Pequenos Trechos de Amor
Eu amo meu amor. Sinto-me grato por ser agradecido. Sinto-me bem por ser quem percebe. A vida é um presente que me dei.
O Buda constrói um castelo na areia. As vagas o levam. O Buda o constrói novamente. O amor não pode ser vencido.
Soneto ao dormir
O amor é o calor que está escondido na brisa
Que ri sapeca atrás da pedra
Que sonha soturno mormaço
É o mel que se come e se dá, feito um ramalhete de borboletas
As mulheres são tão carentes porque para crescerem tiveram de perder o amor da mãe, e, depois, do pai. Os homens ainda procuram o amor da mãe. As mulheres, o que procuram?
Amor
Há quanto tempo me desejo, mas tinha medo do desejo porque não me reconhecia. A solidão é quando estamos perdidos de nós mesmos. Compreendo o mundo, é como uma garrafa que jogamos no oceano, é a esperança de encontrar maior riqueza além de nós, naquilo que não viveríamos se não soubéssemos usar o desejo.
Às vezes, a maior prova de amor não é insistir, esperar ou tentar convencer alguém a ficar. É aceitar que nem todo sentimento precisa virar uma história e seguir em frente com dignidade. O que é realmente nosso não precisa ser arrancado das mãos de ninguém.
Gostar de alguém não nos dá o direito de escolher por essa pessoa. O amor saudável não controla, não cobra e não exige reciprocidade. Ele respeita a liberdade do outro — mesmo quando essa liberdade nos leva para longe.
O amor que não se conta
Há amores que não se anunciam.
Não porque sejam pequenos, mas porque são grandes demais para o barulho do mundo.
Vivem no silêncio confortável do peito, onde ninguém entra sem permissão.
É um amor que se reconhece no instante do encontro.
Quando os olhos veem a amada, o dia muda de tom.
O tempo desacelera.
O coração que fingia normalidade entrega-se sorrindo.
Esse amor é feliz em detalhes.
No jeito como ela caminha,
na curva distraída do riso,
na voz que chega antes da presença.
E quando a noite vem, eu sonho.
Um sonho tão profundo que acordo com o cheiro dela no ar, como se o sonho tivesse atravessado a realidade.
Ninguém sabe.
E talvez seja por isso que eu seja tão inteiro.
Quando estou longe, a saudade não pede licença.
Ela se instala no peito como uma casa antiga,
abre as janelas da memória
e deixa o vento passar por tudo o que foi sentido.
É uma saudade grande, quase física.
Daquelas que apertam o coração sem machucar,
porque doem de amor, não de ausência.
Esse amor não precisa de testemunhas.
Ele existe porque vive.
Porque pulsa.
Porque transforma dias comuns em eternidade breve.
É um amor que não se conta a ninguém.
Mas que conta tudo para quem sente.
