Palavra Triste
O Topo e o Silêncio
Duvido do passo incerto dos homens,
Da palavra que o tempo desfaz.
Duvido de quem sou e de quem somos,
Na busca constante por paz.
Mas nunca, nem por um instante,
Duvidei de Quem tudo refaz.
Quero a fartura do verbo e do verso,
Um mar de palavras para falar ao mundo.
Mas se a voz de Deus ecoar na minha alma,
Quero o silêncio mais puro e profundo.
Que a minha fala se cale no peito,
Diante da Força que rege o segundo.
Tudo o que penso, o que sinto e o que sou,
Minhas emoções e o meu próprio caminhar,
Não nascem de mim, pertencem a Ele,
Que é o topo e a luz a guiar.
Que todo o meu saber se dobre em reverência,
Pois sem a Sua mão, não há onde chegar.
E quando a hora do adeus me chamar,
Partirei leve, de mãos para o ar.
Não levo nada da terra ou do chão,
Mas deixo o que a alma pôde ofertar:
Tudo escrito, gravado no tempo,
Para quem quiser ler e sentir o meu amar.
O silêncio e a palavra caminham de mãos dadas.O silêncio já salvou pessoas até da morte.E o grito na hora oportuna também já impediu até de mulheres serem vendidas a traficantes de pessoas em aeroportos.Por isso, que a sabedoria não é sempre calar,mas falar na hora certa e às vezes ser sábio é confiar nos instintos e gritar mesmo parecendo ser um louco que luta pela sobrevivência neste mundo cheio de perversidade,mas que ainda habita amor e a esperança.
Mude uma palavra de um poema alheio
Cultivando-a em versos próprio
Ponha-a para tomar olhares
Regue-a compartilhado
Quando olhares neles pousares
Leve pelo açúcar que há
Levará na orelha
Versos
Mude palavras
Cultivando...
Salve a poesia incendiando o pensar
Esse grito queimando
Pede iluminar
Cultivar palavras
Para educar
E não arrancar do
Coração a moral da história
Vai xandão salva a Amazônia
Plant/ e boca é tigela e açaí
(Leonardo Mesquita)
A palavra pinta a coisa
A coisa não cabe na palavra
A coisa foge pro verso — universo na mente
A coisa de sair da palavra, ser a moldura
Peguimentar a tela
Abastecer a palavra com imaginação
Com investigação própria
A coisa não se prende no verso
No volante do verso
A gente se pega
Lê de verdade é parar na coisa;
Não se pega a palavra
Sem por a mão na massa
Para trazer uma palavra para um poema
é preciso conhecer bem o sabor dela;
ela é o pé de alguém na situação...
Uma palavra enraiza na mente
E se segura na explicação
Espalha o contexto ouvida ou brotada
Pelo tempo de discussão
Uma toca um novo sentido
Pro assunto não ficar parado
Num olha só, mente é terra
E terra é para produzir palavras
Palavras plantada podada no
Rumo que quer o dono da
Frase que pega na mente
Que lê que sente
Poesia pô
A palavra precisa sentir
Organizar
A palavra precisa colorir
Desvendar
A palavra precisa de mim
Brindar
A palavra precisa da boca
Falar
A palavra precisa de outra
Completar
A palavra precisa da mente
Olhar
A palavra precisa de gente
Levar
A palavra precisa urgente
Frasear
A palavra precisa da letra
Guardar
A palavra precisa e a caneta
Usar
A palavra precisa e a borboleta
Pousar
A palavra precisa voar
Inquietar
A palavra precisa e a maçaneta
Entrar
A palavra precisa da tinta
Pensar
A palavra precisa do homem
Continuar
A palavra precisa do ouvido
Ser
A palavra precisa da mão
Ageitar
A palavra precisa do som
Entender
A palavra precisa saber
Ceder
A palavra precisa escrever
Você
A palavra precisa da cena
Pausar
Rio
Os olhos do leitor são dois barcos remados pela língua na imaginação do autor. Cada palavra lida o impulsiona no vocabulário possibilitando-o a experiências fantásticas (com a profundidade) de duas palavras pegas do dicionário. E molha-las na correnteza da poesia: ao sol da imaginação — faz a alegria brilha no texto gerando emoção. E abordo dos dois barcos o leitor capricha no remo rumo a novos vocábulos frases acima.
O alfabeto é o estado gasoso da palavra
A sílaba o estado líquido
E o raciocínio o estado concreto
A fonte da poesia é inesgotável
Quando o olhar quente do leitor
Toca o poema a música das letras
Condensa cenas e palavras
Molham de paixão a garganta
E a imaginação...
A palavra águia pousa na frase
balançando a mente com a imagem
a pupila dos olhos do leitor se dilatam
com o canto do alfabeto
por perto...
a águia voa — ai, essa palavra dança!
Cada palavra traz o som do mar para o poema o vruuuuh do vento canta nos lábios, o sol invade o vocabulário e o calor da imaginação chama ao banho
nas ondas das palavras quebrando
agente na praia que não deixa marca
de bronze, mas marca o imaginário...
Um poema grande morde a isca do poeta ai começa a luta pela palavra certa, o jogo é indo cansando o danado em frase aberta, dando linha pra não perder a pesca, o bruto pesa na rima — o poeta enrola o raciocínio focado na meta; o branco rabeia na mente negando a palavra: o poeta astuto solta mais linha vendo a oportunidade na água, sabe que usou isca pra grande sinestesia quem narra embarca no peso da pesca criando o gosto por frases onde tem
poesia
Leonardo Mesquita
Colha uma palavra
prove o pensamento
poesia é como fruta
ao lê mastiga-se ao
ouvir tem-se o cheiro
ao vê o pensamento
no pomar colha do
texto, pause o olhar
a fruta madura
isso é poesia
hummm hummm
nhoc nhoc nhoc
Leonardo Mesquita
O poeta sai com a palavra no trânsito do pensamento e logo de cara um engarrafamento, a inspiração fecha,
e muitas palavras à frente o tempo desconversa... ai, pouco a pouco se escoa a parede de outras pressas...
foco aberto um desafogo para a mente rodar a experiência de um momento assim de uma ida e de uma volta...
aproveitando um trecho mais longo...
e entrar num verso de mão única,
tirando o pé e baixando a atenção
para dar oi "a voz da parede":
ferida da nação... 《pá pá pá pá》
Olha: é ano de eleição
(Leonardo Mesquita)
A letra com pressa botou o verso,
calçou a palavra, passou pergunta,
vestiu o sentido, penteou a ideia,
olhou no contexto e saiu pro universo...
nesse pulinho longe do pé letra
tamo nessa...
(Leonardo Mesquita)
A palavra é uma moeda
Que na mão do poeta tem um valor a mais
Se tirar cara ou coroa — da
Poesia; no bolso
Ele bota outra...
Há mais
(Leonardo Mesquita)
Ela e o Jardim
Ela tinha mãos de cuidado
e um sorriso que abraçava sem dizer palavra.
Amava o jardim
como quem conversa com a vida,
entre ervas, frutos e silêncio.
Faltava uma rosa vermelha…
e mesmo com o corpo cansado,
foi com coragem que ela plantou esperança na terra.
O tempo levou sua presença,
mas não levou seu amor.
Porque um ano depois,
a rosa floresceu —
como ela sempre foi:
forte, bonita
e impossível de esquecer.
O nome dela era Irma.
No ninho do silêncio nascem frases autorais, ponha a palavra no papel
aqueça-a com olhar criativo até a eclosão do verso próprio...
alimente-o com sua voz
deixe-o voar
no pensar que o aprimora...
Leonardo Mesquita
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