Pequena Menina dos Olhos Castanhos
A cada ano que se passa em nossas vidas,vamos abrindo aos poucos nossos olhos,enchergando e compreendendo melhor as coisas,que antes não sabíamos lidar.
SONHO AZUL:
Meus olhos te veem
Como o sol a brilhar.
Meu coração te absorve
Como o pulsar do sangue...
Meus ouvidos te ouvem
Como a praia escuta o mar.
Meu olfato te sente
Como a abelha poliniza o ar.
Minhas mãos? Ah, minhas mãos!
Te afagam como o vento ao mar.
E tua pele a transluzir
Me reluz teu âmago.
No meu sonho azul
De te amar.
MEUS DEMÔNIOS;
Se foram, brilhantes olhos meus!
O farto viço na pele se perdeu
Minhas mãos leves e flexíveis
Olhar incisivo...
E substancial essência.
Ora a fadiga te consome corpo
Físico meu.
Fantasmas noturnos
Agrupam-se a este esquálido berço
Que abriga o meu parco ser.
Nem o isótopo radiativo do carbono
Explica a precoce morte
Desse meu essencial demônio
Assim sou eu,
Deus do meu mistico ilusório
Sonho.
OLHOS QUE NÃO VÊEM:
Após uma tarde memorável em que assisti uma magnifica aula ministrada pela professora drag queen Rita Von Hunty mestranda em letras pela universidade de São Paulo acerca de uma temática bastante pertinente ao contexto Político/social da atualidade: O capitalismo e suas metástases que aniquila aos poucos as sociedades modernas.
Ao retornar à minha residência, ainda no ônibus escolar e na altura do supermercado ideal, quebra-se a rotina da viagem ao deparamos com um grande frisson.
Ao observar o que acontecia vi que funcionários das lojas estavam todos nas calçadas atônitos e os transeuntes se manifestavam na rua sob o som de uma música natalina e o brilho de luzes psicodélicas que lentamente aproxima-se decorando alguns caminhões da Coca-Cola, todos igualmente pretos, sem suas luzes convencionais, apenas iluminados por milhares de luzes natalinas que os adornavam.
Em um deles havia um grande trenó com um personagem de papai Noel e duas crianças que usavam a mesma indumentária.
Moral da história, no ônibus as mocinhas e os mocinhos todos formandos da universidade estadual da Paraíba, e que paradoxalmente alguns teriam participado da citada aula havia trinta minutos.
E no compasso daquele frisson levantaram-se de seus acentos e gritavam euforicamente: Nossa, que coisa linda! Ai meu Deus!
Logo alguém me indaga. Seu Egberto o senhor não gostou? Não acha lindo?
Ééé, respondi. Mas é de uma beleza artificial.
Essa beleza ofusca os olhos das crianças do pedregal, do morro do urubu, ramadinha, favela do papelão...
E em uma interrogativa. Isso vai para onde?
Irá ancorar no templo sagrado do capitalismo, (shopping center), o espaço público que priva. Segrega e exclui os olhos da pobreza. Por isso eu não gosto do natal.
SEM MEDO DE SER FELIZ:
"Às vezes, eu fecho os olhos para a realidade.
Fecho sim, com medo de ver o medo que sonda os "indivíduos" em uma sociedade subjetivada pelo medo.
Porque o medo, essa premissa, é uma configuração social de relação de poder imposta aos seus atores sociais.
No entanto o medo, é sim, ferramenta de controle social. E o Brasil hoje esperança alentar esse dragão.
MIOPIA
Os olhos miram o horizonte
Em buscado do que deve estar em falta.
E, por sua ineficácia não encontram.
Se quiseres chorar que chores!
... Que não seja por acaso!
Bem sabes que não morri
Apena me embriaguei
Na orla do meu cansaço.
VERSOS MARGINAIS
Meus versos não servem para você
Sujeito seco
Para olhos mudos
E coração sem júbilo
Se não és maleável
Não leia meus pensamentos
Porque meus versos derretem.
Porque a vida não é apenas viver
Eu não preciso métrica nem rima
Ou notas retilíneas
Para compor meu poema
Porque andar sempre em linha reta
Se perde nas curvaturas da vida.
Abram os olhos, antes que às mídias reacionárias lhes façam odiar os oprimidos e venerar os opressores.
- Vejo nos teus olhos radiantes o desaguar das águas salgadas do oceano. Teus lábios trêmulos como o decolar de uma aeronave. A rebeldia dos teus cabelos sedosos. Oh! Quão linda és, razão da minha existência.
Sinto que queres me dizer algo, externe esse desejo incontrolável, diga-me, alegre-me.
- Meu amor, você é muito especial, obrigado por tudo; estou apaixonada, apaixonadíssima por outro alguém. Perdoe-me!
Há algo a ser dito, feche os olhos e sinta. A coerência em saber que um gesto vale mais que mil palavras a fará compreender.
Numa primeira análise, sobretudo aos olhos do pessimismo, é o início do fim; aos olhos do sujeito alto astral - ele mesmo o otimista, é uma fase, vai passar. Que fase, hein? Mas vamos ouvir a razão, o que é a razão no mundo da incerteza, nos vieses da incompreensível e complexa concepção tenebrosa? Não sei!
Sim, confesso: tenho pedido discrição aos meus olhos, que ainda, sorriem facilmente ao espelhar com os teus.
Foi em um final de tarde de verão que descobri, que nos seus olhos claros como o céu consigo sentir, o sol no Interior dos meus olhos, que brilha quando olhas para mim.
Eu fecho os meus olhos e posso-te imaginar.
Pois, os meus desejos têm sido teus, até eu abrir os meus olhos.
Então eu gasto os meus desejos desejando-te desejar.
É quando os nossos olhos se encontram, os nossos lábios se tocam e eu encontro os teus braços, que eu me sinto segura.
As preciosidades mais valiosas que guardo são invisíveis aos olhos, mas palpáveis ao espírito, eles residem nos sorrisos e no brilho dos olhos dos meus filhos, em suas pequenas vitórias e nos momentos compartilhados de brincadeiras e risos.
A felicidade que irradiam enriquece-me, preenche-me.
Sou grata por ser agraciada com os tesouros mais preciosos e duradouros que
Deus me concedeu.
