Pensar em Sexo
Aceite passar pelo que precisa passar.
Aceite pensar no que precisa pensar.
Aceite fazer aquilo que deseja fazer.
Aceite viver aquilo que deseja viver.
Aceite a si mesmo.
“A inteligência artificial não precisa pensar para pensar por você”
A provocação do neurocientista Miguel Nicolelis de que a inteligência artificial não seria “nem inteligente, nem artificial” atinge um problema maior do que o nome dado à tecnologia.
Talvez estejamos fazendo a pergunta errada.
A questão mais urgente não é saber se a máquina pensa. É descobrir quanto do nosso pensamento estamos autorizando a máquina a substituir.
Inteligência, em sentido psicológico, envolve aprender, raciocinar, compreender, resolver problemas e adaptar-se. Já “artificial” designa aquilo produzido pela intervenção humana, e não algo surgido espontaneamente na natureza.
Os atuais sistemas de inteligência artificial realizam operações extraordinariamente sofisticadas sobre enormes quantidades de dados. Reconhecem regularidades, calculam probabilidades, estabelecem relações e produzem respostas que podem parecer compreensão. Mas aparência de compreensão e compreensão são problemas diferentes.
A máquina pode produzir uma resposta correta sem saber que está correta. Pode produzir uma resposta falsa com a mesma fluência.
E aqui começa o verdadeiro problema.
A inteligência artificial não precisa ter consciência para influenciar uma consciência.
Quanto mais convincente for a resposta, maior será a tentação de confundir fluência com verdade, precisão linguística com precisão científica e probabilidade estatística com conhecimento.
Por isso, talvez o maior risco da inteligência artificial não seja ela aprender a pensar como nós.
É nós desaprendermos a pensar sem ela.
Uma humanidade sem discernimento transforma ferramenta em autoridade. E quando terceirizamos não apenas a informação, mas também o julgamento sobre a informação, deixamos de utilizar a tecnologia e começamos silenciosamente a obedecê-la.
A máquina pode ampliar o conhecimento humano.
Mas não deveria receber automaticamente autoridade sobre ele.
A IA pode responder por você. O perigo começa quando você permite que ela decida o peso que a própria resposta merece.
Informação pode ser artificialmente produzida.
Autoridade não deveria ser artificialmente ou automaticamente concedida.
Carlos Eduardo Balcarse
Psicanalista, Educador, Escritor e Pesquisador
Viver para agradar os outros é parar de viver para si mesmo. Liberte-se do que vão pensar e assuma a sua própria história. ✨🦅🙌
“Pedagogia do Discernimento: educar não é ensinar o que pensar”
Nunca tivemos tanto acesso à informação. Isso não significa que aprendemos a discernir.
A educação pode transmitir conhecimento, desenvolver habilidades e ampliar repertórios. Mas permanece uma pergunta anterior a todas essas tarefas: como alguém aprende a decidir quanto peso aquilo que recebe, pensa, sente ou acredita merece ter sobre sua compreensão, suas decisões e suas ações?
É nesse problema que se situa a Pedagogia do Discernimento.
Discernir não é desconfiar de tudo. Não é rejeitar autoridades, emoções, tecnologias ou conhecimentos anteriores. É aprender a perceber, distinguir, regular e reconstruir. É examinar não apenas o objeto — uma informação, uma fonte, uma ideia —, mas também o sujeito diante dele: suas crenças, memórias, emoções, interesses e interpretações.
Por isso, desaprender não significa apagar o que foi aprendido. Significa reconhecer quando determinado modelo perdeu sustentação suficiente para continuar exercendo a mesma autoridade sobre nós. Reaprender é reconstruir sem transformar a nova conclusão em dogma.
Em tempos de inteligência artificial, desinformação, excesso de conteúdo e disputas por atenção, talvez uma das funções mais importantes da educação seja justamente esta: não determinar o que merece ser pensado, mas ensinar a examinar quanto do que pensamos merece continuar nos governando.
A Pedagogia do Discernimento, proposta por Carlos Eduardo Garcia Moreno Balcarse (Carlos Eduardo Balcarse), apresenta o discernimento como capacidade educável, multidimensional e situada, articulando educação, pensamento crítico, metacognição, autonomia epistêmica, autoridade epistêmica, consciência e aprendizagem reconstrutiva.
Artigo científico: Pedagogia do Discernimento
Autor: Carlos Eduardo Garcia Moreno Balcarse — Carlos Eduardo Balcarse
Revista JRG de Estudos Acadêmicos, 2026, v. 9, n. 21, e093789.
DOI: 10.55892/jrg.v9i21.3789
ARK: 57118/JRG.v9i21.3789
Carlos Eduardo Balcarse
“Educar para pensar é importante. Educar para discernir é ensinar a não entregar ao próprio pensamento uma autoridade que ele ainda precisa justificar.”
Brasil: país da impunidade.
Não é de graça a dificuldade
de si pensar em clemência
para os envolvidos do 8 de
janeiro, por parte da mídia.
Ninguém escreve para si mesmo, se pode até pensar assim: porém escrever é encontrar com o outro na arte do viver — para escrever algo o outro precisa estar presente; sem o outro as palavras não respiram no texto...
Você pode pensar:
“Eu não quero frequentar uma igreja.”
Isso é uma escolha.
Outra pessoa pode pensar:
“Eu encontro minha espiritualidade justamente na comunidade da igreja.”
Também é uma escolha.
Talvez um dos maiores riscos da Preguiça de Pensar seja nos apaixonarmos pelos que fingem que o fazem.
Sempre que as certezas se atreverem a flertar com a nossa Liberdade de Pensar, que a dúvida nos abrace! Amém!
Porque é no abraço da dúvida que o pensamento, livre, leve e solto, respira — livre do jugo das respostas prontas, longe do conforto das verdades fabricadas.
A dúvida não é inimiga da fé nem do saber; é o ventilador da consciência, o sopro que impede que o pensamento apodreça no mofo das convicções.
As certezas constroem muros, a dúvida, pontes.
A certeza se alimenta da repetição, a dúvida, da curiosidade.
A convicção grita, a dúvida escuta.
E se o mundo parece girar ao som das certezas, é apenas porque poucos ainda têm coragem de dançar ao ritmo incerto da dúvida.
Que nós nunca nos acostumemos com o conforto das respostas — e que a nossa liberdade de pensar por conta própria seja sempre maior do que a vontade de estar certo!
Amém — mas com o coração movimentado e aquecido pela dúvida.
A peça
mais ignorada da
era moderna:
a Liberdade de Pensar Por Conta Própria.
Na vitrine da era moderna, a peça mais ignorada não é rara nem cara: é a liberdade de pensar por conta própria.
Ela não falta — é caprichosamente deixada de lado.
Troca-se o esforço do pensamento pelo conforto da opinião pronta, o risco da reflexão pelo abrigo das certezas emprestadas.
Pensar dói, cansa e nos expõe.
Concordar, não.
Vivemos tempos em que repetir é mais seguro do que questionar, e discordar já até virou afronta.
A liberdade de pensar exige silêncio, tempo e coragem — três luxos considerados improdutivos numa época que recompensa barulho, velocidade e alinhamento.
Quem pensa por conta própria, normalmente desagrada.
Não serve bem a rótulos, não marcha em fila, não ecoa slogans.
Por isso, essa liberdade é tão evitada: ela nos cobra muita responsabilidade.
Obriga-nos a sustentar ideias sem muletas, a errar sem terceirizar culpas e a rever posições sem chamar isso de fraqueza.
Talvez o maior sinal de maturidade não seja ter opinião sobre tudo, mas saber quando ela realmente nasceu de dentro — e não do medo de não pertencermos à manada.
Na era dos excessos de informações e das verdades fabricadas, pensar por conta própria virou um ato de resistência extremamente silenciosa.
E, ironicamente, um dos poucos espaços onde ainda é possível ser realmente livre.
Seria muito confortável pensar com a cabeça dos Sequestradores de Mentes, mas prefiro o caos da minha Autonomia.
Seria de fato confortável como uma poltrona que abraça o corpo e acaricia a consciência.
Não haveria dúvidas, nem o peso das escolhas.
As opiniões já viriam prontas, embaladas em slogans, mastigadas por vozes eloquentes que prometem pertencimento em troca de obediência.
Pensar daria trabalho; repetir, nem tanto.
Os Sequestradores de Mentes oferecem mapas prontos para quem tem medo de se perder ou se encontrar.
Transformam complexidade em palavras de ordem, divergência em ameaça e reflexão em fraqueza.
E, pouco a pouco, a autonomia vira um luxo dispensável.
Mas há algo profundamente humano no caos de pensar por si.
A autonomia não é confortável.
Ela é inquieta.
Obriga-nos a rever certezas, a admitir contradições, a mudar de rota sem plateia nos aplaudindo.
Quem escolhe a própria cabeça como morada precisa conviver com o silêncio das decisões solitárias e com a responsabilidade pelos próprios erros.
Ainda assim, prefiro o caos da minha autonomia.
Prefiro o desconforto de construir minhas convicções ao conforto de terceirizá-las.
Prefiro a dúvida honesta às certezas emprestadas.
Prefiro tropeçar nas minhas próprias ideias do que marchar seguro sob a sombra das ideias alheias.
Porque, no fim, o caos da autonomia pode até me desorganizar — mas é ele que mantém viva a liberdade de ser inteiro e a graça de poder conviver comigo mesmo.
A Liberdade de Pensar por Conta Própria começa ao desconfiarmos das certezas que nunca deram trabalho para questioná-las.
Porque tudo aquilo que chega pronto, embalado em convicção absoluta, raramente nos convida ao esforço do pensamento — apenas à aceitação.
E aceitar sem resistência pode ser confortável, mas dificilmente é libertador.
Pensar por conta própria exige atrito: com ideias, com crenças herdadas, com narrativas que parecem sólidas demais para serem tocadas.
Há uma sedução muito silenciosa nas certezas fáceis.
Elas nos poupam tempo, nos dão senso de pertencimento e nos protegem da dúvida — essa companheira incômoda, porém essencial.
No entanto, é justamente na dúvida que o pensamento crítico ganha fôlego.
É ali, no espaço entre o que vimos e ouvimos e o que conseguimos compreender por nós mesmos, que nasce a autonomia.
Desconfiar não é negar tudo, mas recusar o papel passivo diante do que nos é apresentado.
É fazer perguntas onde só existem respostas prontas.
É suportar o desconforto de não saber, em vez de se apegar a uma segurança artificial.
Afinal, ideias que nunca foram questionadas não são necessariamente verdadeiras — apenas bem empacotadas e acomodadas.
Pensar por conta própria não nos torna imunes ao erro, mas nos torna responsáveis por ele.
E talvez seja esse o preço — e ao mesmo tempo o privilégio — da liberdade de pensar: não apenas ter opiniões, mas construí-las com consciência, revisá-las com humildade e, quando necessário, ter coragem de abandoná-las.
Porque, no fim, a verdadeira liberdade não está em ter certezas inabaláveis, mas em não ser prisioneiro delas.
Desde que a FIFA passou a pensar com os pés, a torcida com as cabeças dos outros, nossos futebolistas já não usam nem eles, nem a cabeça.
Talvez o problema nunca tenha sido exatamente o futebol, mas o que fizemos dele.
Um jogo que nasceu como expressão espontânea de corpo, inteligência e improviso foi sendo lentamente capturado por interesses que preferem o automático ao criativo, o previsível ao genial.
Pensar com os pés, nesse contexto, deixou de ser metáfora poética da habilidade e virou sintoma de uma inversão: decisões tomadas longe do campo, desconectadas da essência do jogo.
A torcida, por sua vez, que antes era extensão pulsante da arquibancada, passou a reproduzir discursos prontos, terceirizando até suas próprias emoções.
Já não se vibra apenas pelo que se vê, mas pelo que se manda sentir.
E quando a emoção deixa de ser autêntica, ela facilmente se transforma em massa de manobra — barulhenta, intensa, mas pouco consciente.
E os jogadores?
Esses parecem cada vez mais pressionados a cumprir roteiros invisíveis.
Entre contratos, estatísticas e expectativas infladas, o improviso — que sempre foi a alma do futebol — vai sendo sufocado.
Jogar com a cabeça, no sentido mais nobre, exige liberdade para pensar, arriscar e errar.
Mas, em um ambiente onde o erro custa caro demais, a criatividade se torna um luxo perigoso.
No fim, talvez estejamos todos participando de um jogo que já não reconhecemos completamente.
Um jogo onde se corre muito, fala-se demais e pensa-se de menos.
E aí, ironicamente, aquilo que sempre nos encantou — a inteligência que nasce do corpo em movimento — vai sendo substituído por uma coreografia previsível, eficiente… e cada vez menos humana.
Desde que a CBF passou a pensar com os pés, nossos futebolistas já não usam nem eles, nem a alma, nem a cabeça.
E isso é tão provocativo quanto uma bicuda do meio de campo, mas toda provocação nasce da inquietação diante de uma realidade que insiste em se repetir.
O futebol brasileiro, que durante décadas encantou o mundo pela criatividade, pela inteligência e pela irreverência, parece ter trocado a ousadia pela burocracia, a inspiração pela previsibilidade e a identidade pela conveniência.
O futebol nunca foi só um mero esporte para o Brasil.
Sempre foi uma manifestação cultural, uma linguagem natural.
Cada drible era um ato de liberdade, cada passe revelava inteligência, cada gol carregava a alegria e a esperança de um povo que transformava dificuldades em espetáculo.
Mas, em algum momento, essa essência começou a flertar com agendas ocultas pelos corredores do poder.
Quando quem dirige o futebol demonstra falta de visão, planejamento e compromisso com um projeto de longo prazo, essa pobreza de ideias inevitavelmente chega ao gramado.
Jogadores passam a executar mais do que criar, obedecer mais do que interpretar o jogo.
O improviso deixa de ser virtude para se tornar risco, e o medo de errar sufoca a coragem de tentar.
Os pés, antes instrumentos da genialidade, tornaram-se mecânicos.
A cabeça, que fazia do improviso uma estratégia, passou a seguir fórmulas prontas.
E a alma — aquela chama que transformava partidas comuns em momentos inesquecíveis — parece ter sido deixada para trás, substituída por um futebol eficiente apenas na aparência, mas incapaz de emocionar.
Não faltam talentos ao Brasil.
O que falta é uma direção capaz de compreender que o futebol não se resume a números, esquemas táticos ou interesses meramente políticos.
Grandes jogadores precisam de um ambiente que estimule a inteligência, preserve a criatividade e respeite a personalidade de quem entra em campo.
Afinal, o futebol sempre exigiu pés habilidosos, mas jamais dispensou uma cabeça pensante e uma alma apaixonada.
Perder faz parte do jogo.
O que não pode fazer parte da nossa história é perder a identidade.
Porque títulos podem voltar, como tantas vezes voltaram.
O que será muito mais difícil recuperar é aquilo que fez o mundo olhar para o futebol brasileiro com admiração: a capacidade de jogar com alegria, pensar com inteligência e competir com coragem.
Enquanto a gestão continuar tropeçando nas próprias escolhas, continuaremos produzindo um grande paradoxo: um país que revela alguns dos maiores talentos do planeta, mas que insiste em desperdiçá-los por falta de direção.
E talvez seja esse o retrato mais triste do nosso futebol: não a ausência de craques, mas a escassez de ideias.
Porque, no fim das contas, quando quem deveria pensar passa a fazê-lo com os pés, sobra aos que jogam apenas correr.
E um futebol que deixa de usar os pés com arte, a cabeça com inteligência e a alma com paixão pode até vencer de vez em quando, mas jamais voltará a nos encantar como antes.
