Perde
Quando o Mundo Perde a Graça
Há dias em que o mundo se cala por dentro.
Não é ausência de som, é ausência de eco.
O céu continua azul, mas é um azul sem memória,
como se nunca tivesse guardado um grito de criança ou um beijo roubado.
O vento passa, mas não traz cheiro de terra molhada;
traz apenas a notícia de que está passando.
E a gente sente, no peito, um silêncio que não explica.
A graça se perde devagarinho, quase com educação.
Primeiro a gente para de correr atrás do caminhão de gás só para ouvir a musiquinha.
Depois deixa de desenhar corações no vapor do vidro do banheiro.
Um dia olha para o mar e pensa em conta de luz.
No outro, vê uma pipa rasgada no céu e calcula o tempo que falta para a reunião das três.
Crescer, descobrimos, é aprender a traduzir encantamento em utilidade.
A gente vai trocando os olhos de vidro por olhos de adulto,
e o vidro, coitado, não reflete mais arco-íris.
A gente aprende que rir alto é exagero,
que chorar é fraqueza disfarçada,
que dançar sozinho na cozinha é loucura que não se assume.
E assim, com jeitinho, vamos nos tornando pessoas sérias,
pessoas que precisam de motivo monumental para se permitir um sorriso sem destino.
Quando foi que desaprendemos de nos espantar com quase nada?
Quando foi que um passarinho pousado no fio virou mero pássaro,
uma criança fazendo bolha de sabão virou estorvo,
um velho segurando a mão da mulher depois de meio século virou apenas “casal de idosos”?
A gente troca a capacidade de ver milagre pela habilidade de ver problema.
E chama isso de maturidade.
Mas há instantes, raros, em que a cortina se abre sozinha.
Um homem entra no vagão tocando violão desafinado,
cantando com a voz rachada de quem já perdeu muito.
Todo mundo finge que não é com ele.
Até que uma senhora de coque branco e rugas profundas
começa a bater palma fora do tempo,
e canta junto, tão baixo que quase é prece.
De repente o vagão inteiro se lembra de que tem coração.
Alguém sorri sem permissão.
Outro deixa cair uma lágrima que não explica.
E por trinta segundos o mundo volta a ter graça,
como quem volta para casa depois de anos sem endereço.
Nessas horas eu entendo:
o mundo nunca perdeu a graça.
Ele apenas se cansou de oferecê-la a quem já não sabe receber.
A graça continua ali, inteirinha,
escondida no jeito que a luz atravessa a folha da árvore,
no som do portão rangendo como se dissesse “bem-vindo de novo”,
no cheiro de bolo que vem da casa de alguém que a gente nem conhece.
Ela espera apenas um olhar que ainda tenha coragem de ser criança,
um coração que aceite se surpreender sem pedir certidão de utilidade.
Porque a graça não mora nas coisas grandiosas.
Mora exatamente onde a gente desaprendeu a olhar.
E talvez a única revolução possível
seja voltar a se espantar com quase nada,
voltar a correr atrás do caminhão de gás,
voltar a desenhar no vapor,
voltar a dançar na cozinha sem plateia.
Talvez o mundo só volte a ter graça
no dia em que a gente parar de ter vergonha
de ter alma.
"A criança que brinca como adulto, perde a criança. O Adulto que não brinca como criança, perde ela também."
"A vida tem que ser sempre assim: a gente nunca perde, ou acerta ou então aprende...!"
Otávio Abadio Bernardes
Itumbiara, 24 de setembro de 2025.
O efeito "marmota":
Enquanto o marmota se perde em discursos ideológicos vazios e "ciência política" de WhatsApp, para justificar sua própria ganância, existe o trabalhador real. Aquele que traz de Singapura, que revende sabonetes, plantas e pomadas, e que paga o SEFAZ, o ICMS e a nota fiscal sem chorar.
Esse trabalhador entende o que o marmota ignora:
Sem imposto pago, não há organização da economia nacional. Quem sustenta o país não é quem viaja para o exterior com dinheiro que não tem, mas quem paga suas taxas em dia e faz a mercadoria girar para o povo.
O Veredito:
O Efeito Marmota é, no fundo, um desejo de mamata. Eles querem a ordem, mas não querem a responsabilidade. Querem a ostentação, mas não querem o suor. No fim das contas, quem mantém a soberania do Brasil é quem paga o imposto com a cabeça erguida, mesmo ganhando menos, sabendo que a dignidade vem do trabalho honesto e da contribuição
A cada insignificância que você dá importância, você perde uma porção do seu tempo presente e uma porção do seu tempo futuro.
O tempo passa diferente
quando o sonho perde a vez.
Passeios, risos, violões,
danças na praia ao fim do mês.
Não foi uma história perdida,
nem lembrança de algum lugar.
Foram sonhos sem começo
que o tempo levou sem esperar.
É verdade quando dizem que ninguém morre de amor. Mas esqueceram de contar o quanto a vida perde todo o sentido quando ele falta.
" A vida doa...a vida toma...nada é por acaso...tudo se transforma...nada se perde...tudo tem sentido...veja...observe...viva intensamente...corra...beije...dance...abrace...cante...chore...sorria...e num último suspiro...último piscar...uma lágrima vai rolar...e sua face...suavemente vai sentir...a luz da vida...a escuridão da morte...quem sabe um novo caminho...ou não."✨️💞
A paz é um bem que não há dinheiro que pague e quando se perde é muito difícil de se reconquistar.
Quem vive em paz tem por dever moral em estender a mão para quem quer conquistar a paz.
Uma parte de mim
descansa por saber
que leva em si a tradição
entre belas montanhas,
sem perder esperanças.
Nasceu capaz de sair
muito antes da Primavera,
se for preciso fazer guerra
contra qualquer guerra,
e contra qualquer quimera.
Jamais por escolha
e nem por ter nascido
forjado para a guerra,
e sim por amor à terra,
nenhum pouco efêmera.
Com o brilho cortante
da estrela mais brilhante
do rigoroso Inverno
e nascido tão belo,
que ouso chamar
de meu o seu Universo.
"Vigie sua própria essência para não perdê-la: renunciar à essência é abrir mão de quem você realmente é."
Quando a sociedade perde direção, formar pessoas disciplinadas vale mais do que erguer discursos vazios.
O Direito perde sua finalidade quando a forma de combater uma injustiça produz uma injustiça ainda maior.
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