Pensei que Nao te Amava
O tempo pode até enterrar todas as flores, mas não será capaz de eliminar suas fragrâncias deixadas como marcas de sua presença
Herege é sempre aquele que ora ao lado da Verdade e ao terminar a jaculatória não foge ao temer o demônio.
Quando uma cobra quiser sentar à mesa junto com você, lembre sempre a ela que cobras não sentam, mas rastejam.
A dona sorte é uma senhora muito rica que não empresta suas benesses a juros, mas está cheia de inadimplentes ao redor.
Quando há uma lâmpada acesa no silêncio da madrugada, pode não ter um gênio trabalhando, mas com certeza há alguém esforçado com boas ideias.
Com a evolução fica claro que não devemos comparar os macacos com os homens pela sua inabilidade em jogar xadrez, mas sim pela sua simplicidade em apenas descascar bananas.
O verdadeiro caminho não é iluminado só por luz que vivifica a alma, mas também pela sombra a dignificar o percurso.
A grande frustração de quem tem uma grande inteligência não é não atingir o topo da cognição, é não ter o mínimo de sabedoria de um iletrado.
Quem não se sente confortável na bolha da moralidade espeta sua fragilidade com a agulha da sordidez.
É claro que o demônio tem conhecimento do uso do seu nome nas igrejas, e o cachê não é pago com dinheiro, mas através de almas endividadas.
Tudo está interligado, se judeus não ingerem porcos, basta notar a lavagem cerebral que alguns fizeram contra eles.
Não são as guerras, a violência ou má sorte que podem derrotar um bom homem, somente uma mulher poderá levá-lo à ruína completa, pois dormir ao lado do inimigo é a melhor estratégia para vencê-lo.
O mundo não necessita de vingança; precisamos é de pessoas que destilem mais bebidas do que venenos.
A identidade não é substância fixa — é processo. O que a experiência clínica confirma é que o sujeito não é um, mas vários: versões que se sucedem, se contradizem e se sobrepõem, moldadas por perdas, insights e reconfigurações que não cessam enquanto há vida. A sensação de continuidade é uma construção narrativa — necessária para a coesão psíquica, mas não correspondente a uma realidade ontológica estável. O ser que acredita ser sempre o mesmo não examinou ainda a extensão das pequenas mortes que atravessou para chegar até aqui. A identidade é fluxo: série de nascimentos e despedidas que o ego organiza em ficção de unidade para que o cotidiano se torne habitável.
