Pequenos textos da Vida
Ecce homo
A vida sem causa
a poesia sem musíca
o assombro do caos
discussão platônica
Eis o poeta perdido
entre palavras
entre luz e escuridão
entre passado e futuro.
A musa que se perdeu
no tempo, no descuido
do afeto e da língua
no fim de tarde chuvosa.
Ecce homo, no vendaval
de retóricas, entre o mito
e o misticismo da beleza
morta, esquecida no espelho.
Evan do Carmo
DIANTE DE TANTAS VIVÊNCIAS, DE MÚLTIPLAS EXPERIÊNCIAS VIVIDAS, EM TANTAS ÁREAS DA VIDA HUMANA.
HOJE APENAS UMA COISA ME IMPRESSIONA E ME COMOVE DE VERDADE:
NÃO RARO CHEGO AO PRANTO INEVITÁVEL. É QUANDO VEJO GENTE AGINDO COMO GENTE, PRATICANDO O MAIS SUBLIME DOM DE DEUS E DA NATUREZA. DOANDO SEM INTERESSE, PRATICANDO O DAR PELA SIMPLES CONTEMPLAÇÃO DA FELICIDADE DE QUEM NECESSITA DE CONSOLO E DE ABRIGO.
Se um homem leva toda sua vida lutando contra a mediocridade contemporânea, em busca de se tornar grande, mas a sua grandeza só virá póstuma, que proveito teve este empenho...?
Assim, penso que Van Gogh está para pintura como Fernando Pessoa para poesia.... Gênios ignorados pelos estudiosos do seu tempo...
Ernest Hemingway que perdoe, não é Paris, e sim a vida que é uma a festa. Uns cantam, outros dançam, ainda outros observam e aplaudem.. Eu nasci com sorte, com dons especiais, estou entre os que cantam e dançam, ainda mais com a melhor parceira que poderia encontrar, neste mundo de desencontros e contradições para o amor....
para Iranete, 24/07/2018
Folia da vida
A vida é uma folia
uma alegria tão passageira
eu vou cantar a noite inteira
o sol não vai aparecer.
Não vou deixar você partir
pois com você quero curtir
a liberdade de um novo dia
Vem, vamos brincar
aproveitar o bom da vida
o que passou deixar pra lá
não pense mais em despedida.
SÍNTESE
Partícula de pó do verso vida
Incongruência de tanta lida
Sujeito imperfeito
Do verbo sorri, hiato mudo
Da melodia tônica
Pedaço de caos
Na euforia atômica
Homem, substantivo
Ora masculino
Mulher, finitude do amor
Fio invisível da trama de Deus.
O que somos nós, no mundo físico,
O sexo, o desejo, o canto a voz
O impossível e o improvável?
Razão e lucidez de tanto querer,
Somos tudo o que permitimos ser .
A vida está quase perfeita
com todas as coisas
em seu devido lugar.
A carreira, a mulher amada
a música, a cozinha, o vinho
a poesia, os filhos criados.
Tudo está consumado,
a plenitude da paz.
Algumas virtudes alcançadas
estou definido como um homem feliz.
Estou consciente do que virá,
impreterivelmente aguardo,
o imprevisto nas mãos de Deus
e a fatalidade e a tragédia
na intromissão do caos
Relembrar é morrer
a vida que não temos mais
um barco esquecido no mar
de saudade que ficou ao vento
no esquecimento dos temporais
relembrar é voltar ao passado
e saber que aquele cais já não existe
só o que persiste é a ilusão
em um lugar inatingível
que engana os incautos
relembrar nunca foi viver
só se vive uma vez
sentir saudades é voltar
ao que se perdeu no tempo.
Num piscar
Eh amigo, veja a vida como é
Ela passa num piscar
Num instante já não é
Você fala de uma vida tão feliz
Nunca pensava que isto ia acontecer
A tua amada que era a tua própria vida
Num instante de partida disse adeus pra nunca mais
Agora andas pela vida a duvidar
Sem encontrar uma razão pra prosseguir
Veja o mar medite na natureza
Quanta beleza, como veio a existir
E o teu amor num piscar pode voltar
Pois quem fez todas as coisas também pode recriar
SONETO PARA MEU AMOR
O amor entrou assim em minha vida
Naturalmente de maneira enternecida
Foi como balsamo seu afeto, seu carinho
De ramo e flor construímos nosso ninho.
Alimentamos um ao outro todo dia
Com vinho doce e com o pão da empatia
Tudo lá fora pode até desmoronar
Mas aqui dentro temos a calma pra lutar.
Contra a desordem deste mundo em desamor
Somos pequenos neste vasto universo
Onde escrevemos um poema vencedor.
De verso em verso somos hoje uma odisseia
Fonte de luz e de esperança
Pra quem esperar VIVER um grande amor
SETEMBRO
Já chegou setembro
e eu continuo em agosto
a vida parou, tudo fugiu
do horizonte azul
um dia sonhado.
Já chegou setembro
e eu continuo em agosto
sem brisa e mar
sem prima-vera
hoje é quimera
tudo que sonhei.
Já chegou setembro
e eu continuo em agosto
e o desespero me assegura
que não há paz e nem fartura
no amanhã de desventura
que semeamos com amargura
Já chegou setembro
e eu continuo em agosto
sem poesia, sem esperança
fiquei azedo com o desprezo
e a intolerância.
Ator
O Ator enxuga o rosto, é outro ato
sua vida uma comédia essencial
se na vida sem fingir não é feliz
no teatro do existir nada é real.
leva a vida com empenho incomum
pela glória de viver a fantasia
se a roupa não lhe cabe ele engorda
ignora o ultraje do papel
e recita a mais bela poesia.
Noutra cena ele é pai ou filho errante
abre a porta da ilusão ao sonhador
quando chora nos ilude como amante
ao sorrir nos liberta de uma dor.
Qual o motivo da guerra?
Senhor, me ajude a entender
Se a vida é tudo que temos
Por quê muitos precisam morrer?
Ao nascer nos tornamos iguais
Numa luta comum pra viver.
Imitamos a vida do pais
Que esperam da vida colher.
Ver crescer as crianças saudáveis.
Ver o mundo se desenvolver.
Trabalhando em busca da paz
Todos querem o amor entender.
Não entendo senhor a razão
Pela qual se destrói a esperança, nem porque se agride um irmão.
Se somos todos iguais nesta vida.
Triste vida.
Não existe amor sem perdão.
Evan do Carmo
FUNDO DO POÇO
Estamos vivendo
No fundo do poço
A vida está dura
Pro velho e pro moço.
A guerra e a fome
O mundo consomem
Será culpa de Deus
Ou é obra do homem?"
A doença se espalha
Fere como navalha
Corpo e alma do povo.
Mas o homem não teme
Sua sorte no mal
Cresce sua altivez
Quando a culpa é só dele
Não daquele que o fez.
Poço de arrogância
Tanto velho e criança
Sábios na intolerância
Sucumbindo ao caos.
Mas a morte é distinta
Fica a obra que pinta
Para os bons,
Para os maus.
FIM OU RECOMEÇO
Com a vida em dia,
o gato alimentado,
a cama desfeita
e a mente vazia,
tudo parece no lugar,
acordar mais um dia,
inflar o peito,
e ascender às estrelas,
certo de que cumpri
minha obrigação,
como missão sadia,
viver uma existência
convicto de que tudo vale a pena
se fiz por amor
assim correto fiz,
a vida, supostamente
chegou ao seu final,
assim o homem segue
seu curso, estendendo
a mão ao seu melhor
amigo, farto de saber
que quem reinar aqui
não é o homem
é o animal.
Nos iludimos facilmente, a ponto de nos achar importantes para a preservação da vida no planeta e para expansão do universo, com suas incontáveis galáxias.
Poeira cósmica bailando no caos, mas a presunção da frágil inteligência nos engano, sobretudo com o amparo supra divino da metafísica e do ideal de eternidade.
Soneto ao vinho
Entre os espinhos dessa vida agreste
O vinho nos conforta a dor do peito
Um cálice, um brinde ao amor celeste
Que acalma e nos traz paz em seu deleite
Em nosso ninho, aconchego e carinho
Onde o amor floresce como trigo
Em noites frias, ao som do pinho
Aconchega e aquece nosso abrigo
E assim, entre espinhos e flores
A vida segue seu curso sem temores
Ainda temos fé para amainar os dissabores
E que o vento esteja ao norte e a favor
Que em nosso ninho habite luz e calor
E que a vida seja sempre um brinde ao amor
Diante do absurdo da vida, nos resta
aceitar nossa fragilidade intrínseca,
como bem disse Montaigne em sua obra.
Nessa inconstância, a verdade se atrapalha.
Nossa existência é feita de incertezas,
num constante vai-e-vem que não se acalma.
Mas não se esqueça, amigo, de Epicuro,
que a morte não é nada para nós,
já que, enquanto vivos, ela não tem futuro.
Assim, devemos viver intensamente,
sem medo de que algo nos cause dano,
pois a vida é breve, mas é suficiente.
Soneto amor além da vida
Meu coração, por certo, palpita
Ao te ver tão graciosa e gentil.
Que nenhuma outra mulher, acredita,
Pode rivalizar com o teu perfil.
Tu és o sol que ilumina o meu caminho
E a brisa suave que refresca a minha alma,
Meu amor, minha musa, meu carinho,
Me faz sentir completo e em paz, em calma.
E quando a noite chega, meu amor,
E o céu se enche de estrelas e luar,
Nós dois juntos, sob a luz do amor,
Nos entregamos numa paixão sem par.
Te amarei além da vida, além da morte
Pois és meu sol, minha estrela, minha sorte
Oh, vida tão doce e tão amarga vida,
Sou um poeta, maldito, incompreendido,
Através das rimas, a dor é desmedida,
E o mundo em volta, é um fardo caído.
Charles Baudelaire me ensinou a sonhar,
Com o ópio deixa a mente a delirar,
Rimbaud mostrou o caminho da loucura,
E o café, ah, como ele desperta a ternura!
Mas o vinho é a minha droga preferida,
Ele me faz esquecer da solidão sofrida,
E acalenta a minha alma tão ferida.
Ser um poeta é uma sina, é um destino,
Com as palavras, eu navego sem tino
A minha alma transborda em verso divino.
