Pensamentos de Mário Quintana

Cerca de 180 pensamentos de Mário Quintana
Mario de Miranda Quintana (1906 - 1994) foi um poeta, tradutor e jornalista brasileiro. Foi considerado o "poeta das coisas simples", um dos maiores poetas brasileiros do século XX.

A arte de escrever é, por essência, irreverente e tem sempre um quê de proibido: algo assim como essa tentação irresistível que leva os garotos a riscar a brancura dos muros.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
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Sempre fui metafísico. Só penso na morte, em Deus e em como passar uma velhice confortável.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
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⁠Sempre

Sou o dono dos tesouros perdidos no fundo do mar.
Só o que está perdido é nosso para sempre.
Nós só amamos os amigos mortos
E só as amadas mortas amam eternamente…

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⁠Verão

Há sempre, afastada das outras, uma nuvenzinha preguiçosa que ficou sesteando no azul.

Mario Quintana
O segundo olhar. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2018.
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O bicho,
quando quer fugir dos outros,
faz um buraco na terra.

O homem,
para fugir de si,
fez um buraco no céu.

Mario Quintana
As covas. In: A vaca e o hipogrifo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

Velhice é quando um dia as moças começam a nos tratar com respeito e os rapazes sem respeito nenhum.

Mario Quintana
A vaca e o hipogrifo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

Há dois sinais de envelhecimento. O primeiro é desprezar os jovens. O outro é quando a gente começa a adulá-los.

Mario Quintana
Cautela!. In: A vaca e o hipogrifo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.

O homem é um bicho que arreganha os dentes sem necessidade, isto é, quando nos sorri.

Mario Quintana
História natural. In: A vaca e o hipogrifo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
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Os silêncios

Não é possível amizade quando dois silêncios não se combinam.

Mario Quintana
Poesia completa. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2006.
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As que ocultam o rosto quando choram é para disfarçarem que estão rindo.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
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Um autor, primeiro, é assunto. Mas a glória, mesmo, é quando ele vira falta de assunto.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
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Um poeta sofre três vezes: primeiro quando ele os sente, depois quando os escreve e, por último, quando declamam os seus versos.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
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Quando fechas o livro, eles alçam vôo
como de um alçapão. @omarioquintana

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” Querias que eu falasse de "poesia" um pouco mais... e desprezasse o quotidiano atroz... querias... era ouvir o som da minha voz e não um eco - apenas - deste mundo louco!”

(trecho extraído do livro em PDF: Baú de Espanto)

O mais espantoso nos velhos é a sua falta de pressa, como se eles dispusessem de todo o tempo que teriam os moços se não tivessem tanta pressa.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.

Hoje o que mais se precisa é de silêncios que interrompam o ruído.

Mario Quintana
A vaca e o hipogrifo. Rio de Janeiro: Objetiva, 2012.
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O que mais me revolta nas matemáticas são as suas aplicações práticas.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
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O mais difícil na morte é acomodar-se a gente aos novos hábitos.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
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O mais triste nas praias de verão é que nos assemelhamos a um bando de focas tropicais.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
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O mais triste das dedicatórias são as datas.

Mario Quintana
Caderno H. Rio de Janeiro: Objetiva, 2013.
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