Padre Fabio de Melo Cultivo

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É a profunda ignorância que inspira o tom dogmático.

O invejoso é tirano e verdugo de si próprio: ele sofre porque os outros gozam.

O pretexto normal dos que fazem a infelicidade dos outros é de quererem o bem deles.

Seja no que for, apenas poderemos ser julgados pelos nossos pares.

Admiramos o mundo através do que amamos.

Não existe vício que não tenha uma falsa semelhança com uma virtude e que disso não tire proveito.

Em grande parte, os maridos são como as mulheres os fazem.

A ambição sujeita os homens a maior servilismo do que a fome e a pobreza.

O fim da vida não é a felicidade, mas o aperfeiçoamento.

O homem só será livre quando o último rei for enforcado nas tripas do último padre.

Jean Meslier
Les Éleuthéromanes

Nota: Paráfrase de trecho presente na obra "Memórias dos pensamentos e sentimentos de Jean Meslier", que diz, originalmente: "Eu gostaria, e este será o último e o mais ardente dos meus desejos, eu gostaria que o último rei fosse estrangulado com as tripas do último padre." A citação costuma ser atribuída a Denis Diderot, mas ele apenas adaptou em versos a ideia do padre Meslier: "E as suas mãos fariam das entranhas do padre uma trança / Na falta de uma corda, para estrangular reis".

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Matar padre dá um azar danado. Sobretudo para o padre.
(Em: O Auto da Compadecida)

No primeiro dia pensei em me matar. No segundo, em virar padre. No terceiro, em beber até cair. No quarto, pensei em escrever uma carta para Marcela. No quinto, comecei a pensar na Europa e no sexto comecei a sonhar com as noites em Lisboa. Em seis dias Deus fez o mundo e eu refiz o meu.

José Roberto Torero
KLOTZEL, André. Memórias Póstumas. Superfilmes, 2001.

Nota: Trecho do roteiro do filme "Memórias Póstumas", inspirado no livro "Memórias Póstumas de Brás Cubas", de Machado de Assis. O roteiro do filme é de André Klotzel e os diálogos são de José Roberto Torero.

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Há coisas que o sujeito não confessa ao padre, ao psicanalista, e nem ao médium, depois de morto. Uma delas, certamente, é a inveja.

A partir do momento que eu saio do limite, eu caio no pecado. O primeiro pecado da humanidade foi justamente sair do limite. O paraíso é um lugar que foi cercado para que ninguém se perdesse, pois Deus estava ali, o lugar do encontro, não é prisão. O primeiro pecado, a queda original, aconteceu porque alguém não compreendeu o conceito de limite, não compreendeu o espaço delimitado e se perdeu. O conceito de limite está cada vez mais claro dentro de nós e por isso seremos mais exigidos, como Deus nos diz: “quanto mais for dado, muito mais será exigido”. Jesus nos diz que é impossível viver servindo a dois senhores. Não é possível viver duas realidades que naturalmente não se conciliam. Seus limites precisam ser aclarados, nós precisamos cada vez mais saber sobre o que nós podemos e o que não podemos.

VIR A SER

Eu procuro por mim.
Eu procuro por tudo o que é meu e que em mim se esconde.
Eu procuro por um saber que ainda não sei, mas que de alguma forma já sabe em mim.
Eu sou assim...
processo constante de vir a ser.
O que sou e ainda serei são verbos que se conjugam sob áurea de um mistério fascinante.
Eu me recebo de Deus e a Ele me devolvo.
Movimento que não termina porque terminar é o mesmo que deixar de ser.
Eu sou o que sou na medida em que me permito ser.
E quando não sou é porque o ser eu não soube escolher.

O amor é equação onde prevalece a multiplicação do perdão.

Eu sou o meu próprio inimigo,
quando não tenho forças para resolver um problema,
quando não consigo arrancar o que me faz sofrer.

Não é preciso uma verdade nova, uma aventura, para encontrar nas luzes que se acendem um brilho eterno.

Deus não poderá fazer nada com suas obras se antes ele não possuir seu coração.

Felizes os que encontram no fim da vida alguém que lhes diga: Você não serve para nada, mas eu não sei viver sem você!