peço-lhes boas palavras e bons exemplos...
Não vejam em mim um enfeite na casa de vocês;
sou alguém, pessoa humana à imagem de Deus.
Ensinem-me a oração, o trabalho, a humildade,
para que eu venha a ser bom, puro, forte e justo.
Corrijam-me agora, ainda que eu sou sofra...
Enquanto é tempo..
Amanhã poderá ser tarde...
Ajudem-me hoje, eu lhes suplico:
para que amanhã eu não os faça chorar....
A Mãe e o Olhar
Edineurai SaMarSi
Quando eu era criança, a vizinha perdeu o único filho — quase homem… ainda menino.
Eu a observava.
Sempre fui boa nisso.
Depois disso, ela nunca mais foi a mesma.
A casa seguia arrumada,
as portas abertas,
o café no horário.
Mas os olhos…
ah, os olhos…
Eram fundos.
Vazios.
Fazia tudo como antes.
A vida seguia.
Mas, em seus olhos, algo havia mudado.
Não tinham mais alma, não tinham mais vida…
As tentativas de sorriso eram falsas, assim como a vontade de continuar.
Eu me lembrava de antes — da sua alegria, da família feliz — e, com a minha inocência de menina, pensava:
“Logo isso passa.”
Não passou.
O tempo andou.
Cresci.
Tornei-me adulta.
Ela se mudou, mas, quando a via, mesmo de longe, aquele olhar continuava o mesmo — parado naquele dia.
Como se a alma tivesse saído devagarinho
e ido atrás dele.
Eu não entendia…
Até ser mãe.
E perceber que há dores
que não enterram só um corpo —
enterram o mundo inteiro
dentro do peito de quem fica.
E alguns dias…
simplesmente não passam.
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