Perto
Era estrada de caminho incerto
Incerteza que andava por perto
Andava, que...por ser caminho
Se chamava estrada
Ao contrário, que se pressupõe
Era sim, um caminho
Mas era apenas ida
Com pequenas diferenças
Havia lances de escada
Faces largas e falsos sorrisos
de cara cansada
Mais nada, além do preciso
Havia chovido e ressecado
E também de vez em quando
Tinha gosto de pão amanhecido
Com cor de aquarela
Dependia da luz
Vez em quando, desbotada
E bela no instante seguinte
Não falava nada
E também não era bem ouvinte
Era pressa, era espera
Era uma fera
Dessas, que parecem mansas
Que nem gente velha
de tão velha despertou pra vida
Cuja experiência
Convida a ser criança
Parece até que não pensa
Mas pensa
Bem mais que se pensa
E não se arrepende
Parecia justiça
Parecia que era
Só não digo que era
Porque era brasileira
E não pendia pros lados
Portanto, a chamo de estrada
Por enquanto é tudo
Mais nada.
Edson Ricardo Paiva.
Eu conheço uma estrada
Que um dia
Ela foi aberta
Perto de lugar nenhum
Lá no meio do nada
Com o tempo vieram ruas
Chegaram pessoas
Criaram boas e más verdades
Plantaram absurdos...calamidades
Era vida que seguia
A cada dia mais gritante
Galáctica, estratosférica
e emudecida
Nada que lembrasse como era antes
Enquanto isso
Nos limites da cidade
O mato crescia ...crescia
Até hoje continua
Desde que Deus criou o mato
Ele cresce e cresceu de fato
E todo dia um pouco mais
e mais e mais e continua
E mesmo assim
Ele nunca, nem sequer
Jamais chegou perto da Lua
Edson Ricardo Paiva.
"Ontem, de alma atenta
Perto do fogo se ouvia
O nó da madeira a chorar baixinho
Lancinante tristeza
De sorte que vida havia
Na seiva caramelada
A última lágrima de despedida
Tristemente escorria. "
Edson Ricardo Paiva.
Já estive em quase todos os lugares
Onde a vida nos permite estar
Sem convite para olhar de perto
e nem de longe
Onde quer que, porventura, houvesse
Hoje estava só, sentado no quintal
Vendo o sol na minha cara
Claridade ali, parada sobre a roupa
Que desbota, estendida
Sem sopro, sem prece
Nenhum canteiro de rosas, nem de vida
Arremedo de verso e nem dedo de prosa
Nada digno de nota
Um convite pra fazer cara de triste e nem contente
Nada a ser notado
Nada que me faça diferente
As coisas vão ficando e nos deixam de lado
Descontente acho que sempre fui, de graça e sem queixa
Pois já estive em quase todos os quintais que a vida deixa
E jamais achei-os parecidos
Creio serem eles todos muito iguais
Um silêncio com ou sem ladrilhos
Reles, toscos
Frios, quais os trilhos sobre onde vaga o tempo
À margem de quase tudo
Uma imagem sempre assim...
Tão desbotada quanto a triste lembrança
Esquecida, assim, sumiste
Enfim, se apaga
Falso encanto de tecido
De estampado colorido
Que se apaga sob o sol que te ilumina
E termina sempre a se esvair
Deixe sempre um tanto de sorriso sobre tudo isso
Nem que seja só pra que ele seja visto
Nem que o vejam sem notar.
Edson Ricardo Paiva.
Aproveita o tempo agora
Enquanto o coração chora à toa
Enquanto o fruto cai perto
Olha em volta o teu deserto
Pois nem sempre o vento sopra para o lado certo
Ajeita a vela da vida
O caminho todo é pensamento, é hora boa e passa lenta
O tolo pensa em ser feliz, desorienta
Aproveita a hora triste, enquanto a tristeza é passageira
Molhe as plantas na janela
Escolhe a cor da escuridão futura
Pois nem sempre o vento sopra pro deserto
Corre, enquanto as pernas obedecem
Pise forte as pedras, elas esquecem
Olhe isento as coisas lá do alto
A descida toda é só momento, grite alto
Lá do alto, onde subiste
Deixa o vento carregar a voz
As vozes de todos nós
Tão velozes quanto a vida em direção
A um lugar onde o tempo inexiste.
Edson Ricardo Paiva.
Estradas de Pedra.
Enquanto a chuva cai
A noite passa e vai pela janela
Pra perto da estrela distante
Na mesma velocidade
Pensamento, instante, vagam
Pedra lisa, estradas sem destino
Que se aprumam
Indiferentes, se acostumam
Vai durar uns meros séculos somente
Durante as tempestades
Quais relâmpagos colidem
Que se agridem pelos ares
Olhares idem pela escuridão que espero
Pra depois, durante as calmarias
Vir buscar-me em sonhos
Pois, durante a madrugada
Não serão jamais pisadas
Vão nascer de novo, sempre vão
No primeiro desvão, por onde invade o sol
Da primeira manhã de alguma infância
Há de ser nova
A primeira manhã de todas as manhãs
Traz consigo o gosto verdadeiro
Do primeiro sol que arde n'alma nascitura
Pensamento, instante, invade
Vai durar uns poucos séculos somente
Indiferente às estradas de pedra
Que foram feitas só pra ser pisadas.
Edson Ricardo Paiva.
Quase sempre, quase nunca
quase perto, quase certo
quase morto, quase torto
todo dia
Quase euforia
Quase nada
madrugada
Quase durmo
Quase dia
Quase euforia
Quase ria
Quase vejo
Quase encontro
uma saída
Quase ensejo
Quase despejo
Quase pego
quase cego
Grana, grito
São duzentos anos
de filosofia
Quase rio
Quase todo dia
Quase dia
Quase poesia
Quase riso
Quase garantia
Quase perto
Quase que eu não via
Quase canso
Quase danço
Quase bato
Quase apanho
Quase temo
Quase tema
Quase bala
Quase bela
Quase minha
Quase dela
quase infarto
Quase deserto
Quase digo
Quase chamo
Quase amo
Quase digo
Quase brigo
Quase calo
Quase falo
Quase abismo
Quase mina
Quase rima
Quase riso
Quase todo dia
Quase dia
Quase garantia
Quase rio
Quase todo dia
Quase dia
Quase poesia.
Eu te daria uma carona para bem perto dos teus sonhos, e na calçada do desembarque vendo o seu rosto luzir em grande lampejo eu te diria: você vai achar a sua estrela.
Saudade
Hoje... Ao sair encontrei você...
Não estava perto, estava muito longe...
Não conseguia te ver...
Nem mesmo te ouvir...
Mas sabia que havia encontrado você...
Hoje ao sair... Encontrei você...
Comecei a sentir o vento...
O meu coração se entregou...
Nos meus olhos as lágrimas começaram a aparecer...
Diante da emoção estampada na minha alma...
Não conseguia entender...
Hoje ao sair... Encontrei você...
O reflexo do amor... Expandido no brilho dos meus sentidos...
Fez com que a minha saudade encontrasse você...
Hoje ao sair... Podia sentir que de novo eu amo você.
Quanta alegria de estar aqui
Perto de você
Tudo é mágico
Aqui me sinto seguro
Não tenho medo de nada
Eu nunca deveria ter partido
Mas foi preciso
Você sempre me entende
Te acho um anjo
Pra você não preciso pedir perdão
Só tenho que te abraçar
E chorar em seu ombro
Que dor eu sentia
Eu fechava os olhos
Para parar de chorar
Imaginava você sorrindo
Sentia falta de seus gritos
Dos seus beijos também
Engraçado, eu sorria também
Lembrando de você
Minha mãe
Sabe garota
É interessante
Está perto
De você
Ficar te olhando
Ficar com
Cara de bobo
Eu acho legal
Viro criança
Quase todas
Ás vezes
Que você sorrir
Nunca pensei
Se pego
Pelo amor
Agora sou
Coração de criança
Por causa
De você
Está vivo e ter os familiares perto, já é o melhor presente que esse ano que está vindo pode nos oferecer, todo o resto a gente corre atrás.
FELIZ ANO NOVO.
Estou em todos os lugares, meus olhos lhe veem tanto de perto, quanto de longe, eles filmam tudo sem parar.
Gente que faz bem pra gente.
Gente que a gente quer perto da gente, mesmo distante, mas dentro da gente presente. Gente que tenta te entender, gente que quer ajudar. Gente que vê os teus defeitos, mas quer de algum jeito somar. É essa gente que eu quero perto de mim, gente que é singular. Gente que fala e que escuta, gente que dá pra contar. Gente que eu possa confiar.
O medo não é um fracasso no caminho, mas uma oportunidade de conhecer mais de perto as dificuldades que iremos lutar e vencer. Desistir não é uma opção.
