Para uma Pobre e Coitada
O vento chicoteia a árvore e a deixa desfolhada, desgalhada, pobre e triste aos ossos olhos, mas no seu interior, uma renovada energia esta sendo preservada e preparada para os novos rebentos da primavera. (Walter Sasso)
Pobre Coração
Pobre coração
Tão ingênuo e apaixonado
Achou que o amor era eterno
Deitado nos braços de alguém que nem se ama
Mergulhado em mentiras e promessas quebradas
Acreditou que seria diferente,
mas nada mudou
Nunca muda
Pobre coração
Foi dar ouvidos à um cupido
Cupido tal que só o fez sofrer
Acreditou que o amor curava,
mas só adoeceu
Como podes sentir falta de algo que nunca foi bom?
O início era apenas mentira,
mas a verdade apareceu
Sempre aparece
Pobre coração
Quebrado e desiludido
Em mil pedaços se desfez
A esperança de um futuro juntos se dissipou
E o libertou
A escravização da alma errante. Quando o menino pobre acredita que venceu sem se dar conta da corrupção de si mesmo que roubou sua criticidade.
PRIMA POBRE
Demétrio Sena, Magé - RJ.
A prática de gerar debates ou controvérsias em torno das puladas de cerca, dos hábitos alimentares ou de vestuário entre outros de pessoas públicas ou não, já concedeu a muitos indivíduos aqueles quinze minutos - às vezes um pouco mais - da fama questionável de polêmicos. Isso nunca os elevou ao pódio do respeito e da credibilidade consistentes de um público de qualidade.
As polêmicas pairam sobre questões importantes. Assuntos que merecem atenção pública, por seus contextos políticos, sociais, filosóficos, de classes e credos. O que gira em torno de assuntos íntimos, vidas pessoais e os mais diversos contextos de natureza originalmente particular, não importa o alcance ou a dimensão: será sempre uma discussão medíocre. Um debate menor... uma fofoca. Nada mais relevante ou substancial.
Por mais que tente atingir o patamar superior dessa nominata que jamais lhe coube, qualquer esforço há de ser feito em vão: a fofoca é a prima pobre - tanto quanto ilegítima - da polêmica.
CONSELHO TORTO PRA POBRE BOBO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Faz arminha e faz festa para teu patrão
que sorri satisfeito; chibata na mão;
ele sim, tem motivo pra fazer arminha...
Agradece por tudo que o governo arranca,
faz caretas e bocas, impõe tua banca,
dando vivas e urras pra tua vidinha...
Ou até faz arminha por nem ter emprego,
diz que o céu proverá, finge ter desapego
ao conforto que todo cidadão merece...
Faz arminha pro SUS que te mata e aos teus,
pede ajuda, migalhas, dá graças a Deus
e decora o ditado: "Faz parte; acontece"...
Faz arminha pras armas que nunca terás
pelas formas da lei, mas aí tanto faz,
o país ter mais armas deve ser tão bom...
Faz também pra quem faz com arma de verdade;
pra indústria do crime; da desigualdade,
pela qual manda o rico e você baixa o tom...
Pro teu líder que faz porque tem vida ganha;
para muitos espertos que fazem barganha
ou estão protegidos em algum segredo...
Continua sofrendo com tanta injustiça,
mesmo assim faz arminha no culto e na missa,
pra milícia, pro tráfico e também pro medo...
Faz arminha que aponta para o próprio pé;
quando jogas teu sonho; teus dons; tua fé;
porque já te rendeste à própria covardia...
E repete os discursos de quem se dá bem
com teu dízimo, imposto, com teu vai e vem
para nunca sofreres barriga vazia...
Louva os falsos heróis que se criam aqui,
faz arminha pro nada que fazem por ti,
continua sem tino, sem chão e sem rumo...
Enaltece quem quer que a criança dê duro;
pobre fora da escola; perdido no escuro;
faz arminha, gargalha, salta e leva fumo...
DE COMER POR STATUS
Demétrio Sena - Magé
Atravessei uma infância muito pobre, tendo que "aprender a gostar" de uma sopa rala; comidas feitas com restos misturados; alimentos não convencionais catados no mato, por necessidade ou fome, sem uso dos temperos - caros, para quem não tem nada - que os tornam "iguarias excêntricas".
Hoje, quando já posso comer o que me apetece ou satisfaz, não quero "ter que aprender a gostar" de escargot, caviar, larvas preparadas por chefs prestigiados e outras nojeiras caras. Variedades que existem mais para mostrar quem é quem do que para satisfazer apetites. Comida não tem virtudes e defeitos que passamos a perceber, como no ser humano. Tem sabor, é bem ou mal preparada. O sabor é bom ou ruim. E se tenho nojo, não fingirei não ter para passar no crivo de um grupo social.
Comer por status não é crível para mim. Nem é incrível. É medíocre. "Aprender a gostar" de comida por ascensão social não compõe minha índole; não tenho projeto nem intenção de mostrar a quem quer que seja, "quem é quem" e de que lado estou nessa ostentação gastronômica fútil; sem propósito nem sentido. Nem poderia, se quisesse, porque não alcancei o status inútil de quem coleciona dinheiro e joga fora o excesso, numa disputa sem fim com quem faz "clicherianamente" o mesmo.
Não quero comer, vestir, morar, consumir, ter ou fazer algo por status. Quero poder vivenciar o que aprecio, sem para tanto, precisar "aprender a gostar". O que é bom e prazeroso é à primeira garfada, ao primeiro gole, ato e utilização. Comida e coisas não "se abrem" ou se revelam aos poucos.
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Respeite autorias. É lei
Deus não faz você ser maior ou melhor que alguém, não te faz ser rico nem pobre, não te faz feliz ou infeliz...
Você é quem faz por merecer, ele apenas te dá o combustível pra que você possa trilhar seu caminho com força e fé, mas quem paga a conta é você!!
A sociedade é uma eterna entrevista de emprego: onde a empresa é o circo e o pobre é o eterno palhaço.
Pobre daquele que acha, que ama ou amou o suficiente, a ponto de, para com as pessoas amadas, sentir-se "com seu dever cumprido".
Amar é oferecer do melhor que temos e somos, conscientes de que jamais teremos ou seremos o suficiente.
Meu pai foi um homem incrível. Pobre, criou 8 filhos, mas com uma dignidade imensurável. Pra mim, um santo não canonizado
Baforadas de charuto
Saber viver é o que importa,
Não faz diferença o rico e o pobre.
Cuido das plantas pequenas,
Limpo os meus pensamentos.
Olho os movimentos da rua,
Vejo um cachorro feliz,
E, gente correndo da chuva.
Dou mais umas baforadas,
A fumaça se espalha pelo vento.
Meus pensamentos ninguém leva embora.
O importante é saber viver!
Olhando às pequenas coisas...
...a tranqüilidade do céu sem nuvens.
E, as estrelas escondidas.
Lírio da Paz floresce bonito.
Estou confiante em mim,
Na paz da minha alma.
Não vale a pena mentir e ferir a si próprio.
A fumaça do charuto se espalha no ar,
É o vento forte que leva.
Os pensamentos são blindados,
Calmamente observo tudo.
Saber viver é luz!
A felicidade pode ser intocável na alma.
O charuto está no fim.
Saber viver é o que importa.
Tudo o mais evapora,
Inclusive a vida.
A bem vivida e a desperdiçada,
Ambas não voltam mais.
O charuto acabou.
Pensamentos são eternos,
Saber viver é o que importa!
