Pais de Adolescentes

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Terremoto
Qual é o País de Alta ocorrência
de abalo sísmico
e ele está situado na América do sul?
Têm duas placas tectônicas a da América sul-americana e a do Caribe.
Elas se movem e se colidem
e mexem no seu solo e relevo.
E fazendoacontecer os abalo sísmico :
_É a Venezuela⁠!

O País Não Precisa de um Mito


O Brasil tem uma doença política curiosa: transforma fracassos em símbolos e homens comuns em salvadores. Troca projeto por personagem, programa por slogan, pensamento por torcida. E, quando percebe o estrago, já está discutindo novamente o mesmo personagem como se a história lhe devesse uma segunda temporada.


O bolsonarismo não foi apenas uma candidatura. Foi a industrialização política do ressentimento.


Durante anos, ensinou-se ao brasileiro que pensar era suspeito, que ciência era conspiração, que imprensa era inimiga, que cultura era ameaça e que instituições só eram legítimas quando obedeciam ao lado certo. A política deixou de ser disputa sobre o futuro e passou a ser campeonato de indignações.


Agora, em 2026, o sobrenome continua em campo. Mudou o candidato, mudaram algumas frases, mas permanece a velha arquitetura: transformar medo em voto, conflito em identidade e adversário em inimigo. A política brasileira ainda é convocada a escolher entre o “nós” e o “eles”, como se um país de mais de duzentos milhões de pessoas pudesse caber numa guerra de grupos.


Não pode.


E aqui está o erro que parte da esquerda também comete: imaginar que basta chamar alguém de fascista para vencê-lo. Não basta. A democracia não se defende apenas denunciando a extrema direita; defende-se oferecendo ao cidadão uma razão concreta para acreditar nela.


O Brasil precisa de escola que ensine a pensar, não apenas a repetir. De saúde que funcione antes que a doença vire estatística. De segurança pública que não seja espetáculo. De emprego que não seja favor. De ciência que não precise pedir desculpas por existir. De Estado que proteja sem tutelar.


E precisa, sobretudo, abandonar a infantilização política.


Nenhum presidente é messias. Nenhum partido é dono da verdade. Nenhum eleitor precisa entregar a própria consciência na porta de uma convenção partidária.


O bolsonarismo prosperou justamente onde a razão recuou.


Por isso, enfrentá-lo não significa apenas derrotar Bolsonaro, Flávio Bolsonaro ou qualquer herdeiro eleitoral do sobrenome. Significa derrotar a ideia de que o Brasil precisa de um homem providencial para funcionar.


Não precisa.
Um país sério não procura um salvador.
Procura cidadãos.


E talvez essa seja a coisa mais perigosa que se possa dizer numa eleição: o Brasil não precisa acreditar em ninguém. Precisa aprender a pensar por si mesmo.


William Contraponto

⁠ESTADO DE SÍTIO EM UM PAÍS UTÓPICO REALISTA


O que se comenta em bares, cafés, estações de metrô e trem, e nas rádios do nosso País?
Ouço murmúrios em cada canto da cidade, e acredito que este sentimento de insatisfação se estenda por todo o país. Há um sistema defasado e centralizador nas esferas políticas, o que é reflexo direto do modo como agem.
Os valores da nação estão acometidos por uma gravíssima doença, quase incurável. Essa enfermidade, simbolicamente comparável a um câncer ou uma peste, ataca a própria moralidade e ética. Podemos até afirmar que a nossa política se encontra na UTI da benevolência e do caráter.
A "peste-negra" chamada corrupção instalou-se sob a alcunha de Petrolão, Mensalão e outras mazelas que o povo desconhece, muitas ainda mantidas debaixo do tapete. Acredito, porém, que essa chaga vem de muito longe e parece ter se tornado uma cultura intrínseca à política brasileira.
A sede por poder criou um círculo vicioso, onde os interesses de um partido se sobrepõem aos da pátria. Os líderes deveriam, na verdade, agir de forma apartidária quando a necessidade de um povo está em questão.
Não há compaixão pelo que fazem. Por essa e tantas outras razões, o País caminha para o abismo, para a falência de seus órgãos vitais. Tem sido esbofeteado e exposto há anos, ridicularizado e fadado à própria sorte, carregando em seu gene a "Síndrome da Corrupção".
Não há mais o amor pela nação de outrora. A intelectualidade está em declínio, e a cada ano, conhecimentos básicos são retirados dos currículos. Alguém sabe me responder por que tiraram a matéria Educação Cívica? Por essa e outras razões, vemos a queda na qualidade do ensino nas escolas. Não quero nem citar a questão dos professores, que é um assunto sistemático e complexo por si só.
Reforma Política, Agrária, Previdenciária... são palavras que ouço desde o primeiro ano escolar. Já se passaram 40 anos, e acredito que levaremos mais 40 até que comecem, de fato, a pensar seriamente nessas reformas.
Transformaram os nossos jovens em "soldados do tráfico". E estes jovens, por sua vez, matam, roubam e fazem o que bem entendem com o cidadão que paga os seus impostos. Esta geração está marginalizada, perdida, sem sonhos e sem projetos de vida.
As escolas e faculdades de hoje parecem uma indústria, fabricando "peças" (pessoas), sem se importar com o lado humano, e deixando de lado a criatividade, os talentos e os recursos que cada indivíduo carrega dentro de si.
Os sonhos de cada um foram comprometidos e arquivados no "arquivo morto" da vida, devido às ações e à ótica míope dos que estão no poder (este último grupo sendo menos prejudicial do que a doença original).
Enfim, o otimismo persiste. Mas há uma guerra a ser travada. Não uma guerra com armas, tanques ou armamentos bélicos, mas uma que precisa ser vencida pela união do povo, pela união da grande Nação chamada Brasil. Isso significa escolher bem o seu candidato, investigando e pesquisando sobre cada um que irá receber seu voto, e influenciando outros a fazerem o mesmo, para saber se o candidato é realmente merecedor.
Vamos mudar o roteiro deste triste filme e reverter o drama brasileiro para que ele tenha um Final Feliz!

O sucesso sem Deus é o maior dos fracassos. Se os pais preparam os filhos para vencer no mercado, mas não para conhecer a Verdade, construíram sobre a areia. O diploma, o talento e a fama são efêmeros; a única âncora eterna na vida de alguém é o temor do Senhor.

Ao dar as costas à sã doutrina e desprezar os limites históricos estabelecidos pelos pais da Igreja, uma geração perde sua bússola teológica. Esse esvaziamento dogmático a deixa vulnerável e espiritualmente indefesa contra os ventos de doutrina e o engano dos falsos mestres.

O Brasil se tornou um país de Barrabás. A régua de tolerância ao mau-caratismo, corrupção e vagabundagem em vez de ser 1% é 99%. O que esperar em um país onde é normalizado criminosos se tornarem políticos, líderes, administradores e ou famosos?

"PARA HOMENAGEAR OS PAIS APRESENTO-LHES A MAGNÍFICA FRASE DE MAHATMA GHANDI:
"UM DIA EU VOU REUNIR OS MEUS FILHOS E LHES DIZER QUE FOMOS DERROTADOS; MAS NÃO PODEREI OLHAR NOS OLHOS DELES E LHES DIZER QUE VIVEM NA MISÉRIA PORQUE O SEU PAI NÃO TEVE CORAGEM DE LUTAR",Ademar de Borba

"Ainda que um dos pais falhem em seus deveres
e obrigações, toda a gratidão à quem
cumpriu o amor sublime de te dar um corpo.
Dar a vida a alguém é um dom supremo e
IM PA GÁ VEL!"
Haredita Angel
28.10.21

"Os pais amam seus filhos verdadeiramente com atitudes,
não com palavras.
Palavras o vento leva e as ações permanecem nos corações que têm gratidão, apenas nesses corações."
Haredita Angel
30.01.24

"O fato de deixar a casa de seus pais e constituir uma nova família, não lhe extirpa das veias o ' sangue ' dos seus ancestrais, pelo contrário, 'perpetua-o'.
- Gerundiando-se de geração em geração..."
Haredita Angel
31.01.13

Minha melelancolia.
Vejo lapidação do meu país,
O Brasil é simplicidade e maravilhoso.
Mas, ate a terra é roubada pois é rara
É em peso do tesouro brasileiro...
O ouro já não tem mesmo valor das cores da nossa bandeira,
Nossas crianças são abusadas e colocadas a venda,
Mulheres são vista como mercadorias exposta numa exposição.
Os valores de ética e moral moram num discurso de palanque eleitoral.
Somos objetos o apenas crianças esperam o lanche da tarde,
A terra se devasta para que alguns seres fiquem felizes.
Essa felicidade é soberana.
As lágrimas de muitas mães estão distantes do fim pois um político se acha como dono da existência.

25 de março mundo real de batedores de carteira trombadinha.
Gente trabalhadora vem de outros paises buscar pouco de dignidade.
Polícia e fiscais fazem batidas contantes de mercadorias ilegais depois vendem para outros ambulante ou em suas proprias lojas.
A prostituição no meio dia nos edifício do centro pois não tem mais o treme treme... foi demolido.
Shopping da vinte cinco produtos chineses legais e ilegais.
Comida vendida na rua sem higiene igual a india ou pior.
Tem gente vem fora do estado de São Paulo para comprar vem ônibus clandestinos, e também de fora do pais do mesmo jeito clandestinos. Preço barato.
Outros vem pelos terminais de onibus.
Fazem contrate da feirinha da madrugada renda da famílias estão ali produto baixos e de boa qualidade.
Muitas vezes povo vai de carro ou taxi e tem gente se aproveita desta condição rouba as mercadorias.
Os eletrônicos são expostos atrativos.
Ate camelos perfumes falso cheios de agua. Logo ali perto carne porco exposta calçada e peixes e mariscos no sol escaldate.
O contraste com maquina de carne e suco gelado barado rápido ate os mosquitos gostam.
As ruas cheias dão contraste com policiais e metro cheio. Os ônibus são outra aventura.

Somos clandestinos no nosso próprio país.
Viveremos numa democracia ou numa caverna escuro aonde somos manipulados por sombras.
A degradação político e desequilíbrio da fakes news.
Somos bonecos com cordas onde pre candidatos puxam as cordas.

Utopia Unizero
​O Brasil era a simplicidade, a utopia de nossos antepassados; um país cheio de luz e alegrias para as novas gerações desfrutarem de uma vida maravilhosa. Dentro do contexto universal, ainda resistimos à ignorância e à alienação que afetaram tanto o nosso mundo. Seremos lembrados.
​No espaço sideral, as coisas que aconteceram — como essa dilatação do espaço e do tempo —, as pessoas sendo usadas e comandadas pela ambição e pela cobiça, fantasiadas de "senhores de um país democrático", eram, na verdade, pilhadores ideológicos. Sendo servis ao feudalismo tecnológico, abraçaram um novo caminho, onde o meio ambiente sofre até sangrar, até seu último resquício de vida. Os mares estão mortos pela degradação ambiental; flores de óleo e lixo boiam em meio a garrafas...
​Corvos e urubus comem o restante da humanidade. Será que posso chamá-los de humanos? Pois esses terráqueos vivem em suas mansões embaixo da terra, bebendo o último vinho, tornando evidente que as maravilhas criadas são apenas adornos em suas cabeças ocas. O espaço, que em outras horas era a arca da descoberta, agora é a arca da inteligência artificial e de piratas da sobrevivência.
​A utopia Unizero vaga pelo cosmo. Sua tripulação chora, mas ainda vê novos mundos e novas utopias naquilo que um dia foi um mundo hiperconectado.

Tangente no Efêmero
​Tangente no efêmero o sujeito busca ida a outros patamares em outro país para se divertir a que custo?
Pensar e pensar pois ser fora desde da população se acha grande se diz deus, mas nada é: o epílogo do próprio eprifácil desnaturado da existência.
Sois a corrupção dos dias atrozes.
Lamúrias e farpas o negacionismo.
Furtivo como a serpente esboço sorriso falso.
Sendo esses atos de mundo esquecido por Deus aproveita da ilusão, torna-se fugaz.
Tangente seria a corrupção ativa soma da alienação alheia.

Pais que não vivem educando, pegam pra si a sina de viverem tentando corrigir. Amem seus filhos do jeito certo!

⁠Depois que meus pais se foram, já aconteceu tanta coisa que me oportunizou louvar a Deus pela partida deles…


O mundo se abarrotar de santos se apoderando da verdade é uma delas.


Gente que não viveu o silêncio das perdas profundas, mas que fala como se tivesse atravessado todos os desertos da alma.


Há uma pressa em se declarar dono da razão, como se a dor não ensinasse justamente o contrário: que quase nada nos pertence, nem mesmo nossas certezas.


Quando meus pais partiram, eu imaginei que o vazio seria definitivo.


Que a ausência deles abriria um buraco impossível de contornar.


Mas o tempo — esse mestre paciente e muitas vezes incompreendido — começou a revelar algo incômodo e, ao mesmo tempo, libertador: a vida não pede permissão para seguir.


Ela continua, com ou sem a nossa concordância.


E é nesse seguir que a gente aprende.


Aprende que o amor não termina com a morte, apenas muda de forma.


Aprende que a saudade não é um peso a ser descartado, mas uma presença que nos molda.


Aprende, sobretudo, que a verdade não grita — ela sussurra, quase sempre nos momentos em que estamos mais vulneráveis.


Talvez por isso me cause estranheza ver tantas vozes cheias de convicção, tão seguras de si, tão rápidas em julgar, tão prontas para ensinar.


Porque quem já perdeu muito sabe: a vida não é um palco para certezas absolutas, mas um caminho de constantes revisões.


Hoje, ao olhar para trás, eu percebo que a partida dos meus pais me arrancou ilusões que talvez eu nunca tivesse coragem de abandonar sozinho.


E, paradoxalmente, foi nesse arrancar que encontrei uma forma mais honesta de fé — menos barulhenta, menos exibida, mais íntima.


Louvar a Deus, então, deixou de ser apenas agradecer pelo que eu compreendo.


Passou a ser também confiar no que eu jamais entenderei por completo.


E talvez seja isso que falte a esse mundo cheio de “donos da verdade”: a experiência de reconhecer que há perdas que não se explicam, apenas se atravessam — e que, ao atravessá-las, a gente não sai maior nem menor, sai mais humano.

⁠Tão medonho quanto um país virar palco de criminosos idiotas que produzem uma enxurrada de provas contra eles mesmos, é a enxurrada de idiotas que insistem em defendê-los.


Há algo de profundamente perturbador nesse duplo espetáculo: de um lado, a banalidade quase caricata do erro — indivíduos que, por vaidade, imprudência ou pura incapacidade, se expõem de maneira tão escancarada que dispensam qualquer esforço investigativo mais sofisticado.


De outro lado, a obstinação coletiva de quem, mesmo diante do óbvio, escolhe não ver.


Não por falta de informação, mas por excesso de apego.


Porque, no fundo, não se trata apenas de ignorância.


Trata-se de identidade.


Quando a defesa de alguém — ou de um grupo — deixa de ser uma avaliação racional e passa a funcionar como extensão do próprio eu, qualquer evidência contrária deixa de ser um dado e passa a ser uma ameaça.


E ameaças, como se sabe, quase sempre não são analisadas: são repelidas.


O mais inquietante é perceber como essa dinâmica corrói lentamente o tecido do debate público.


A verdade deixa de ter valor intrínseco; torna-se negociável, moldável, descartável…


O que importa não é mais o que aconteceu, mas quem está contando a história — e, sobretudo, de que lado se está.


Nesse cenário, fatos perdem para narrativas, e a realidade vira apenas mais um campo de disputa simbólica.


Cria-se, assim, um ciclo perverso.


Quanto mais absurdos os atos, mais fervorosa precisa ser a defesa.


E quanto mais fervorosa a defesa, mais imune à realidade ela se torna.


O grotesco deixa de causar estranhamento e passa a ser absorvido como rotina.


A indignação seletiva substitui a coerência, e o julgamento crítico cede lugar à lealdade cega.


Talvez o verdadeiro problema não seja apenas a existência de criminosos ineptos, mas a naturalização de um ambiente no qual a estupidez — tanto na ação quanto na defesa — deixa de ser um desvio e passa a ser parte do jogo.


Um jogo em que perder o senso de realidade já não é visto como derrota, mas como prova de fidelidade.


E, nesse ponto, o que deveria ser mais alarmante não é o erro de quem se expõe, mas o silêncio — ou pior, o aplauso — de quem escolhe continuar olhando para aquilo tudo e ainda chamar de virtude.

⁠Num país com a mesma quantidade de especialistas que problemas, os Cheios de Certezas preferem aumentar o tom que os Argumentos.


Talvez porque argumentos exigem muito trabalho.


Exigem escuta, leitura, dúvida, revisão de rota…


Exigem a humildade intelectual de admitir que a realidade é mais complexa do que os slogans que cabem em um comentário de rede social ou em uma breve conversa.


A “certeza absoluta”, por outro lado, é bastante confortável.


Ela dispensa perguntas.


Não precisa de evidências quando já decidiu suas conclusões antes mesmo de conhecer os fatos.


Quem está cheio de certezas muito raramente procura compreender; quase sempre procura vencer.


Vivemos tempos em que a opinião apressada vale mais do que a reflexão paciente.


Antes que um problema seja entendido, já existem milhares de diagnósticos.


Antes que uma pergunta seja formulada corretamente, já há filas de especialistas improvisados oferecendo respostas definitivas.


E quanto mais complexa a questão, mais simples e categórica costuma ser a explicação apresentada.


Nesse cenário, a dúvida passou a ser confundida com fraqueza.


Mudar de ideia virou sinal de incoerência.


Reconhecer limites no próprio conhecimento parece menos admirável do que sustentar convicções inabaláveis, mesmo quando elas colidem com a realidade.


Mas o progresso humano nunca foi construído pela arrogância das respostas à pronta entrega.


Foi construído pela coragem de questionar, testar, errar e aprender.


A ciência avança assim.


A maturidade também.


E as sociedades mais saudáveis são aquelas que valorizam mais a qualidade das perguntas do que o tom das respostas.


Talvez o verdadeiro especialista não seja aquele que tem resposta para tudo, mas aquele que sabe distinguir o que conhece do que apenas acredita conhecer.


Porque entre a ignorância assumida e a certeza infundada, a segunda costuma causar muito mais estragos.


Num país abarrotado de especialistas em quase tudo, a sabedoria continua sendo um recurso muito raro: a capacidade de ouvir antes de concluir, de pensar antes de reagir e de admitir que, às vezes, a frase mais inteligente da conversa ainda é: “Eu posso estar errado.”

⁠⁠Com tantas Guerras descaradamente ignoradas no “nosso” país, não deveria nos sobrar tanto tempo nem disposição
para palpitarmos nas guerras dos outros.


Quem vê a assustadora parte de um povo escolhendo lado em outras guerras, pode até acreditar que não temos tantos conflitos internos para lutar.


Mas temos.


E não são poucos.


São guerras sem sirenes internacionais, sem transmissões ao vivo em alta definição, sem mapas coloridos nos telejornais.


São guerras silenciosas, travadas nas periferias esquecidas, nas filas dos hospitais, nas salas de aula sucateadas, nos lares onde a dignidade perdeu território para a sobrevivência.


Há uma guerra diária contra a desigualdade que normalizamos.


Uma guerra contra a corrupção que denunciamos em ano eleitoral e relativizamos no resto do tempo.


É guerra contra a ignorância cultivada, contra a desinformação compartilhada com convicção e preguiça de checar.


Contra o desalento que transforma cidadãos em espectadores.


Ainda assim, muitos preferem empunhar bandeiras internacionais com a mesma facilidade com que ignoram as trincheiras da própria rua.


Opinar sobre conflitos distantes exige apenas conexão à internet.


Enfrentar os conflitos internos exige caráter, constância e compromisso — três virtudes que não rendem tantos aplausos nas redes.


Não se trata de indiferença ao sofrimento alheio.


Solidariedade é uma grande virtude.


O problema é quando a comoção seletiva vira espetáculo e a indignação terceirizada serve apenas para aliviar a consciência enquanto as mazelas domésticas seguem intactas.


É curioso: somos rápidos para apontar injustiças além-mar, mas lentos para reconhecer que também somos parte — ativa ou omissa — das injustiças daqui.


Escolher um lado em guerras estrangeiras pode até dar a sensação de lucidez moral.


Mas escolher enfrentar as próprias contradições exige maturidade cívica.


Talvez o que nos falte não seja opinião, mas prioridade.


Não seja engajamento digital, mas responsabilidade real.


Porque enquanto gastamos energia demais disputando narrativas globais, há batalhas locais esperando por gente disposta a lutar menos com o teclado e mais com atitudes.


E, no fim, a pergunta que fica é bastante desconfortável: estamos escolhendo lados por consciência… ou por conveniência?