Os Dias Passam
Dias há em que penso em me calar
E passar a simplesmente ler jornal
Guardar lá no fundo do armário
Este meu já não muito profíquo
Embornal de letras mortas
Absorto em minha leitura
ao final de mais um dia
Me vem a compulsiva e indomável tortura
Quase que lasciva obsessão que me domina
Minha cabeça se inclina
Completamente carregada
da boa e velha poesia pura
daquela que acalma as nossas vidas
traz de volta à razão
as almas dos suicídas
Amaina os corações dos homicidas
É muito mais feliz quem cria
Que aquele que um dia
Leu, porém não entendeu
Que talvez o homicida ou suicida
seja eu.
Tem dias em os dias são só dela
Dias há, em que as horas são só minhas
Há momentos em que não pertenço a nada
Nada faço e em mais nada penso
Nascem dias em que eu acordo propenso
a pensar somente em poesia.
Às vezes eu me sinto assim
Sozinho e esquecido
e é nesses dias
Quando eu me vejo perdido
Que percebo
O quanto eu pensei em outrem
Enquanto nem pensava em mim
Ontem, perto do final do dia
Chovia, choveu bastante
Meus olhos delirantes
e meu pulso vacilante
Concluiam, quase que perplexos
O quanto que
de tempos em tempos
A vida se revela
Algo que parece
carecer de nexo
e o tempo, apesar de complexo
Muitas vezes me parece desconexo
A gente se esquece quase sempre
Que a chuva exagerada de uma noite
No dia seguinte desaparece
Não deixa marcas
Muitas vezes, pensamentos simples
daqueles que nos chegam aos poucos
e aos poucos nos invadem
de repente te fazem olhar a sua vida
e perceber que pode ser tarde, muito tarde
São coisas assim que deixam marcas
Maiores que as maiores tempestades.
Não é todo dia que se ri
Nem todo dia é dia de chegada
Há dias em que a gente chora
Tem dias em que esse dia é agora
Há momentos presentes
Que de alguma forma
Nunca mais haverão de estar ausentes
Pois tudo muda em nossa vida
Quando vemos, infelizes, a partida
De quem no fazia sorrir
e também ria
Adeus, Maria
Tudo muda de repente
Mesmo que não seja repentinamente
O que não muda e não mudará jamais
Será o modo de viver aquele momento
Que eu te via, em movimentos lentos
Me lembro de todos eles
Mesmo que pra ti eu parecesse desatento
Pois eu sei que não mais chegará
Eu fico aqui
E peço que essas palavras voem ao vento
e te alcancem e te abracem
E te digam que o que eu mais queria
Era que você ficasse
Adeus, Maria
Até um dia!
Tem dias em que a gente
Simplesmente pensa
e pensa sinceramente
Que não compensa
Olha a vida pelo lado de fora
e dá vontade de ir embora
Pois ela parece apenas
Um absurdo que deu certo
Uma coisa passageira
Que dura uma eternidade
carente somente
de motivo concreto
haja visto
Que não dá pra entender
e nem mudar pra melhor
tudo isto
tem dias em que eu
Simplesmente
Quase desisto
Meu violão me disse não
Quando eu tentei agradar
Alguém que não merecia
Dias há em que isso acontece
Até que o coração arrefece
A tristeza é um enorme ciclope
Que traz uma clava na mão
Mas a vida não é,
de nenhuma maneira
Uma cópia da arte
As coisas tem vontade própria
Quando a verdade pulsa mais
As vias lacrimais
Se recusam a demonstrar
Qualquer emoção
Que não mereça ser mostrada
Eu creio ser esta a razão
Pra meu violão dizer que não
Quando é assim
Meu violão não diz mais nada.
Tem dias que parece
Que começam pelo fim
em dias assim
tudo que eu preciso
é somente um simples sorriso
daqueles que eu sei
Eles não vem
Tem dias que parece
Que meu coração é uma máquina
de fazer coisa ruim
Em dias assim
Tudo que eu preciso
é de uma lágrima
daquelas que não vem também
Tem dias que chove
Tem dias que faz Sol lá fora
Tanto faz
Em dias assim
Iguais agora
Quando ninguém pensa em mim
É que eu penso em todo Mundo
Que me odeia de vez em quando
E eu também não gosto deles
por alguns segundos
depois isso passa
Não gostar de gente assim
Não tem mais graça.
Depois que eu envelheci
E todas aquelas alegrias
Que vivíamos
Naqueles lindos dias
Partiram pra outro lugar
E hoje não mais
Estão indo
e nem vindo
Somente se foram
E todos os dias
Agora
São sempre iguais
Mesmo assim
Eu olho pro lugar onde ficava
A Velha Estrada de Ferro,
Posso até ver
As telhas vermelhas de barro
E tantas pessoas
Deixando ali
Seus sorrisos,
Cabelos balançando,
Olhares indecisos.
Entre eles
Nós dois
Éramos quase crianças
As boas lembranças
Vão sendo apagadas
Cerro meus olhos
Tentando me lembrar
Porém, de tantos rostos
Que passaram por ali
Somente o teu olhar
Não esqueci.
Edson Ricardo Paiva.
Tem dias que a vida
É um mundo
Onde cabe todo mundo
Passa-se um segundo
Tudo muda
E a vida não passa
de um quintal
Tudo fica igual
ao que era ontem
Mas esta vida
é repleta de quintais
Por mais que a gente queira
Não existem dois dias iguais
Senão não haveria
Os jornais
Tem dias em que a vida
É um embornal
Roto e amarrotado
Abarrotado de sonhos
E a gente simplesmente
Precisa deixar de sonhar
Eu, particularmente
Nem sei mais
onde é que ponho
Tantos sonhos
edsonricardopaiva
É preciso sempre prosseguir
não existe essa opção
de desistir da caminhada
Tem dias em que a luz do Sol
parece brilhar menos
Há noites sem sorrisos, nem acenos
Madrugadas sem sono ou sonhos
e é estranho
Não saber o que fazer com tantos planos
Que nem chegavam a caber
No tamanho dos dias
E não podiam ser contidos
No final a gente fica triste
Chega aquela sensação
Que a vida desistiu da gente
No momento em que gente estava
Perdidamente apaixonado
Pela vida
Absorva-se então, essa aflição
Qual fosse uma brisa suave
Aceite-se que não se vive
Sem conhecer esses entraves
Inevitáveis como o pôr-do-Sol
Indomáveis como a madrugada
Porém tão previsíveis
Quanto o nascer de um novo dia
E mesmo que pareça
Que ele chegou sem alegria
e sem mais nada
Não existe essa opção de desistir
Talvez a vida possa parecer
Não querer mais a gente
É nesses momentos
Que é preciso insistir em viver
e quando se mostra pra essa vida
Qual de nós dois
Está definitivamente no comando
Edson Ricardo Paiva
Todo dia
Nasce um dia
Que termina
Todo dia
E em todos os dias
Que passaram
Houve sempre alguma coisa
Que ficou
Pois não é sempre
Que se esquece ou compreende
Aquilo que acontece
No momento exato
em que acontecem
E é por isso
Que junto a tantas lambranças
Que ficaram
Hoje eu vejo com clareza
As coisas que a vida traz
e o tempo faz
Pois, ainda hoje
Existem dias
Que não terminaram
e que não vão
terminar jamais.
Edson Ricardo Paiva.
A vida
pode ser
Cheia de surpresas
Tem dias em que a vida
Se assemelha a uma roleta
Onde a gente somente
Vai percebendo
o quanto se perde
Por depositar a própria confiança
Naquilo que vai ocorrer a esmo
Porém dias há
Em que tudo muda
e o destino, simplesmente
resolve oferecer ajuda
Como se houvesse um desmo
Entre nós
E todas as forças
Que regem todos os Universos
Os versos escritos por mim mesmo
Ficaram bonitos no final do dia
Sorri para nós
A cara colorida da alegria
A vida muda
Deus oferece ajuda
Mesmo que a vida
Realmente
Não seja simplesmente poesia
Apesar de as palavras nela escritas
Atenuarem e transformarem
Até mesmo lágrimas
Em bonitas gotas de tristeza
Toda tristeza um dia
haverá de ter um fim
Portanto
Não precisa confiar em ser sozinho
Tampouco confiar em mim
Mas podemos sim
Transformar nossos fracassos
num grande sucesso
E se eu puder pedir-te algo
Te peço
Que confie em nós
A chuva vai cair e vai passar
Toda escuridão também tem fim
E nunca mais haveremos
de ficar assim...tão sós.
Edson Ricardo Paiva
Tem dias que a vida da gente
Parece simplesmente
Missão de ser ajudante
e a gente vai cumprindo a vida
Como a cumprir expediente
Construindo coisa importante
Sabendo que a gente mesmo
Não tem importância nenhuma
E permanece nos lugares
o tempo suficiente
Pra que aquilo seja feito
Mas que, após cuncluido
Sabe que vai ser
Esquecido
Não tem jeito
E no dia seguinte
Começa novamente
A fazer tudo aquilo
Qua a vida ensinou
A fazer sempre completo
Concreto e perfeitamente
sabendo que no final
Vai ser igual
E não vai poder ficar
Pra olhar por um mínimo instante
E lá se vão
Esses seres desimportantes
Seguindo adiante na sua jornada
Esperando
Um dia feliz,
Um olhar que me reconheça
A mão carinhosa
Uma cara ansiosa
Me esperando no portão.
Uma noite de Lua
Ama boa conversa
debaixo de um Céu de estrelas
E pares de olhos
e olhares sinceros
Sinceramente enlevados
Tudo aquilo que passou
A gente esquece e deixa de lado
Assim que adormece
A vida passa finalmente
a ter um sentido
As palavras ressentidas
Aquele mal que existiu por muito tempo
em todas as nossas vidas
Não haverão de encontrar espaço
Nunca mais
Apenas um milhão de abraços
Atmosfera de paz
Fortalecendo esses laços
E tudo que aqui não tiver
A gente vai juntos buscar
E aquilo que lá não houver
Basta me dizer que quer
E juntos a gente faz.
Edson Ricardo Paiva.
Insista
Vista-se de precioso sorriso
E faça tudo novamente
Há dias que parece
Que não se vive esta vida
E esses dias, muitas vezes
Duram anos, conforme você permite
Portanto
Viva somente o bastante
Pra que haja certeza
E que ela seja
Cortante, contundente e elucidante
Pra concluir
Que está da hora de encontrar
A melhor maneira de viver
Outra vida, antes que ela se acabe
Descubra
Que há muito mais a saber
Além do muito
Que você pensa que sabe
Conclua que tudo isso
É ridiculamente pouco
Senão
Você não teria sido
Louco o suficiente
Em não tentar enxergar
Aquilo que teus olhos
Tanto insistiam em não ver
Enquanto o teu coração
Sabia o tempo todo
Que é necessário e urgente
Viver
Aquilo tudo não vivido até agora
Pois
No eterno dia
Aquele que não acabava
Repleto
de dias perdidos
Horas tristes de sorrisos adiados
E insistia
Porque
Você acostumou-se a ver as horas
Num relógio que há muito tempo
Havia parado.
Edson Ricardo Paiva.
"DESEJO DE SUMIR. ESSA VONTADE CANSADA DE TODOS OS DIAS."
"Eles não verão nem ouvirão meus segredos bobos."
Ninguém acorda para mais um dia. Apenas se põe de pé dentro dele, como quem aceita um fardo antigo sem discutir. Não sabemos quem passa por quem. Se somos nós que cruzamos as vidas ou se são elas que nos atravessam, deixando resíduos invisíveis que se acumulam até o cansaço.
O desejo de sumir não nasce do espetáculo. Nasce da repetição. Da fadiga de existir todos os dias sem interrupção. Não é morte o que se quer. É intervalo. É silêncio prolongado. É não precisar sustentar o peso de si mesmo por algumas horas que nunca vêm.
No silêncio inaugural o deserto não boceja. Ele estremece. As notas de piano não caem. Elas sangram num tempo lento, espesso, difícil de atravessar. O contrabaixo pesa como um peito saturado de dias iguais, marcando o passo de quem caminha não porque acredita, mas porque ainda não caiu. O sol não nasce. Ele apenas tolera o mundo. A esperança não é linha no horizonte. É cicatriz que insiste em não fechar.
A melodia cresce como cresce o trauma cotidiano que ninguém percebe. As teclas pretas e brancas não dançam. Elas se enfrentam. O drama não se costura. Ele se rasga em acordes de tensão contínua. Não há repouso nas pausas. A pausa ameaça revelar o vazio. A poeira guarda a história como quem guarda um segredo vergonhoso. O herói e o vilão dividem o mesmo corpo cansado. Ambos querem sumir. Um chama isso de covardia. O outro chama de descanso.
Seguimos de pé por entre o dia. Não o dominamos. O dia nos atravessa com suas exigências mudas. Cada encontro é um choque entre cansaços que não se confessam. Cada rosto esconde um pedido de trégua. Não sabemos quem carrega quem. Apenas seguimos, tropeçando em nós mesmos.
A cadência final não consola. Ela esgota. O último grave não vibra. Ele cai. O movimento não se transforma em silêncio. Transforma-se em suspensão. Não é morte. Não é alívio pleno. É a permanência de uma vontade que não se resolve. A música termina onde a dor aprende a morar sem escândalo. O Oeste adormece porque até o vento se cansa de insistir.
E ainda assim alguém se levanta amanhã. Não por esperança exuberante. Mas porque permanecer, mesmo desejando sumir, é um gesto severo de lucidez. E seguir, cansado e consciente, é a forma mais silenciosa e profunda de coragem.
Tem sido uma delícia dividir meus dias com você. Cada momento ao seu lado deixa minha vida mais leve, mais bonita e cheia de sentido. Obrigada por fazer parte da minha rotina e por transformar os dias mais simples em lembranças especiais. Que a gente continue escrevendo essa linda história, sempre de mãos dadas.
O amor se equipara as plantas, deve ser regado e cuidado todos os dias para que floresça e der bons frutos.
Ser feliz não é só ouvir ou receber todos os dias um "EU TE AMO". A felicidade se completa com ações e atitudes vivenciadas e correspondida com lealdade.
Ore todos os dias pedindo livramentos porque quem sai de vivência de sofrimentos e passa a viver na bondade causa inveja mesmo... Muitos não conseguem ver a felicidade alheia.
Estamos vivenciando dias difíceis, o que nos faz entender que deveremos tirar algumas palavras do nosso vocabulário: (O EU IA)
EU IA - Dizer;
EU IA - Abraçar;
EU IA - Beijar;
EU IA- Perdoar;
EU IA- Ajudar...
Deveremos fazer tudo hoje, porque o amanhã poderá não mais existir.
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