Perdoar e Esquecer
E não esquecer...
Mostre para aquela simples ventania...
O Furacão que você é.
Soniasolangedasilveira
Ssolsevilha
Poetisa do cerrado
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Coisas que não se explica. Levamos apenas um segundo para apaixonar, e pra esquecer uma eternidade!...(Patife))
janela fechada.
Como esquecer,
se toda janela que abro
dá pro mesmo lugar?
Eu fecho a cortina,
mudo de casa,
mudo de cidade,
mas o vidro me entrega.
não é o passado que me persegue,
sou eu que o plantei no futuro.
cada plano meu
tinha o teu rosto.
Eu mesmo escrevi
que te veria em todo amanhã.
agora o amanhã chegou,
e você não está,
mas o que eu criei sobre você
ainda está.
Abro a janela pra respirar,
e respiro você. Não faz mal, feche as janelas.
(Saul Beleza)
Amar também é aprender a atravessar os dias difíceis sem esquecer tudo o que já nos fez escolher ficar.
"Eu não precisei esquecer quem fui para me tornar quem sou. Precisei aceitar que algumas versões minhas cumpriram seu propósito e mereciam ser deixadas para trás."
"A tirania do 'cada um por si' adoece a sociedade e nos faz esquecer que a nossa humanidade só existe no plural."
Não se esquecer que
um dia já foi criança,
e que dependeu de um adulto
para chegar até aqui,
pode fazer um mundo novo,
Trazer viva essa lembrança
sempre que uma criança
precisar é sinal vivo
que ainda há esperança
de seguir adiante.
Observar o tempo
no florescimento
do Murici arbóreo,
Não se esquecer
da própria História,
é usar a sua lógica.
Honrar quem fez
o caminho primeiro,
Não querer fazer
as coisas do seu jeito.
Aceitar o destino,
moldar-se a rota,
partilhar e abraçar
sem receio a multidão
colocando-a no coração.
Revisitar a fé em Deus,
Sem esquecer seus princípios,
Colorir a visão com arte,
Entender que não fazer Sol
também faz parte,
Adoçar a palavra
com poesia e serenidade,
Cultivando o jardiminterior da liberdade.
Sentir a brisa do Oeste Catarinense
sempre que cruzar a estrada,
Não esquecer da resiliência
da imigração italiana;
do que Nossa Senhora mostra,
e jamais nos engana.
Enlevar a memória da sobrevivência
do Vale do Contestado,
das lavouras às criações;
Viver de sol a sol com o peito
apaixonado pelo povo,
e festejar com quando
chegar a Festa do Colono.
Sob a benção do Rio do Peixe
lembrar que um dia foi Capinzal,
e se ergueu como Ouro;
Banhar-se nas águas termais
valiosas como um tesouro,
e derreter-se de orgulho.
Agradecer constantemente
por ter chegado, nascido
ou escolhido neste lugar
viver n'amplidão das aves a voar,
que é todo feito de beleza,
para amar, respirar, serenar
e com tranquilidade para morar.
Doce de Imbu vou fazer,
Só para te receber
de um jeito que você
não vai esquecer,
Por mim você vai
inteiro se derreter,
De outro sabor que
não for o meu bem
brasileiro você não
nem pensar mais querer.
A maior comprovação de que as qualidades são imorríveis é a impossibilidade de esquecer os que
já se foram.
Não é o corpo que permanece, nem a voz que ainda ecoa nos corredores da casa, nem o hábito de sentar na mesma cadeira à mesa.
O que insiste em sobreviver é algo menos visível e mais poderoso: aquilo que a pessoa conseguiu semear em nós.
As qualidades verdadeiras não se comportam como objetos que se perdem com o tempo.
Elas se comportam como sementes que escolhem outros corações para continuar existindo.
Um gesto de generosidade vira referência silenciosa, uma palavra justa vira bússola moral, uma coragem discreta vira exemplo que atravessa anos sem ao menos pedir licença.
Por isso, alguns mortos continuam interferindo na vida dos que ainda vivem.
Não como fantasmas, mas como presença ética.
Como memória que orienta.
Como uma espécie de tribunal íntimo diante do qual ainda perguntamos: “o que ele faria?” ou “o que ela diria disso?”.
A morte pode até recolher os corpos com a eficiência implacável do tempo, mas fracassa miseravelmente quando tenta apagar aquilo que eles deixaram pulsando em nós.
Porque as qualidades raras têm um estranho talento para se hospedar na memória coletiva — e ali passam a viver sem prazo de validade.
Talvez seja por isso que esquecer completamente alguém bom seja tão difícil.
Não porque fomos incapazes de seguir em frente, mas porque certas pessoas, depois de partirem, deixam de pertencer apenas ao passado e passam a fazer parte daquilo que ainda somos.
