Perigoso
Medir a justiça pela a própria dor e um erro Moralmente perigoso, pois ao sofrer uma injustiça permitimos que ela determine quem nós tornaremos depois. Como dizia Marco Aurélio: “O melhor modo de se vingar de um inimigo é não se tornar-se semelhante a ele.”
Nada é mais perigoso que o narcisista que se sente ungido: ele não comete erros, apenas 'cumpre propósitos'.
Qualquer Deslize estando sob o escrutínio popular é muito perigoso, não porque o povo em sua maioria se considere infalível, mas por quase sempre não admitir a livre concorrência.
Vivemos um tempo bastante curioso — e, de certo modo, muito contraditório.
Nunca se falou tanto em liberdade de expressão, e, ao mesmo tempo, nunca se viu tanta vigilância sobre o que é dito, pensado ou sentido.
A praça pública deixou de ser um espaço de encontro para se tornar um tribunal permanente, onde cada palavra pode ser retirada de contexto, amplificada e transformada em sentença.
O problema não está apenas no erro — errar é inerente à condição humana —, mas na forma como lidamos com ele.
Há uma espécie de monopólio moral em disputa, como se apenas alguns poucos estivessem autorizados a falhar, rever, aprender e seguir adiante.
Aos demais, resta apenas a condenação imediata, quase sempre desproporcional, quase nunca reflexiva.
Talvez o que mais assuste não seja a crítica em si, que é necessária e saudável, mas a ausência de espaço para o contraditório honesto.
Não se trata mais de dialogar, mas de vencer; não de compreender, mas de expor; não de construir, mas de demolir.
A intolerância moderna não grita — ela aponta, rotula e descarta.
E assim, pouco a pouco, vamos nos tornando mais cautelosos, menos autênticos, mais silenciosos…
Não por falta de ideias, mas por medo das consequências.
O pensamento deixa de ser livre não quando é proibido, mas quando se torna perigoso demais exercê-lo.
Talvez seja hora de reaprender algo simples e profundamente humano: ninguém é definitivo.
Somos todos versões em construção, sujeitos a revisões, quedas e recomeços.
Admitir isso não nos torna frágeis — nos torna possíveis.
Porque, no fim das contas, uma sociedade que não tolera o erro também não sabe reconhecer o acerto.
E sem essa medida, tudo se perde: o senso, o equilíbrio e, sobretudo, a própria humanidade.
É perigoso o resto do mundo acabar e sobrar só o Brasil… Para cada maluco aparece um maluco e meio.
E talvez o mais inquietante não seja a quantidade de “malucos”, mas a naturalidade com que nos acostumamos a eles.
Aqui, o absurdo já não pede licença — ele entra, se espalha pelo chão ou senta no sofá, opina sobre tudo e ainda ganha plateia.
O exagero vira folclore, o delírio vira narrativa, e, quando percebemos, já estamos rindo do que antes deveria causar silêncio.
O Brasil tem essa estranha capacidade de transformar tensão em piada, crise em meme, tragédia em comentário espirituoso.
É um mecanismo de defesa, sem dúvida — mas também pode ser uma anestesia muito perigosa.
Porque quando tudo parece ridículo demais para ser levado a sério, a gente corre o risco de não levar mais nada a sério.
E nesse terreno fértil, onde o improvável brota fácil, cada voz dissonante encontra eco.
Não importa o quão desconectada da realidade ela seja — sempre haverá alguém disposto a amplificá-la, a reinventá-la, a levá-la um passo além.
Um maluco nunca anda só; ele é sempre o início de uma pequena multidão ainda em formação.
Talvez o verdadeiro risco não seja “sobrar só o Brasil”, mas sobrar um Brasil que já não estranha mais o que deveria estranhar.
Um país onde o espanto foi substituído pela ironia permanente, e a crítica deu lugar ao entretenimento.
Porque, no fim, quando tudo vira espetáculo, até o caos encontra aplauso.
E aí, o problema já não é quantos “malucos” existem — é quantos de nós ainda conseguem reconhecer que algo saiu do lugar.
O banheiro é o cômodo mais perigoso da casa
Ele conhece nossas intimidades, nossas desordens, nossos mistérios
Por isso é tão fácil escorregar e cair quando estamos saindo do chuveiro
É perigoso o jeito que você me deixa... uma mistura de sede e vício que só o seu corpo consegue saciar.
Enzo Ruchell
Menino Levado
Helaine Machado
Quieto demais pra chamar atenção…
perigoso demais pra ignorar.
Não promete —
faz sentir.
Não corre atrás —
faz você ficar.
E quando se revela…
já é tarde demais
pra não querer mais.
Helaine Machado
Qualquer gatilho de agressividade mesmo que transitório é perigoso, depois fica muito difícil para voltar a se habituar com a tranquilidade. Nada é mais curativo do que a paz.
