Pe Fabio de Melo Amar
Este é o grande momento. Não há um raio que caia em cima de você e cure todos os seus problemas. Há descobertas e epifanias e momentos de clareza.
De noite, parece que penso mais claramente. Trabalho duro, mas não me parece trabalho. A confusão intelectual do dia se dissolve da minha mente, que se move de um modo quase instintivo e animal. E eu estou feliz.
Olá, bom dia !
Você sabe o que é felicidade ? Não ! Veja só, faça um dia diferente e busque a felicidade nas pequenas coisas, e verá o dia passar e não perceberá !
Coloque uma música, DANCE no ritmo que você quiser. Abra a GELADEIRA tome um sorvete, um suco, um vinho, o que tiver. Vá até a sua SALA abra a porta, CONTEMPLE o dia ! Der bom dia ao seu vizinho, vá até o PORTÃO, coloque o lixo para fora, se você vê um PEDINTE, o auxilie, coloque comida pra um CACHORRO, um GATO ! Sim, aquele mesmo que está diante de seu portão ! Você está no trabalho? SORRIA sempre, o sorriso contagia o ambiente, não se incomode, caso seus COLEGAS não gostar ! Meu CARO, você entenderá que felicidade é aquela pequena AÇÃO que vem do coração. Contemple sempre o BELO ! A vida, a natureza, e tudo que há nela ! Der sempre viva, a tudo ! A vida passa num piscar de olhos.
Pense sempre nisso!
Aquele abraço !
"(...) O que me faz sofrer é sentir que o que encheria qualquer mulher de felicidade, ou seja, ter o teu maravilhoso amor de homem e as coisas lindas que você me diz, tudo isto me causa ansiedade e me leva ao desespero. Quanto mais eu penso em me entregar a você novamente, tanto mais terror eu tenho do que seria de mim se teu amor ainda ardente se apagasse..."
Preso à minha classe e a algumas roupas,Vou de branco pela rua cinzenta.
Melancolias, mercadorias espreitam-me.
Devo seguir até o enjôo? Posso, sem armas, revoltar-me'?
Olhos sujos no relógio da torre:
Não, o tempo não chegou de completa justiça.
O tempo é ainda de fezes, maus poemas, alucinações e espera.
O tempo pobre, o poeta pobrefundem-se no mesmo impasse.
Em vão me tento explicar, os muros são surdos.
Sob a pele das palavras há cifras e códigos.
O sol consola os doentes e não os renova.As coisas.
Que tristes são as coisas, consideradas sem ênfase.
Vomitar esse tédio sobre a cidade.
Quarenta anos e nenhum problema resolvido, sequer colocado.
Nenhuma carta escrita nem recebida.
Todos os homens voltam para casa.
Estão menos livres mas levam jornaise soletram o mundo, sabendo que o perdem.
Crimes da terra, como perdoá-los?
Tomei parte em muitos, outros escondi.
Alguns achei belos, foram publicados.
Crimes suaves, que ajudam a viver.
Ração diária de erro, distribuída em casa.
Os ferozes padeiros do mal.Os ferozes leiteiros do mal.
Pôr fogo em tudo, inclusive em mim.
Ao menino de 1918 chamavam anarquista.
Porém meu ódio é o melhor de mim.
Com ele me salvoe dou a poucos uma esperança mínima.
Uma flor nasceu na rua!
Passem de longe, bondes, ônibus, rio de aço do tráfego.
Uma flor ainda desbotada
ilude a polícia, rompe o asfalto.
Façam completo silêncio, paralisem os negócios,
garanto que uma flor nasceu.
Sua cor não se percebe.
Suas pétalas não se abrem.
Seu nome não está nos livros.
É feia. Mas é realmente uma flor.
Sento-me no chão da capital do país às cinco horas da tarde
e lentamente passo a mão nessa forma insegura.
Do lado das montanhas, nuvens maciças avolumam-se.
Pequenos pontos brancos movem-se no mar, galinhas em pânico.
É feia.
Mas é uma flor.
Furou o asfalto, o tédio, o nojo e o ódio.
Você é o piloto e a voz da história. Você é aquele que cria e conta as histórias para aqueles que não puderam estar presentes. Você é incapaz de ser confortado mas deseja confortar os outros. Há algo faltando em sua vida. Não esqueça que você é muito amado. Deixe seu sofrimento ser confortado.
A alegria é a verdadeira prova dos nove.
O vício corrói as almas, destrói-as, rebaixa-lhes a dignidade, mata o princípio das grandes obras e consagra a vileza do espírito.
O Homem Escrito
Ainda está vivo ou
virou peça de arquivo
sua vida é papel
a fingir de jornal?
Dele faz-se bom uso
seu texto é confuso?
Numa velha gaveta
o esquecem, a caneta?
Após tantos escapes
arredonda-se em lápis?
Essa indelével tinta
é para que não minta
mas do que o necessário
é uma sigla no armário?
Recobre-se de letras
ou são apenas tretas?
Entrará em catálogo
a custa de monólogo?
Terá número, barra
e borra de carimbo?
Afinal, ele é gente
ou registro pungente?
A valsa é a primeira dança do mundo; pelo menos é a única dança em que há poesia.
Tudo é possível debaixo do sol, – e a mesma coisa sucederá acima dele, – Deus sabe.
E ao me sentir ausente
Me busque novamente - e se deixes a dormir
Quando, pacificado, eu tiver de partir.
