Pe Fabio de Melo os que te Amam
SENTIMENTO PREMIADO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sempre fui mais feliz do que você, justamente pela ilusão da qual vivi. Tive na inocência o poder de acreditar em mentiras e dissimulações que abracei como verdades incontestáveis. Ainda hoje sou mais feliz, porque posso cultivar as saudades que só eu tenho do que só existiu em meus sentimentos. Quando quero, revisito emoções guardadas em um lugar inacessível para você.
Jamais tive que achar entre mil expressões, maquiagens ou traços de felicidade. Não precisei usar máscaras tecidas por trejeitos, palavras e ações. Efeitos especiais para mostrar, sabe-se lá por que razão, inexistentes desejos; prazeres; vontades. Fui o que sou com quem foi o que não é. Foi tão somente para mim. Nunca para si própria, porque temia o fim do que sequer começou em seu coração.
Meu amor a punia por ser fingida e me premiava pela transparência. Enchia minh´alma de sorriso e vida, com sua conivência equivocada. Foram muitas as flores que lhe dei... que se tornaram espinhos em seus recantos obscuros. Tentei fazê-la feliz, e fui usado... usado e feliz, porque me deixei fluir livremente no folhetim escrito por sua infelicidade natural.
SEM PÉ NEM CABEÇA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Minha vida parece um poema concreto;
tem os baques incertos; os caminhos tortos;
vai do teto ao porão sem cadência medida,
volta, vai e revolta, se congela e quebra...
Meu enredo é partido em pedaços miúdos
e refeito em mosaico a cada vez que ocorre,
morre tanto que vive de morrer de susto
pra tornar a fazer o percurso ao seu alvo...
Sou sem pé nem cabeça da cabeça aos pés,
um revés que se acerta nos erros em série,
Hiroshima implodida e refeita sem fim...
Porém olhe pra mim; você verá que sou
algo mais do que show pra mostrar personagem
ou miragem de alguém que não há como ser...
QUEIXA POÉTICA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Respeitarão meu poema down; meu soneto de pé quebrado; minha trova fora de compasso. Tratarão com respeito meus versos mal vestidos; carentes de medida; com uma sílaba menos ou algumas sílabas mais do que as milícias literárias ordenam. calarão diante da simplicidade sincera do meu poetar sem lei, lenço e documento..
Farão isso, ou me queixarei aos direitos humanos literários, por ser vítima de preconceito poético. Por não respeitarem a natureza humana, divina e social de minhas letras. Não aceitarei, de modo algum, que discriminem minha poesia especial; portadora de necessidades afetivas e de razões menos conservadoras.
CIDADÃO DO MUNDO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ser humilde, mas nunca ser ovelha;
ter amor sem perder o próprio brio;
concordar, discordar sem me trair,
sem cair nas amarras dos mandantes...
Tenho lado, partido, às vezes crença,
mas me livro, descarto e digo basta,
quando menos se pensa em meu poder
de pensar e sentir por conta própria...
Quero ser o que sou, mas no caminho,
posso estar, trocar pele, até conceitos,
deixar ninho e voltar se assim quiser...
Sei rasgar os padrões e os uniformes;
desmentir os informes, as cartilhas
da direita, da esquerda e do volver...
POR(NÓS)
Demétrio Sena - Magé
Fantasia que visto ao me despir;
tua pele grudada nos meus pelos;
meus apelos rompendo as tuas coxas,
indo às aguas profundas do prazer...
És um sonho teimoso em minhas noites,
o meu sono deságua em tua fonte,
os açoites de beijos e carícias
trazem todo meu vício à flor da pele...
Misturamos as nossas melaninas;
o suor das salinas dos desejos
nos tempera de todos os aromas...
É assim que desperto em solidão,
minha mão te procura no meu corpo
e termina por nós o que não houve...
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CRISTIANISMO LARANJA
Demétrio Sena - Magé
Acho que Jesus Cristo só é "adorado" pelos cristãos (desse jeito, entre aspas), por ter morrido, fisicamente. Os cristãos alardeiam que ele ressuscitou, mas não o veem; por isso, ficam tranquilos. Cristo não se faz presente, na sua forma física, e sendo assim, não tem como proibir essa vasta utilização distorcida, fraudulenta e tirana do seu nome.
Seria terrível para os cristãos, o Cristo vivo. Ele não aceitaria o que seus atuais pseudo seguidores fazem. Vetaria o cristianismo da vantagem, da esperteza, da disseminação do ódio e da desinformação (agora tolerada por lei, por exigência dos líderes cristãos)... do enriquecimento ilícito e do empoderamento para dominar o outro. Cristo seria oposto ao cristianismo fanático, do preconceito e da segregação... da invenção de falsos Cristos, falsos Messias, por meio da politicagem com vistas à ditadura tanto política quanto religiosa.
Com certeza, Jesus Cristo criaria laços de afeto com membros de todas as religiões e com os não religiosos. A sua forma legítima de aceitar o outro seria livre. Ele restituiria, contra todos os dogmas religiosos contemporâneos alheios à contemporaneidade cabível para os novos tempos, o cristianismo do amor ao próximo... da união das formas de ver o mundo, amar, sentir a vida, buscar a felicidade pessoal e não impedir a felicidade coletiva que abraçasse todas as pessoalidades não nocivas ao outro.
O que acontece no meio cristão, só tem como acontecer com Cristo estando morto. Cristo vivo seria frustrante para esses cristãos absolutistas, exclusivistas e supostos donos de uma verdade privada. Para esses, Cristo bom é Cristo morto. Devidamente crucificado. Laranja da ortodoxia de conveniência.
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Respeite autorias. É lei
PRA REVIVER
Demétrio Sena - Magé
Desta vez entendi que o que sinto é tão só;
tantos anos perdida no seu faz de conta,
que minha'lma ficou embevecida e tonta
por um laço que a mágoa transformou em nó...
De repente o castelo ao vento se desmonta,
como todos os sonhos se tornaram pó;
minha voz perde as notas, o que tenho é dó,
mas nem é musical; a música me afronta...
Sairei desta sombra, porque sempre o fiz;
tantos tombos na vida me deram destreza
pra seguir outra vez e tentar ser feliz...
Entre todos os meios de chegar ao fim,
decidi que não vou me render à tristeza
por alguém que brincava de gostar de mim...
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Respeite autorias. É lei
VALE TUDO
Demétrio Sena - Magé
Vale tudo pra porcos em couro de gente,
para o lobo na pele de cordeiro magro,
toda mente ocupada pelos intestinos
ou pro agro sem olhos para o ser humano...
Tudo vale pra todos que não valem nada,
pro carrasco que finge ser o condenado,
pra malvada no espelho que a chama de boa
e vilão diplomado como paladino...
As milícias com fardas de policiais,
os malandros formais em tribunas e ternos,
cristandade perversa comparsa do mal...
Vale até Cristo novo a revogar a graça,
porque só a desgraça da lei do mais forte
pode ser divertida pros donos das leis...
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Respeite autorias. É lei
HERÓI BANDOLEIRO
Demétrio Sena - Magé
Há um chão, mas não sinto sob o pé,
tenho ar e meus brônquios não aspiram;
nem há fé, mesmo havendo no que ter;
os instintos conspiram contra mim...
Eis o mundo, entretanto, caos e treva,
tanta vida e nenhuma em meu olhar,
porque neva em minh'alma solitária
sobre o mar onde o nada faz a onda...
Não há dor nem há gozo, e isso dói;
sou herói bandoleiro em debandada
na vertigem da própria solidão...
Levo sonhos, mas neles, pesadelos;
meus novelos tricotam mil novelas
entre as telas da minha realidade...
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Respeite autorias. É lei
Tenho pensado muito no Brasil, pensado ainda mais nos brasileiros. Aliás, tenho pensado muito nas pessoas, nas crianças, nos jovens, nos "combatentes" da terceira idade; Tenho refletido sobre o papel de cada um, diante de cada momento, e de cada circunstância; Tenho reparado no semblante dos que caminham, dos que apenas observam, dos que gritam, e dos que choram...
A mente que brilha na penumbra não é deveras uma mente brilhante, pois se assim fosse não haveria penumbra!
Não me orgulha não ter uma formação acadêmica. Mas, estranhamente, isso me alivia mais do que me pesa
Corpo a Corpo
William Contraponto
Teu cheiro chegou primeiro.
Nem palavra, nem nome.
Apenas pele
em estado de intenção.
Tinhas o torso do erro
que eu nunca quis evitar,
e um olhar de quem conhece
a língua dos labirintos.
Não havia futuro em nós —
havia agora.
Esse agora denso,
que se despe com os dentes
e se escreve no escuro.
Minhas mãos em tua nuca,
teus quadris contra o mundo,
e tudo o que não sabíamos dizer
se dizia ali,
em cada investida.
Não fizemos amor —
fizemos ausência.
Do que disseram que era certo,
do que juramos reprimir.
Fizemos vício,
feito dois animais
com pensamento demais.
Depois, o silêncio.
Não o constrangido —
mas o pleno.
Como quem sabe
que o que aconteceu
não precisa de legenda.
E quando partiste,
deixaste um rastro de ti
no cheiro do lençol,
e um pouco de mim
nas tuas costas.
Ventanias emocionais sacodem a alma, perturbam o coração, porem os que tem fé continuam de pé apesar da tempestade.
Quando perceber que as coisas deste mundo escravizam a humanidade em direção ao "nada", perderá o encanto pela ambição material, iniciando um novo processo de desapego, talvez, imbuído da coragem, depois de algum tempo de sofrimento, entre a separação do material e espiritual, encontrará o caminho da libertação rumo à Eternidade.
"Amava, quando era a minha boca, a tapar seus gritos.
Adorava os sussurros descuidados, ao pé do ouvido.
Me perco na lembrança, da dança de nossos corpos, onde com um único olhar, nossas almas se completavam e se ouvia até o pulsar dos corações, e os seus suspiros.
Eu e você, nós; meu eterno vício.
Sou viciado no gosto do beijo, no aveludar da pele e dos cabelos, cada fio.
Minhas palavras são súplicas, a quem me dera só suplício.
Não te apago da mente e mesmo que o fizesse; me apegaria a cada resquício.
Você fora o meu presente vindo dos céus, que do meu eu, jamais deveria ter partido.
Doeu-me na alma, torturado, vê-la indo.
Quando em seu abraço, foram as poucas vezes, que pude me aproximar do divino.
O castanho dos olhos, o desenho da boca, o negror dos cabelos, o conjunto da obra, dos desenhos do Pai, você é o mais lindo.
Saudades de quando me iluminava a vida, com seu sorriso.
Hoje, acordei atônito, na madrugada, pareceu-me ter te ouvido.
Não te olvido.
Hoje, pela madrugada, só lhe restou, em silêncio clamar por meu nome, pois infelizmente, não tens minha boca, para tapar seus gritos..." - EDSON, Wikney
