Pena eu Nao fazer parte do seu Mundo
Luto Vivo
Lutar contra um luto vivo
não é tão simples assim.
São dores profundas
que atracam a capacidade de viver,
como âncoras pesadas
presas no fundo da alma.
Você se sente viva…
mas ao mesmo tempo
sente a própria pele
consumindo os ossos.
Porque a carne que ainda respira
vai se desfazendo lentamente
na angústia
e numa solidão devastadora.
E quando alguém aparece
com amor nas mãos
tentando te alcançar…
você o puxa também
para esse buraco escuro,
avassalador,
sem fundo.
Como se o vazio
engolisse tudo
que ousa se aproximar.
E assim, sem querer,
talvez você elimine
uma das poucas chances
de voltar
a ser feliz.
Afortunado é aquele que não se limita a axiomas suscetíveis de algum sentido, mas, sim, comunga da sublime experiência de perscrutar as verdades universais, mesmo que, inicialmente elas se mostrem incongruentes.
A perfeição do corpo não existe, é apenas uma invenção social diante do corpo que deixo-o contemplado
MAR DE MARIA
A Maria Bethânia...
Se não posso dar-te, o verde mar...
E não posso dar-te, a luz do dia
Dar-te-ei portanto, o que nos versos há
De mim e do meu mar de simbologia...
Mar de Deus...
Mar que é seu
Mar que vislumbro...
Mar de Zeus...
Mar de breu
Mar de gira-mundo...
É o mesmo mar que se recosta...
O mesmo mar que vem e volta
O mesmo que minh'alma conforta...
Mar de todos os santos...
Mar de portos, tantos!
Mar de cantos e prosas...
Mar da grandiosa Baía...
Mar da luminosa rainha
Mar de coroas e rosas...
Mar de verde água luzidia...
Mar que não é o de Sophia
Mar que é só... Mar de Maria!
(MAR DE MARIA - Edilon Moreira, Maio/2015)
Não é fácil para ninguém, todos passamos dificuldades nesta vida e nem foi por essas circunstâncias que deixamos de seguir.
A dor dói, mas não mata, ela só nos faz amadurecer e aprender que nem sempre teremos o que queremos.
Me sinto importante quando ponho sigla nas coisas.
MSI, QPSC.
O outro não precisa entender,
sou dinâmico, tô por dentro, e VSFdê.
Ninguém consegue adivinhar como vai ser um relacionamento, às vezes pode dar certo ou não.
O que vale é a experiência, então analise bem com quem você está.
Rua e Lago não combinam quando estão longe;
E não combinam quando estão próximas.
O horizonte itinerante dos olhos teus,
Ajuda essa não combinação toda.
Heroica Desistência
Demétrio Sena - Magé
Algumas vezes não luto. Cedo e me acomodo bravamente. Foi o que fiz há mais de vinte anos, com a implosão do meu organismo, em razão da ausência do sistema linfatico, ao ser conduzido a um hospital, quase na certeza de morrer: tinha desenvolvido uma septicemia. Septicemia é quase sentença de morte. Lembro-me do meu coma semiconsciente, quando só eu sabia que estava semiconsciente: não orei, não recorri a nenhuma fé, não pensei nas pregações religiosas que sempre ouvi, e sequer passou pela minha cabeça qualquer temor do suposto inferno, profano que sou. Só me deixei. A minha condição de saúde lutando contra mim, sem ter a menor das resistências, de minha parte.
Dias após, ocorre o que chamariam de milagre, se eu fosse um "homem de Deus", ou de "Deus, pátria e família", e minha família tivesse reunido "oradores" ao meu redor. Naqueles anos, ainda era permitido que grupos religiosos fossem aos hospitais oprimir doentes, ameaçar com o inferno, caso morressem "sem salvação". Abusar da fragilidade e da "paciência" do paciente, para impor-lhe uma fé cristã. Cruzadas hospitalares do medo e das "ameaças santas".
Depois de muito não lutar e assim mesmo voltar para casa, percebi que os medicamentos tratavam minha patologia, mas me deixavam inerte, sem força e ânimo. Mais uma vez resolvi deixar estar e abrir mão dos medicamentos, mesmo crendo na ciência e na medicina, porque afinal, não sou bolsonarista. Só tomei a decisão de arriscar viver menos, com mais qualidade de vida. Não "preguei" minha decisão que parecia negacionismo. Só fiz uma escolha perigosa, em situação única; muito pessoal. Sem influenciar um possivel coletivo com teorias maciças da conspiração.
Como a perna esquerda parecesse representar perigo a todo o organismo, logo veio a tentativa do médico, de cortá-la, porque com ela, eu morreria em seis meses. Tudo havia implodido entre ela e a virilha, onde ainda está minha bomba-relógio. Demorada bomba-relógio, que não decide o que fazer. Como estava consciente, não permiti. O médico não mentiu; apenas calculou mal: por pouco a minha "brava desistência" não "me levou", mas algo se acomodou dentro de mim, tanto quanto eu. Ainda estou vivo. "Ainda estou aqui". Caminho longas distâncias, pedalo e ainda faço uma ginástica mequetréfi diária, não por músculos (realmente não os tenho), mas por manutenção.
Vivo como se a vida fosse companheira fiel; não a coisa traiçoeira que me deixa solto em um labirinto. E nesta vida, faço tudo sem disputa: sou um escritor que não busca fama e troféus; trabalhador que não deseja ser destaque; cidadão que já rejeitou comenda municipal (título de cidadania), porque nada disso me completa. Só me completa o fazer. A chance de levar meus feitos aos olhos de quem aprecia. Quem aprecia de verdade; não finge uma vez a cada quatro anos. Ombradas e rasteiras? Exclusões? Enfrento muitas e nada faço; sigo meu caminho, bravamente acomodado com o que sou, quem sou, e com o que acredito. Minha fé é na vida e nos seres humanos que restam da maioria. Tem muita gente boa no mundo.
Perfeito? Longe de ser perfeito.Tenho fama de mau, esquisitices que ninguém intui, como acho inteiramente normais, práticas que o moralismo abomina. Mas tudo isso de mim para mim mesmo. Zero maldade contra o próximo. Zero trama para "me dar bem" às custas do outro. Zero preconceito, zero separarismo, vingança e qualquer farsa para me mostrar melhor do que sou. Se você não acredita, zero preocupação. Desisto heroicamente. De você.
... ... ...
Respeite autorias. É lei
Para a quebra das certezas que nos limitam, precisamos entender que a verdade não é um objeto que possuímos, mas algo que buscamos.
Sem amor nada faz sentido
Me sufoca o ar raro efeito.
Não consigo respirar.
Aqui é frio.
Onde posso me esconder?
O poder do amor soterra,
maltrata o amante,
mata quem é amado.
O que me faz amar, além da morte?
O meu corpo não pensa.
Meu destino é segredo.
No incêndio da mente,
o poder é destrutivo.
Ruas destruídas,
estradas sem saídas,
queimadas por todos os lados.
Falta água.
Nos últimos dias,
tudo se dispersou,
se alinhou
e seguiu.
Vejo o amor despido,
enlouquecido,
nos seus delírios,
se entregando.
Carlos de Campos
Talvez a evolução não seja sobre quem é o mais forte, mas sobre quem desenvolve sabedoria antes de desenvolver o poder de autodestruição. Se não pararmos de nos dividir, o silêncio do universo que discutimos no Paradoxo de Fermi pode ser, no fim das contas, o destino de toda civilização que não aprendeu que a união é o único caminho para as estrelas.
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