Os Dias Passam
O luto da “Vida” — 200 dias
Quando nasce uma criança especial, nasce um sentimento. Nasce a culpa, a revolta, nasce um luto. Aquela criança não é a que imaginaram, não é o que sempre sonharam. Mas nenhuma criança é exatamente aquilo que imaginamos ou sonhamos.
E, enquanto se sonha com uma criança que não existe, há uma ali, querendo abraços, querendo um olhar de amor, sorrindo sozinha...
Enquanto cresce, espera ser apreciada pelo que é, e não pelo que deveria ter sido.
Ainda não lhe deram a chance de aparecer, de mostrar para que veio.
E sua cabeça de “pai”, racional demais, não sabe o que pensar. E, baixinho, com medo de ser ouvida, pergunta:
— Para que nasceu? Por que ainda vive?
Enquanto isso, seu coração, acelerado como sempre, já ultrapassou o tempo e sofre calado, por medo de um dia vê-la partir ou de partir primeiro.
Quando alguém deixa ou se vai, não está abandonando aquele bebê, e sim a si mesmo. Está antecipando a própria dor, diminuindo o amor, protegendo-se de algo que acredita ser inevitável.
Mas quem sou eu para falar?
Não tenho filhos assim.
A vida, porém, me deu essa oportunidade.
Por impulsividade, troquei de escola e me tornei professora de dois adolescentes com deficiências múltiplas.
Para mim, era normal.
Eu simplesmente havia mudado de escola e tinha uma variedade de alunos.
Até começarem os comentários.
Comentários de lá, de todos os lugares... Gente dizendo que eu deveria desistir. Outros sofrendo por mim, lamentando a minha “falta de sorte”.
Eu não entendia.
Por que desistir?
Por que aquela seria uma escolha ruim?
Até que, cinco dias depois — no feriado prolongado de Carnaval —, aconteceu.
Era sábado.
De repente, senti o cheirinho de perfume de bebê de um deles.
Não quis acreditar.
Talvez fosse apenas uma lembrança.
Talvez fosse imaginação.
Mas aquele cheiro deixou uma lacuna em algum lugar aqui dentro.
Na terça-feira, senti falta do outro.
Talvez eu ainda estivesse em negação.
Talvez alguma coisa dentro de mim já soubesse, enquanto eu ainda tentava entender.
Era algo que gritava.
Algo intenso demais para passar despercebido.
E, então, pronto.
Não podia mais negar.
Eu estava apaixonada por eles.
E, naquele instante, tudo mudou.
Eu iria cuidar.
Iria protegê-los como pudesse.
Faria o meu melhor.
Quis devolver.
Mas, para esse tipo de coisa, não existe devolução.
Então, tive que usá-los.
Usei os outros 195 dias para brincar, cuidar, ensinar...
200 dias tinham sido muito.
Para que tanto?
Hoje eu sei.
Não precisei de 200 dias para amá-los.
Precisei de apenas cinco para descobrir que já os amava.
Realmente, 200 dias foram, exageradamente, bastante para alguém que não os teria; para alguém que estava apenas de passagem por suas vidas e que passaria o resto da vida sufocando a saudade.
Talvez os 200 dias não tenham sido dados para que eu aprendesse a amá-los.
Talvez tenham sido dados para que eu descobrisse que, depois de amar, não existe devolução.
A Coragem de Amar
Amar, nos dias de hoje, exige coragem.
Porque amar é abrir a porta sabendo que alguém poderá conhecer nossos cômodos mais escondidos. É entregar o coração sem contrato, sem garantia, sem saber exatamente o que o amanhã fará de nós.
E eu tive essa coragem.
Amei profundamente. Entreguei corpo e alma.
Criei raízes nesse amor até já não saber onde terminavam as minhas e começavam as nossas.
São trinta e tantos anos dividindo a vida.
Houve dias de sol e dias difíceis. Houve risos, silêncios, abraços e certamente momentos em que permanecer exigiu mais força do que partir. Mas talvez esteja justamente aí uma das verdades do amor: ele não é feito somente daquilo que é bonito. É feito também da temperança que aprendemos quando duas vidas atravessam juntas as imperfeições do tempo.
Amar alguém por tantos anos não significa viver uma história perfeita.
Significa olhar para tudo o que passou e perceber: ainda estamos aqui.
Por isso digo sem vergonha e sem medo:
eu sou corajoso.
Porque me entreguei.
Porque criei raízes.
Porque permiti que alguém conhecesse profundamente quem eu sou.
E, depois de tantos anos, continuo acreditando que amar vale o risco.
Talvez essa seja uma das maiores coragens que um ser humano pode ter:
saber que o amor nos deixa vulneráveis e, mesmo assim, escolher amar.
Jejum pode até aumentar os dias na Terra,
mas a caridade é que pode dar vida eterna.
Por isso se você jejua,
pratique também a caridade,
mas sem publicidade!
Tua ausência tornou-se o compasso vazio dos meus dias. Há uma melancolia profunda em redescobrir o mundo sem o brilho do teu olhar para iluminar os pequenos detalhes que só nós sabíamos decifrar. Dizem que o tempo cura todas as feridas, mas, para mim, ele tem sido apenas um relógio parado — um eterno inverno que se instalou desde que nossos caminhos se desencontraram.
Sinto uma saudade latente da simplicidade de sermos, apenas, um só coração. Daquela época em que a nossa maior promessa era o próximo encontro e o meu tesouro mais sagrado era o som da tua risada, que ecoava como música em minha alma. Perdi-me em labirintos de palavras não ditas e em gestos que o orgulho ou o medo adiaram. Hoje, com a clareza que só a saudade traz, percebo que, no afã de viver a vida, esqueci que o meu mundo só possui sentido pleno quando está ancorado no teu porto seguro.
Não te peço que apagues as cicatrizes ou esqueças as dores, pois elas também narram a nossa história. Peço apenas que permitas que a ternura prevaleça. Lembra-te do toque que desarmava qualquer tempestade e daquela conexão que parecia ter sido escrita nas estrelas, muito antes de os nossos corações aprenderem a bater.
Se ainda restar, nas profundezas da tua alma, um pequeno refúgio guardado para o que fomos, deixa-me provar que podemos ser ainda mais. Não desejo voltar para o mesmo lugar de antes, mas sim construir um novo destino, como alguém que finalmente compreendeu o valor inestimável do que possuía e que hoje está pronto para lapidar esse sentimento como o mais raro e precioso dos cristais.
O meu coração, teimoso e eternamente fiel, ainda pulsa no ritmo do teu nome. Estarei aqui, no nosso cais particular, observando o horizonte e esperando para ver se o vento, em um sopro de misericórdia, decide trazer-te finalmente de volta para casa.
Meu coração está cheio, mas minha mente está exausta. Os últimos dias não têm sido fáceis e, confesso, meu psicológico chegou ao limite. Às vezes me vejo perdido, tentando entender onde errei ou por que as coisas parecem tão pesadas agora, quando tudo o que eu mais queria era estar bem para te fazer a mulher mais feliz do mundo.
Quero te pedir desculpas. Perdão se o meu cansaço transpareceu como falta de atenção, se o meu silêncio pareceu distância ou se eu não consegui ser o homem sorridente que você merece encontrar todos os dias. Por mais que eu me esforce, há dias em que a alma parece não acompanhar o passo, e dói muito não conseguir te entregar a minha melhor versão neste momento.
Minha gratidão por você é infinita. Obrigado por ser a minha paciência quando eu perco a minha, e por ser o meu porto seguro enquanto tento me reencontrar. Você é a prova de que, mesmo nos dias mais sombrios, ainda existe luz. Ter você ao meu lado não é apenas um presente, é o que me mantém de pé.
Eu te amo além das palavras e, mesmo exausto, meu lugar preferido no universo continua sendo o abrigo do seu abraço. Obrigado por não soltar a minha mão quando o caminho ficou difícil. Você é, e sempre será, o meu único ponto de paz.
Há muito tempo, quando a juventude ainda coloria meus dias, entreguei meu coração a uma mulher incrível. Eu a amava com uma intensidade que as palavras mal conseguem descrever, mas o destino, em sua face mais cruel, traçou caminhos opostos para nós.
Naquele dia da nossa partida, senti como se uma parte vital de mim tivesse sido arrancada. O destino não levou apenas a nossa convivência; ele levou embora um pedaço do meu peito, que nunca mais voltou para o lugar.
Os anos passaram e o mundo mudou, mas, dentro de mim, o tempo parece ter estagnado naquela última despedida. Dizem que o tempo cura tudo, mas, para mim, ele apenas refinou a saudade. Hoje, sinto a falta dela com a mesma força do primeiro dia. Ela continua sendo a dona dos meus pensamentos e a protagonista de todos os sonhos que ainda insisto em sonhar.
Posso ter envelhecido, mas o homem apaixonado que eu era continua vivo aqui dentro, guardando a chama de um amor que nem a distância, nem o silêncio e nem a ausência foram capazes de apagar. Ela foi — e sempre será — o grande e único amor da minha vida.
Se o destino aceitasse trocas, eu daria cada um dos meus dias só para ter você de volta em um deles.
você não é apenas um passado que eu lembro, é o presente que eu escolho viver todos os dias e o único futuro que eu consigo imaginar.
Dizem que os sonhos terminam quando a gente acorda, mas eu acordo todos os dias querendo te amar ainda mais. O nosso sonho está apenas começando.
Amar você é o que dá sentido aos meus dias; é saber que, apesar de tudo, o sonho continua vivo e mais forte do que nunca.
Confesso o meu crime: amar você. E se houver sentença, que seja passar o resto dos meus dias cometendo esse mesmo erro.
Antes de você, eu colecionava dias; depois de te conhecer, aprendi a cultivá-los. Não é o teu sorriso que me prende, mas a paz que encontro quando o mundo desaba e, ainda assim, no teu olhar, existe um amanhã. Eu não te amo pelo que és, mas pelo que me torno quando caminho ao teu lado: um homem inteiro, sem medo de ruir. Se um dia a vida nos separar, saiba que levarei comigo o melhor de nós, pois escolho, todos os dias, caminhar e crescer ao teu lado.
Lá fora, os dias correm livres e o mundo inventa novas manhãs. Aqui dentro, porém, o tempo insiste em morar na estação em que você partiu. As horas caem mansas, feito folhas de outono, mas nenhuma delas consegue preencher o silêncio que a tua ausência deixou. É um desencontro bonito e triste: a vida continua a seguir o seu curso de rio, enquanto eu escolhi ser cais, ancorado na doçura da tua memória. Porque mesmo longe, e sem pressa, é o teu amor que ainda dá ritmo aos meus passos e desenha o tamanho exato da minha saudade.
Passei os últimos anos fingindo. Montei uma rotina que funciona, preenchi meus dias com novos hábitos e tentei convencer a mim mesmo de que o passado tinha ficado para trás. Mas a verdade é que minha encenação ruiu hoje. Ver você seguindo em frente, construindo uma vida estável e independente com o seu próprio esforço, destruiu minha falsa sensação de superação. Ficou claro o tamanho do meu fracasso na tentativa ridícula de te transformar em esquecimento.Antes de continuar, me perdoe por quebrar o silêncio. Eu sei perfeitamente que perdi o direito de aparecer, e sinto muito por fazer isso sem aviso, mas eu precisava desta honestidade limpa comigo e com você. Não importa quem passe pelos meus dias ou o quanto eu tente me ocupar; no fim do dia, meus pensamentos sempre voltam para você. O que vivemos não foi uma fase que passou. Ficou gravado em quem eu sou de um jeito que o tempo e a distância só deixaram mais nítido.Eu assumo hoje, sem nenhuma desculpa, que o fim da nossa história foi responsabilidade inteiramente minha. Fui eu quem estragou o que tínhamos de mais valioso. Eu falhei com você no momento em que deveria ter sido o seu apoio seguro. Carrego o peso incômodo de saber que nossa separação não foi obra do destino ou do azar, mas o resultado direto das minhas escolhas erradas, do meu egoísmo e da minha imaturidade crônica.Se eu pudesse voltar atrás, se houvesse qualquer forma real de consertar minhas atitudes e o meu descaso, eu faria isso no mesmo instante. Eu abriria mão de qualquer plano futuro para recuperar o tempo em que estávamos juntos e bem. Desde que você saiu da minha vida, as coisas perderam o brilho. A verdade mais dura é que a última vez que experimentei uma felicidade real, sem precisar forçar um sorriso, foi ao seu lado. Depois de você, minha alegria virou uma resposta automática, um disfarce para o vazio.As pessoas dizem que o tempo cura tudo e que sempre há recomeços, mas a realidade é mais fria do que os conselhos de conforto. Eu sei que, no nosso caso, essa segunda chance talvez seja uma estrada que não existe mais. É doloroso aceitar que posso nunca mais ter a oportunidade de te mostrar que mudei com o impacto dessa perda, e entendo que essa solidão seja o preço justo pelos meus erros. Mesmo assim, se for preciso engolir todo o meu orgulho, deixar a vergonha de lado e implorar pela sua atenção, eu farei. Eu faria qualquer coisa para ter você por perto de novo, porque meu mundo ficou sem sentido sem o seu amor.Eu saio, conheço outras pessoas e busco a sua tranquilidade em outros rostos, mas é um esforço inútil. Meu coração já escolheu e recusa qualquer imitação barata. Eu queria muito estar dizendo tudo isso olhando nos seus olhos, deixando você ver a verdade na minha cara, sem a distância de uma tela. Mas, como respeito o afastamento que o momento exige, escrevo estas linhas. Você foi, e continua sendo, a única pessoa capaz de acessar o meu lado mais verdadeiro e vulnerável.Escolhi o dia de hoje para tirar esse peso das minhas costas porque, enquanto o mundo comemora o dia do seu nascimento, eu celebro o fato de ter tido a sorte de conhecer a sua essência. Parabéns por ser essa mulher incrível, madura e forte. Mais uma vez, peço desculpas por despejar essa carga em um dia que deveria ser só de leveza para você. É um egoísmo meu não conseguir guardar essa dor sozinho justamente hoje.Amar de verdade, como estou aprendendo da pior forma, também significa saber recuar para preservar a sua paz. Às vezes, o amor não se mostra na insistência de querer ficar junto, mas no respeito ao espaço que os meus próprios erros criaram entre nós. O sentimento real não morre com o fim do relacionamento; ele vira um respeito eterno e silencioso. Você sempre será o meu primeiro, único e definitivo amor.Me perdoa por tudo. Me perdoa por só entender o valor da sua presença quando me vi na escuridão que eu mesmo causei. Me perdoa por ainda ter esse sentimento tão vivo aqui dentro. Siga o seu caminho com a certeza absoluta de que a culpa do fim foi toda minha, mas que o meu carinho, a minha admiração e o meu amor por você são permanentes.Feliz aniversário, meu eterno grande amor. Eu só queria que você me ouvisse sem me julgar; mas, se me julgar, eu também te darei razão.
É uma das ironias mais devastadoras da vida: passamos os dias pedindo ao universo por um amor calmo, por alguém que cure nossos abismos, e, quando essa alma finalmente chega, nós a tratamos como se fosse um móvel na sala. A ingratidão não nasce da falta de amor; ela nasce da arrogância de achar que o outro estará lá para sempre. O ser humano tem uma urgência doentia pelo que é difícil e um desprezo pelo que é seguro. O carinho diário vira rotina; o cuidado constante vira obrigação. E, aos poucos, cegos pelo brilho falso de novidades baratas, deixamos de ver quem segura a nossa mão no escuro.
Dói perceber que você entregou o seu melhor para alguém que só sabia ler os seus defeitos. É uma dor que rasga o peito, que faz o travesseiro parecer pesado e o amanhecer parecer um castigo. Você se doa por inteiro, ajusta sua vida para caber nos dias do outro, engole o orgulho para salvar o relacionamento, e o troco é a indiferença. A pessoa ingrata consome a sua luz e depois reclama que você está apagado. Mas a grande lição de vida não está na ferida que nos abriu, e sim na nossa capacidade de recolher os próprios pedaços no chão, colá-los com a dignidade que nos resta e aprender a caminhar de novo.
A superação não acontece quando a dor some, mas quando você percebe que o seu amor era grande demais para ser desperdiçado com quem só queria migalhas. Quem não valoriza o sol que tem ao lado acaba implorando por calor na tempestade. Quando um coração generoso cansa de ser ferido, ele não briga, não grita e não cobra. Ele apenas recolhe o afeto que foi jogado fora e fecha a porta, sabendo que cumpriu o seu papel. Se você tem alguém que escolhe você todos os dias, que cuida dos seus medos e honra a sua presença, abra os olhos antes que o tempo transforme essa bênção em uma saudade incurável. Porque o amor sabe perdoar muitas coisas, mas a ausência de valor o mata um pouco mais a cada dia.
Abençoados sejam os dias difíceis, pois eles fazem a triagem exata de quem veio para somar e de quem só veio para sugar.
