Perdi a Ilusão
Ilusões
No silêncio da noite, sonho;
Cenas, fatos, pessoas, momentos.
Um passado distante, presente,
Ainda,
Me conduz em turbilhão;
Tristonho,
Recrio felicidades e histórias,
No inusitado da imaginação.
Busco em cantos de saudade
Trazer ao cotidiano
De agora
As alegrias vividas a dois .
O que era, perdeu-se,
Partidos cristais.
O que foi, são sensações,
Nada mais.
Os novos caminhos percorridos
Não serão os mesmos de outrora,
Jamais.
Resta-me então reviver,
No imaginário, as fortes emoções
Do passado, num canto qualquer,
Numa dobra escondida
Da memória.
Esperança do povo
Lá se vai meu povo,
triste.
Lá se vai esperando,
de novo
pensando
que existe
esperança.
Que o dinheiro
vai dar
o mês inteiro
p’ra gastar
e sobrar
p’ra poupança.
Coitados!
Minha gente
é criança
que de repente,
p’ra se conformar,
acredita nos sonhos.
Mas, a verdade aparece
contida
na triste ilusão.
O real depois permanece
p’ra gente pensar.
Pois,
então?
Só o pobre
socorre
outro pobre.
E o rico
só morre
mais rico.
Pega ladrão!
quando passar correndo o menino,
tão magro e rasgado,
com a bolsa roubada
à madame
ao repentino clamor
que lhe segue,
não ouça!
pois, não sabem
que o pequeno ladrão,
desceu dos morros
e da miséria
onde algum dia (oh triste ilusão),
algum político a mais,
por pilhéria na certa,
a todos dizia
que o drama da morte acabara
e nunca mais fome teria
(porque se eleito…).
Mas, coitado, bem viu
que o doutor esqueceu
a promessa.
E agora na gente que grita
e com pressa
corre atrás do menino ladrão,
eu vejo somente
o desprezo
de uma fração poderosa
que vive alheia do povo
que ri da desgraça e destrata
que esquece as promessas
e, de novo,
vai pedir a esse povo
que maltrata.
É incrível como as pessoas esperam que eu seja perfeito para elas, mas paciente com o defeitos delas.
Mesmo não querendo,
eu sorrio sempre para
esconder as amarguras ,que
sinto no meu coração,
assim não darei aos maus
a alegria de me ver triste
e dou aos que me amam
a ilusão da minha felicidade...
Muitas pessoas querem ser o que não são,
demonstram ser o que querem ser,
vivem em um mundo ilusório que não querem acordar,
cavam o um buraco a qual não se veem entrar,
um dia acordam e percebem que não viveram a vida real,
mas sim uma ilusão a qual acaba com a primeira falta de 1 real.
Quando caí, tive que me levantar sozinho com a ajuda de Deus. Agora que consigo caminhar, vou fazê-lo da mesma forma que me levantei.
Sonhei que era uma borboleta, e quando acordei vi que era um homem. Agora não sei se sou um homem que sonhou ser borboleta, ou se sou uma borboleta que sonha ser um homem
Passamos a vida lutando para nos apegarmos às coisas que mais valorizamos, às pessoas e coisas que acreditamos que não conseguiríamos viver sem. Mas nossas lembranças são frequentemente uma ilusão... protegendo uma verdade muito mais destrutiva.
Certamente, algo de fantasia emoldura a vida e dá-lhe estímulo. Entretanto, firmar-se nos alicerces frágeis da ilusão, buscando aí construir o futuro, é pretender trabalhar sobre areia movediça ou solo pantanoso coberto por água tranguila apenas na superfície.
Sabe quando você está em mais um dia normal, e do nada você ver aquela pessoa que consegue causar em você algo que ninguém antes causou?. Ai seu dia muda, o velho sorriso bobo volta a aparecer em seus lábios e você não consegue fazer nada para tirar aquela pessoa da sua mente. Você a observa de longe, ver aquele sorriso que só ela tem, e de repente você já se encontra completamente apaixonado por aquela pessoa que você mal conhece, mal trocou palavras. Foram alguns olhares, bem poucos, mas isso já muda meu dia e me faz sentir bem. Ai aquele ciuminho por uma pessoa que não é sua começa a brotar, você quer porque quer aquela pessoa ao seu lado. Talvez seja egoísmo, mas eu me sinto assim. O problema é que eu não sei amar, eu quero ver a pessoa feliz, mas eu quero vê-la feliz comigo, qualquer coisa que acontece entre nós eu já acho incrível, eu já acho que é um pretexto para dar certo, mas nunca é. Eu me iludo, eu choro, eu fico pra baixo, eu espero a mensagem que nunca vai chegar.
Eu achava que o amor seria mais suave, doce e gentil. Mas eu descobri com meu primeiro amor que essas coisas eram apenas uma feliz ilusão. Apaixonar-se por alguém é algo muito mais violento, como ter sua carne dilacerada.
A mente é qual um espelho; colhe pó enquanto reflete; são necessárias as suaves brisas da sabedoria da alma para limpar o pó de nossas ilusões.Procura, ó principiante, fundir tua mente e alma.
Hoje lembrei você. Lembrei de quando te conheci, da nossa primeira conversa, dos beijos que me deu, dos carinhos que me fez, dos abraços no teu braço. Lembrei da sua voz do outro lado da linha, da tua risada boba sobre os assuntos mais bobos ainda. Lembrei que você é naturalmente engraçado e gente boa e sabe todos os assuntos do mundo. Lembrei da sua companhia mais do que qualquer companhia do mundo, de você falar que sou sua princesa e que me quer pra vida inteira, dos segredos revelados na convivência, dos filmes que assistimos, das madrugadas abraçadinhos que passamos, dos planos de sermos um casal de velhinhos surdos brigando de pertinho. Lembrei do teu ciúme irritante, das brigas sem motivo, e logo depois de alguns minutos estarmos grudados novamente, como se nada tivesse acontecido. Quero saber se você ainda me espera, quero ter a certeza que aquilo tudo não foi ilusão. Porque hoje lembrei de você. Lembrei teu corpo, teu jeito, teu cheiro, tua sombra, lembrei do meu melhor amigo, do meu parceiro, meu único amor, meu bem mais precioso.
Perca PragmáticaEm relação a qualquer coisa nunca digas: «Perdi-a»; diz, ao contrário: «Devolvi-a». Morreu-te o filho? Devolveste-o. Morreu-te a mulher?
Devolveste-a. O teu campo foi roubado? Foi também devolvido. Mas quem o roubou é um miserável? Que te importa por quem o retirou aquele que to dera?
Enquanto te deixam tais bens, toma conta deles como de um bem que pertence a outrem, como fazem os viajantes numa hospedaria.
Quando me traíram ou assassinaram, quando alguém foi embora para sempre, ou perdi o que de melhor me restava, ou quando soube que vou morrer – eu não como. Não sou ainda esta potência, esta construção, esta ruína. Empurro o prato, rejeito a carne e seu sangue.
Perdi alguma coisa que me era essencial, que já não me é mais. Não me é necessária, assim como se eu tivesse perdido uma terceira perna que até então me impossibilitava de andar, mas que fazia de mim um tripé estável.
Elegia
Ganhei (perdi) meu dia.
E baixa a coisa fria
também chamada noite, e o frio ao frio
em bruma se entrelaçam, num suspiro.
E me pergunto e me respiro
na fuga deste dia que era mil
para mim que esperava,
os grandes sóis violentos, me sentia
tão rico deste dia
e lá se foi secreto, ao serro frio.
Perdi minha alma à flor do dia ou já perdera
bem antes sua vaga pedraria ?
Mas quando me perdi, se estou perdido
antes de haver nascido
e me nasci votado à perda
de frutos que não tenho nem colhia ?
Gastei meu dia. Nele me perdi.
De tantas perdas uma clara via
por certo se abriria
de mim a mim, estrela fria.
As arvores lá fora se meditam.
O inverno é quente em mim, que o estou berçando
e em mim vai derretendo
este torrão de sal que está chorando.
Ah, chega de lamento e versos ditos
ao ouvido de alguém sem rosto e sem justiça,
ao ouvido do muro,
ao liso ouvido gotejante
de uma piscina que não sabe o tempo, e fia
seu tapete de água, distraída.
E vou me recolher
ao cofre de fantasmas, que a notícia
de perdidos lá não chegue nem açule
os olhos policiais do amor-vigia.
Não me procurem que me perdi eu mesmo
como os homens se matam, e as enguias
à loca se recolhem, na água fria.
Dia,
espelho de projeto não vivido,
e contudo viver era tão flamas
na promessa dos deuses; e é tão ríspido
em meio aos oratórios já vazios
em que a alma barroca tenta confortar-se
mas só vislumbra o frio noutro frio.
Meu Deus, essência estranha
ao vaso que me sinto, ou forma vã,
pois que, eu essência, não habito
vossa arquitetura imerecida;
meu Deus e meu conflito,
nem vos dou conta de mim nem desafio
as garras inefáveis: eis que assisto
a meu desmonte palmo a palmo e não me aflijo
de me tornar planície em que já pisam
servos e bois e militares em serviço
da sombra, e uma criança
que o tempo novo me anuncia e nega.
Terra a que me inclino sob o frio
de minha testa que se alonga,
e sinto mais presente quando aspiro
em ti o fumo antigo dos parentes,
minha terra, me tens; e teu cativo
passeias brandamente
como ao que vai morrer se estende a vista
de espaços luminosos, intocáveis:
em mim o que resiste são teus poros.
E sou meu próprio frio que me fecho
Corto o frio da folha. Sou teu frio.
E sou meu próprio frio que me fecho
longe do amor desabitado e líquido,
amor em que me amaram, me feriram
sete vezes por dia em sete dias
de sete vidas de ouro,
amor, fonte de eterno frio,
minha pena deserta, ao fim de março,
amor, quem contaria ?
E já não sei se é jogo, ou se poesia.
Perdi vinte em vinte e nove amizades, por conta de uma pedra em minhas mãos e aos vinte e nove com retorno de saturno, decidi começar a viver.
