Pe Fabio de Melo Amar
CIDADÃO DO MUNDO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Ser humilde, mas nunca ser ovelha;
ter amor sem perder o próprio brio;
concordar, discordar sem me trair,
sem cair nas amarras dos mandantes...
Tenho lado, partido, às vezes crença,
mas me livro, descarto e digo basta,
quando menos se pensa em meu poder
de pensar e sentir por conta própria...
Quero ser o que sou, mas no caminho,
posso estar, trocar pele, até conceitos,
deixar ninho e voltar se assim quiser...
Sei rasgar os padrões e os uniformes;
desmentir os informes, as cartilhas
da direita, da esquerda e do volver...
POR(NÓS)
Demétrio Sena - Magé
Fantasia que visto ao me despir;
tua pele grudada nos meus pelos;
meus apelos rompendo as tuas coxas,
indo às aguas profundas do prazer...
És um sonho teimoso em minhas noites,
o meu sono deságua em tua fonte,
os açoites de beijos e carícias
trazem todo meu vício à flor da pele...
Misturamos as nossas melaninas;
o suor das salinas dos desejos
nos tempera de todos os aromas...
É assim que desperto em solidão,
minha mão te procura no meu corpo
e termina por nós o que não houve...
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CRISTIANISMO LARANJA
Demétrio Sena - Magé
Acho que Jesus Cristo só é "adorado" pelos cristãos (desse jeito, entre aspas), por ter morrido, fisicamente. Os cristãos alardeiam que ele ressuscitou, mas não o veem; por isso, ficam tranquilos. Cristo não se faz presente, na sua forma física, e sendo assim, não tem como proibir essa vasta utilização distorcida, fraudulenta e tirana do seu nome.
Seria terrível para os cristãos, o Cristo vivo. Ele não aceitaria o que seus atuais pseudo seguidores fazem. Vetaria o cristianismo da vantagem, da esperteza, da disseminação do ódio e da desinformação (agora tolerada por lei, por exigência dos líderes cristãos)... do enriquecimento ilícito e do empoderamento para dominar o outro. Cristo seria oposto ao cristianismo fanático, do preconceito e da segregação... da invenção de falsos Cristos, falsos Messias, por meio da politicagem com vistas à ditadura tanto política quanto religiosa.
Com certeza, Jesus Cristo criaria laços de afeto com membros de todas as religiões e com os não religiosos. A sua forma legítima de aceitar o outro seria livre. Ele restituiria, contra todos os dogmas religiosos contemporâneos alheios à contemporaneidade cabível para os novos tempos, o cristianismo do amor ao próximo... da união das formas de ver o mundo, amar, sentir a vida, buscar a felicidade pessoal e não impedir a felicidade coletiva que abraçasse todas as pessoalidades não nocivas ao outro.
O que acontece no meio cristão, só tem como acontecer com Cristo estando morto. Cristo vivo seria frustrante para esses cristãos absolutistas, exclusivistas e supostos donos de uma verdade privada. Para esses, Cristo bom é Cristo morto. Devidamente crucificado. Laranja da ortodoxia de conveniência.
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Respeite autorias. É lei
PRA REVIVER
Demétrio Sena - Magé
Desta vez entendi que o que sinto é tão só;
tantos anos perdida no seu faz de conta,
que minha'lma ficou embevecida e tonta
por um laço que a mágoa transformou em nó...
De repente o castelo ao vento se desmonta,
como todos os sonhos se tornaram pó;
minha voz perde as notas, o que tenho é dó,
mas nem é musical; a música me afronta...
Sairei desta sombra, porque sempre o fiz;
tantos tombos na vida me deram destreza
pra seguir outra vez e tentar ser feliz...
Entre todos os meios de chegar ao fim,
decidi que não vou me render à tristeza
por alguém que brincava de gostar de mim...
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Respeite autorias. É lei
VALE TUDO
Demétrio Sena - Magé
Vale tudo pra porcos em couro de gente,
para o lobo na pele de cordeiro magro,
toda mente ocupada pelos intestinos
ou pro agro sem olhos para o ser humano...
Tudo vale pra todos que não valem nada,
pro carrasco que finge ser o condenado,
pra malvada no espelho que a chama de boa
e vilão diplomado como paladino...
As milícias com fardas de policiais,
os malandros formais em tribunas e ternos,
cristandade perversa comparsa do mal...
Vale até Cristo novo a revogar a graça,
porque só a desgraça da lei do mais forte
pode ser divertida pros donos das leis...
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Respeite autorias. É lei
HERÓI BANDOLEIRO
Demétrio Sena - Magé
Há um chão, mas não sinto sob o pé,
tenho ar e meus brônquios não aspiram;
nem há fé, mesmo havendo no que ter;
os instintos conspiram contra mim...
Eis o mundo, entretanto, caos e treva,
tanta vida e nenhuma em meu olhar,
porque neva em minh'alma solitária
sobre o mar onde o nada faz a onda...
Não há dor nem há gozo, e isso dói;
sou herói bandoleiro em debandada
na vertigem da própria solidão...
Levo sonhos, mas neles, pesadelos;
meus novelos tricotam mil novelas
entre as telas da minha realidade...
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Respeite autorias. É lei
Tenho pensado muito no Brasil, pensado ainda mais nos brasileiros. Aliás, tenho pensado muito nas pessoas, nas crianças, nos jovens, nos "combatentes" da terceira idade; Tenho refletido sobre o papel de cada um, diante de cada momento, e de cada circunstância; Tenho reparado no semblante dos que caminham, dos que apenas observam, dos que gritam, e dos que choram...
A mente que brilha na penumbra não é deveras uma mente brilhante, pois se assim fosse não haveria penumbra!
Não me orgulha não ter uma formação acadêmica. Mas, estranhamente, isso me alivia mais do que me pesa
Corpo a Corpo
William Contraponto
Teu cheiro chegou primeiro.
Nem palavra, nem nome.
Apenas pele
em estado de intenção.
Tinhas o torso do erro
que eu nunca quis evitar,
e um olhar de quem conhece
a língua dos labirintos.
Não havia futuro em nós —
havia agora.
Esse agora denso,
que se despe com os dentes
e se escreve no escuro.
Minhas mãos em tua nuca,
teus quadris contra o mundo,
e tudo o que não sabíamos dizer
se dizia ali,
em cada investida.
Não fizemos amor —
fizemos ausência.
Do que disseram que era certo,
do que juramos reprimir.
Fizemos vício,
feito dois animais
com pensamento demais.
Depois, o silêncio.
Não o constrangido —
mas o pleno.
Como quem sabe
que o que aconteceu
não precisa de legenda.
E quando partiste,
deixaste um rastro de ti
no cheiro do lençol,
e um pouco de mim
nas tuas costas.
Ventanias emocionais sacodem a alma, perturbam o coração, porem os que tem fé continuam de pé apesar da tempestade.
" A Escrita, a leitura é uma excelente ferramenta para o conhecimento e, expansão de nossos pensamentos. Por outro lado, vídeos, imagens são uma forma básica de comunicação. "
Quando perceber que as coisas deste mundo escravizam a humanidade em direção ao "nada", perderá o encanto pela ambição material, iniciando um novo processo de desapego, talvez, imbuído da coragem, depois de algum tempo de sofrimento, entre a separação do material e espiritual, encontrará o caminho da libertação rumo à Eternidade.
"Amava, quando era a minha boca, a tapar seus gritos.
Adorava os sussurros descuidados, ao pé do ouvido.
Me perco na lembrança, da dança de nossos corpos, onde com um único olhar, nossas almas se completavam e se ouvia até o pulsar dos corações, e os seus suspiros.
Eu e você, nós; meu eterno vício.
Sou viciado no gosto do beijo, no aveludar da pele e dos cabelos, cada fio.
Minhas palavras são súplicas, a quem me dera só suplício.
Não te apago da mente e mesmo que o fizesse; me apegaria a cada resquício.
Você fora o meu presente vindo dos céus, que do meu eu, jamais deveria ter partido.
Doeu-me na alma, torturado, vê-la indo.
Quando em seu abraço, foram as poucas vezes, que pude me aproximar do divino.
O castanho dos olhos, o desenho da boca, o negror dos cabelos, o conjunto da obra, dos desenhos do Pai, você é o mais lindo.
Saudades de quando me iluminava a vida, com seu sorriso.
Hoje, acordei atônito, na madrugada, pareceu-me ter te ouvido.
Não te olvido.
Hoje, pela madrugada, só lhe restou, em silêncio clamar por meu nome, pois infelizmente, não tens minha boca, para tapar seus gritos..." - EDSON, Wikney
Pé na tábua.
Aperta um pouco a vida e a coragem virá marasmo demais é hipocrisia se acostumar com a rotina é melodia suicida então, prefira... aquele som que guia coração batendo, afastando agonia viva a vida... e deixa ela te levar.
O tempo já não me pede urgências, ele apenas dança, dissolvendo-se na brisa suave que toca minha pele. Sou um rio sem margens, fluindo sem destino, abraçando o infinito com cada pulsação do meu peito.
O silêncio, antes esquivo, agora é meu mais fiel companheiro. Ele sussurra verdades que sempre estiveram aqui, ocultas sob a pressa dos dias que já não contam. Sigo sem posse, sem medo, apenas sendo, leve, vasto, eterno.
O ar vem e vai, beijando-me como um amante que não deseja prender, apenas tocar. E em cada respiro, descubro que nunca estive fora daquilo que sempre foi casa. O coração pulsa, mas sem urgência. Ele conhece a melodia dos que já não buscam, apenas habitam o instante.
E nesse repouso, nesse abandono doce ao que é, encontro a maior das alegrias: ser.
