Ontem
O amanhã quem sabe ! O agora é meu maior e importante dos compromissos. O ontem residem meu orgulho e lamentos. Os preciosos dos momentos transformados em saudosas lembranças ou em pavorosas das recordações.
As lágrimas que molharam tua face podem ter sido ontem o espelho do teu fracasso, mas representam hoje a solidez do teu sucesso
Nada escapa aos olhos atentos da espiritualidade, se o ontem foi visto com desesperança, o hoje sempre poderá ser um presente para o amanhã
Tenha sempre em mente: o inimigo declarado de hoje nunca foi o amigo devotado de ontem, mas pode vir a ser a indiferença sustentada de amanhã
Por mais que uma amizade tenha nascido hoje, sua semente é um encontro marcado plantado ontem, e que irá florir somente no saber presente
Somos um eterno devir.
As mesmas coisas que eram dignas do nosso afeto ontem, podem não produzir sentido nenhum em nós amanhã.
Pois se em um dado momento somos presença, no momento seguinte podemos nos tornar ausência.
Em um dia somos especiais, no outro não significamos mais.
Um dia somos presentes, em outro história, depois uma vaga lembrança e depois esquecimento e nada mais.
Então o esquecimento assim como a indiferença, se torna um tipo de morte símbólica do valor externo que um dia ilusoriamente demos ou tivemos. E somos enterrados e enterramos simbolicamente todos os dias alguém cuja história não acompanha o nosso próprio desenvolvimento.
Berto se revoltou completamente ontem, um surto capaz de mudar toda a sua trajetória até então, mas ele não mudou. Era imutável, era fechado, era Berto. Pediu demissão de mais um emprego entre inúmeros no último ano, eremita insaciável, insatisfeito, inconsolado. Mandou seu superior pro inferno, engolia ofensas há meses, Berto não nasceu para se submeter, era insubmetível. Jogou uma caixa de arquivos na cara do canalha, que lhe ordenava ordens insensatas, um cretino munido de idiotices hierárquicas.
Aspirante a Vilão
Berto se revoltou completamente ontem, um surto capaz de mudar toda a sua trajetória até então, mas ele não mudou. Era imutável, era fechado, era Berto. Pediu demissão de mais um emprego entre inúmeros no último ano, eremita insaciável, insatisfeito, inconsolado. Mandou seu superior pro inferno, engolia ofensas há meses, Berto não nasceu para se submeter, era insubmetível. Jogou uma caixa de arquivos na cara do canalha, que lhe ordenava ordens insensatas, um cretino munido de idiotices hierárquicas.
Berto virou um demônio e pediu a Deus que lhe desse discernimento, para não cometer ali uma atrocidade. Aquela saleta fedia uma loção barata e desodorante vencido, misturado com cheiro de banheiro e desinfetante caseiro. Divisórias mofas exerciam sua tarefa mal sucedida de serem repartições, isolando os ambientes, descumprindo a missão de ocultarem as conversas em voz alta e os berros exaltados de chefes e subordinados neuróticos e estressados.
Aquele bairro tinha se tornado uma grande privada satélite, anexada ao centro velho e abandonado da cidade, um território esquecido por seres civilizados, antro supremo das mais relevantes categorias do tráfico, drogas, armas, contrabandos e piratarias de todos os gêneros imagináveis, prostituição. O lar do crime rigorosamente organizado, refúgio de marginais, imigrantes, putas, travecos, ligeiras, minorias, desempregados, miseráveis e mais miseráreis, mas nenhum culpado.
Dizer que não é fácil ser honesto no paraíso dos corruptos seria inocência demais, honestidade e dignidade não existem, são basicamente impossíveis de serem praticadas, num lugar como este. O próprio ar em si é corrompível, as ruas não alimentam o crime, o crime alimenta as ruas, sem ele não há forma de vida aqui; e ninguém é culpado.
Uma borboleta
Como as outras
Voltou a ser lagarta
Para salvar sua amada
Ontem era uma borboleta
Hoje é uma lagarta
Ao voltar no tempo
Matou sua amada
Data
ontem
tal como hoje
busquei as palavras
certas
para lhe dizer
como é difícil
não poder falar
o que sinto
por você
hoje
tal como ontem
sinto sua
falta,
mas como tal
não sei se sente
a minha
mesmo que não sinta
não deixo de sentir a sua
amanhã
tal como semana passada
irei procurar por
você
esperando encontrar
seu sorriso
sua voz
beijos e abraços
ontem foi
como hoje
e amanhã
sera como na
semana passada
mesmo que
não se sinta amada
saiba
que ainda sinto o mesmo
ainda sinto o mesmo !
que ontem
ainda sinto o mesmo
que na semana passada
mesmo que eu não diga
sinto
independente do dia
e
da data.
Ontem eu pude
me sentir livre.
me despi de mim
e me despedi de
tudo vivido até ali.
hoje é outro dia
e nada mais importa
esta pobre alma
está presa em suas
próprias memorias.
eu vejo o tempo passar
e tem passado
tão rapido
ainda ontem
me questionava
se era possivel
escrever um poema
que fosse eternizado.
Faça hoje tudo o que você quer fazer, pois amanhã o hoje já será ontem... e se o seu hoje não virar ontem, você não fará mais nada...
Quem sou eu?
Por que este ser falível procura as réstia de quem é?
Ontem pensava me conhecer...
Hoje vejo que nunca soube de fato quem sou...
Uma infinita saudade do eu, me toma.
Mas na minha escuridão, vejo luz...
E a ela persigo insistentemente, até olvidar em brados de alegria a memória que escondi sobre mim...
