Passou
365 luas, 365 sóis
e nada mudou
o carnaval passou, e vc não veio
Ficou lá, em outro lugar
no mesmo descompasso
que nos leva em direções opostas
Não teve registro, não teve palavras
muito menos uma celebração — um brinde ao amor de porpurina
que passou, se perdeu na folia
e deixou só a saudade e a lembrança
de quando ele brilhava
Nas esquinas da vida, entre ruas vazias e avenidas apressadas, você passou por mim.
Foi rápido demais para ser esquecido.
Não sei se foi sua beleza, seu perfume ou o silêncio que ficou depois.
Só sei que algo se partiu naquele instante.
Desde então, sigo te procurando em rostos errados e caminhos perdidos.
Alguns encontros não vêm para ficar.
Vêm para doer e nos mudar para sempre.
21 de Fevereiro
o carnaval já passou
já fazem quase dois anos de que você partiu
estou sofrendo como um animal em boca de onça
olhando apenas para o que me cerca porque é a ultima coisa que eu veria
não consigo lidar com sua partida
desde então não sei lidar com as pessoas
eu as-odeio demais para conviver
porque era difícil conviver com você
e mesmo assim eu sinto sua falta
e você me odiava
fico me perguntando se você sentiu medo antes de morrer ou se pensou em mim
porque às 3AM você chamou pelo nome do único filho que não te deixou somente para deixa-lo
mas tudo bem, quem não merece um final?
dizer que era sua hora é a pior maneira de lidar
mas estou vivendo
porém querendo te ver
se eu te ver
perdoe-me
mas quem não merece um final?
Entre Nós e o Tempo
O tempo passou…
e não passou leve.
Passou pesado,
arrastando aos poucos
tudo aquilo que um dia fomos.
Trouxe a distância —
não só dos corpos,
mas das almas.
A tristeza de deitar ao lado
e ainda assim sentir falta.
A dor de estender a mão
e tocar apenas o vazio.
Trouxe diferenças
que cresceram como muros silenciosos.
Palavras que já não encontram abrigo,
sentimentos que falam sozinhos.
E a indiferença…
ah, a indiferença é a mais cruel.
Ela não grita,
não quebra nada —
ela apaga.
Apaga o brilho do olhar,
apaga o cuidado,
apaga o “eu te vejo”.
A falta de afago machuca.
Machuca porque o corpo lembra
do carinho que existia.
Machuca porque o coração
ainda espera o abraço
que já não vem.
O que era riso virou silêncio.
O que era conversa virou obrigação.
O que era amor virou hábito.
Já não somos encontro de almas —
somos rotina compartilhada.
Somos dois caminhos
que insistem em andar lado a lado
mesmo sabendo
que já não se cruzam por dentro.
E existe uma tristeza funda,
daquelas que não fazem barulho,
mas pesam no peito.
A tristeza de saber
que ainda estamos aqui…
mas já não estamos um no outro.
E dói.
Dói porque foi verdadeiro.
Dói porque um dia foi amor —
e hoje é apenas permanência.
O inverno chegou
Passou como um vislumbre
Quando eu percebi
Você havia ido embora com ele
A primavera chegou
Tudo é colorido e bonito
Talvez seja por isso
Você se foi junto com o inverno
Parecia a mais doce fragrância
Mas não floresceu
Você se foi junto com o inverno
Não era pura sua beleza.
Agora eu enxergo com clareza
A primavera está completa
Você se foi com o inverno
Então aprendi a amar a primavera
Desistir de ser feliz porque passou por uma frustração, é como desistir de dormir porque teve um pesadelo
Rejeite o julgamento daqueles quem não estavam nas tempestades que você passou. Apenas os que estavam no barco sabem onde estão as marcas das tempestades.
Das palavras que se foram...
Já joguei cartas e poemas que o passado passou a limpo. Já rasguei tantas frases tolas escritas no calor da emoção. Já amassei bilhetinhos rasos e declarações exaltadas, rabisquei sobre o que já estava escrito, e disse tudo igual de um jeito diferente. As palavras dançam no papel, e por vezes dançam mal, mesmo assim seu ritmo é único, não há igual...Nas horas mais improváveis elas parecem bailarinas ao luar flutuando entre vaga-lumes, de repente caem e se misturam às folhas secas...O ritmo das letras não pausam, apenas diminuem...Enquanto puderem meus dedos bailar, danço. E com cada letra e sinal como se ao som de uma nota e ponto uma vírgula viesse a brilhar, vou escrevendo meus silêncios falantes, e meus risos secretos.Já perdi poema, poesia e texto sem fim, a cada letra perdida se foi junto um pouco de mim... meus pensamentos mais caros de graça os vi partir...Doei aos olhos que leem, e aos corações que podem sentir..
As palavras vão e com elas nossa energia, quem as leva distribui, esconde ou aprecia, mas no fim ...não há fim!
Time...Tic..Tac.
O tempo passou e levou tudo aquilo que nosso foi.
As longas conversas madrugada a dentro, sorrisos, gargalhadas...
Passou levando os encontros marcados, os bons dias e as boas noites.
Passou e foi passando e com ele lavando tudo aquilo que um dia programamos e jamais aconteceu.
Passou e infelizmente passamos ao mesmo tempo que ele.
✍🏻O mundo inteiro se tornou uma superficialidade, onde o supérfluo passou a ser o necessário e o necessário a ser o supérfluo.
🌹👣👣😵💫🤦🏼♀️🕉️☯️🔮
A vida realmente é muito interessante e se divide em duas partes. O tempo que passou eu sei te contar. O que está por vir nem eu sei como vai ser. (Ismail Marcelino Ramos)
Já passou da hora das histórias do mundo serem contadas pelas mulheres.
Porque quando as mulheres escrevem, o mundo sangra menos.
Elas não promovem guerras, curam feridas.
Não espalham fome, repartem o pão.
Não erguem muros,
abrem os braços.
Não criam injustiças, buscam equilíbrio.
O olhar feminino não conquista territórios, conquista corações.
Não subjuga, acolhe.
Não destrói, transforma.
E é por isso que o mundo precisa ouvir suas vozes,
porque onde há uma mulher com coragem,
há também a esperança de um futuro mais humano.
Havia um burro amarrado a uma árvore.
O demônio passou por ali e o soltou.
Livre, o animal invadiu a horta dos camponeses vizinhos e devorou tudo o que encontrou.
A mulher do dono da horta, ao ver a destruição, tomou o rifle e disparou. O dono do burro, ao ouvir o tiro, correu até o local, encontrou o animal morto e, tomado pela fúria, revidou contra a mulher.
Quando o camponês regressou, encontrou sua esposa caída e, em vingança, matou o dono do burro. Os filhos do homem, ao verem o pai morto, incendiaram a fazenda do camponês.
Este, em represália, ceifou-lhes a vida à bala.
Então perguntaram ao demônio o que havia feito para causar tamanha desgraça.
Ele respondeu com frieza:
— “Não fiz nada… apenas soltei o burro.
