Olhos Alma

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Passos lentos...
que desalento.
Caminho desconhecido...
corações desunidos.
Cruzando olhos vazios
os sonhos todos por um fio.

Aprenda com os olhos, escute com o coração e responda com o silêncio.

Conhecer novas paisagens nunca foi apenas mudar de horizonte. É permitir que os olhos aprendam um vocabulário que ainda não conheciam.

Tenho a impressão de que os olhos também colecionam memórias. Cada paisagem bonita amplia o repertório da alma. Depois de contemplar certos reflexos, certas luzes e certos horizontes, voltamos diferentes, não porque o mundo mudou, mas porque carregamos dentro de nós mais maneiras de enxergá-lo.

“Nos olhos dele, ela se reconhece; nos olhos dela, ele encontra seu próprio reflexo. Um olhar herdado, um amor multiplicado.” ❤️

ESMERALDAS DE SOMBRAS.

Escritor:Marcelo Caetano Monteiro.

Ah… teus olhos.
Teus olhos esmeraldinos — não simples gemas, mas abismos translúcidos onde a razão vacila e o verbo morre. Como desejaria eu colhê-los, não com a volúpia do desejo vulgar, mas com a devoção de um monge alquebrado que recolhe as relíquias de sua santa. Tê-los… não em meu peito, mas suspensos num relicário de silêncios, entre as páginas que ainda choram por ti.

Mas tu sabes…
Sabes que eu te amo — e em mim esse amor é um espólio de lâminas cravadas por deuses mudos. Ser atravessado por mil espadas seria um refrigério frente ao que sinto ao ouvir teu nome no mármore frio do esquecimento. O teu nome, Camille, dilacera-me com a precisão de uma nota errada no adágio final de um maestro enlouquecido.

É mister, sim, dormir — dormir não para esquecer, mas para habitar os interstícios oníricos onde tu ainda existes sem dor. Nessas infinitas noites de ti e em ti, faço do teu perfume um incenso que queima devagar nos altares escurecidos da minha alma.

Porque tu sabes —
Sabes que meus olhos só foram feitos para contemplar o teu universo pairante, esse cosmos que se verte do teu semblante com a serenidade trágica de uma musa condenada a existir apenas nas entrelinhas. Viver, criar e pairar sobre mim — pobre poeta das sombras, órfão de sol e exilado da tua claridade.

E eu permaneço — espectro lírico e infecundo, sobrevivente do teu último olhar, compondo com palavras rarefeitas a sinfonia muda da tua ausência.

Joseph Bevoiur.

" O pássaro suspende o voo diante de tua presença,
como se encontrasse em teus olhos
a seiva que as pétalas não possuem.
O jardim floresce em redor, indiferente. "

" Tu te tornaste uma ausência com nome. Uma ausência com perfume. Uma ausência com olhos. Cada silêncio teu é um sacramento sepulcral. "

"O universo foi feito somente para os teus olhos; e tua respiração é o sopro que o alimenta, a essência que me faz existir."
— Marcelo Caetano Monteiro

O UNIVERSO NOS TEUS OLHOS.
O universo dormia em silêncio encantado,
guardando segredos de estrela e luar;
mas viu teus olhos, tão claros, dourados,
e aprendeu novamente a sonhar.
Tua respiração, suave melodia,
é sopro de vida no imenso jardim;
alimenta os mundos com doce poesia,
e faz o infinito florescer dentro de mim.
Se uma rosa distante pudesse falar,
diria ao pequeno viajante da imensidão:
“Há corações que nasceram para amar,
pois carregam o céu dentro da mão.”
E quando a noite beijar a amplidão,
e a lua repousar sobre o mar,
o universo guardará tua recordação:
um olhar onde estrelas vieram morar.
- Marcelo Caetano Monteiro.

O lugar onde se quer chegar
Chega a ser exemplar
O simples mirar de olhos
Não te leva lá
O lugar onde não se quer
Visto de longe, chega a parecer melhor
A estrada é mais bem calçada
E quase não existe obstáculos
O mirar remoto
Traz à vista vultos indefinidos
Que lhe aguçam a curiosidade
E a cobiça, sobre a qual você se cala
O lugar onde se quer chegar
É ímpar e singular
O lugar onde não se quer
Parece sempre ser o melhor
Tendo inclusive o acesso facilitado
E a fachada florida, a partir da entrada
O lugar onde se quer chegar
Possui caminho escuro
É andar à bera do abismo
Durante uma tempestade
Observando, aqui de longe
De onde a vista abrange a quase tudo
E posso ouvir com clareza
Aos pensamentos de um mudo
Sei que tua vontade
Te mostra o lugar difícil
Mas teus passos, decisões e desacertos
Te convencem que há um certo alento
Em quase tudo nesta vida
Nesse espaço de vida, onde caminhaste
Ganhaste mágoas no peito e nos olhos
Conservaste a alma dorida
E teus passos pelo mundo
Por vontade decidida
As indecisões da vida fazem ter no final
Decisão sem par ou igual
E te levam fatalmente
Para o segundo lugar.

Edson Ricardo Paiva.

Sorrateiro

Os olhos se viam felizes
Refletidos pelo espelho
Mas o tempo, sorrateiro
Envelheceu seu rosto
Ao longo de um dia inteiro

Como gotas de chuva
As noites que desabam
Sobre nossas casas,
Nossas coisas, nossas vidas

As horas correm felizes,
suaves por uma fenda
O sinal de saída, o apito do trem na curva
Hora de dormir e descansar
O brotar das uvas em novembro
Felizes idas e vindas

Pode ser que a vida seja
Não um fim em si mesma
Mas um laço indefinido, que liga
Entre futuro e passado

Uma pergunta retórica
Mesmo assim, ser respondida
Depois deixada de lado
Pra no fim, passar despercebida

Por ser o assunto indissolúvel
Questão que, de mal resolvida
A gente vai se apegando
Às alegrias passageiras
Que o tempo vai trazendo, sorrateiramente

Nada nessa mão, nada na outra também
Sorria! Você viveu mais um dia!

Edson Ricardo Paiva

⁠Outra vez é noite alta
é madrugada
Eu acordo do nada
ou de um sonho ruim
Eu procuro
com os olhos no escuro
O meu velho fantasma
que em criança me fazia medo
Num tempo em que sonho
era sempre algo bom
e que eu tinha tanta vontade
de sair pra rua e viver a tudo que eu vivi
Eu queria tanto acordar
quando já fosse dia
Perguntar pra minha velha assombração
aquele medo bobo, que me protegia
De criança que chora por alguma falta
Não sentia essa falta de ar, que eu sinto agora
Qual era a tua sensação
Por que foi que sumiu
Que segredo guardava sobre mim
e de onde vinha o cheiro de hortelã
Combinado à brancura das vestes
Só restaram perguntas
A fazer pra quem me guardava
e nunca mais voltou
Num tempo em que eu me deitava
E, sem medo nenhum dessa vida
Eu dormia até a próxima manhã.

Edson Ricardo Paiva.

Nos olhos meus diga que não me quer mais.
Atire-me pedras apontando erros meus.
Mas jamais esqueça do bem que te fiz.


O dia que não te amei, desconheço.
O meu amor é puro, isso reconheço.
Fiz o beijo teu, como adereço.


Não sou merecedor do amor teu.
Te fiz deusa, deixei de ser ateu.
E foi os teus olhos que me converteu.


Não te dá o direito de me expulsar
não acabe desse jeito, vamos conversar.


Pensei que iria te ter
tolo a tentar te entreter!
Você errou em me obter.

Quando Aprendemos a Enxergar

Há um momento em que os olhos deixam de servir apenas para ver. É quando aprendemos a ler aquilo que não está escrito, a escutar o que não foi pronunciado e a perceber, por trás das aparências, aquilo que insiste em permanecer escondido.
A arte nos ensina esse olhar.
Quando aprendemos a contemplar uma pintura, atravessar um poema, compreender uma música ou reconhecer o silêncio que existe entre duas palavras, alguma coisa dentro de nós abandona a ignorância. Não porque passamos a saber tudo, mas porque finalmente compreendemos o tamanho daquilo que ainda não sabemos.
E talvez seja essa uma das formas mais bonitas de inteligência: não se deixar seduzir facilmente.
Vivemos num tempo em que uma imagem bem construída pode se vestir de verdade. Uma fotografia manipulada pode fabricar felicidade. Uma frase bonita pode esconder o vazio. Um discurso educado pode carregar intenções que somente o pensamento atento consegue perceber.
Por isso, aprender a interpretar a arte é também aprender a interpretar o mundo.
Quem desenvolve sensibilidade começa a desconfiar das aparências perfeitas. Já não se deslumbra com qualquer fotografia cuidadosamente montada, nem entrega sua consciência às frases prontas que circulam como verdades absolutas. Aprende que nem toda beleza contém profundidade, assim como nem toda simplicidade significa pobreza de espírito.
A verdadeira cultura não deveria nos transformar em pessoas arrogantes. Deveria fazer exatamente o contrário: tornar-nos mais difíceis de enganar e mais humildes diante da complexidade da vida.
Porque estudar não é acumular palavras difíceis para impressionar os outros. Estudar é adquirir liberdade para pensar.
E talvez a arte exista justamente para isso: para arrancar os nossos olhos da superfície e nos ensinar que, entre aquilo que vemos e aquilo que realmente existe, há um território imenso chamado consciência.

Música: Avó, o seu afeto vive em meu coração.


Verso 1
Nos teus olhos vejo a história que o tempo escreveu,
Um abraço seguro que nunca me perdeu.


​Refrão
Sua voz é o caminho, seu amor é a lição,
Avó, o seu afeto vive em meu coração.


​Verso 2
O café na mesa e as histórias do passado,
O melhor lugar do mundo é aqui do seu lado.

Sobre a minha pele eu sinto o calor de suas mãos frias
Sobre meus olhos eu sinto o peso ao anoitecer
Sobre minha sombra eu sinto o seu reflexo
Sobre o seu sorriso eu senti o peso de minhas lágrimas, sobre minhas lágrimas eu senti a felicidade em te ver sorrindo.
Sobre os meus tortos passos eu implorei para que os seus fossem acompanhados pelo meu anjo
Sobre o seu desprezo, eu questionei mas chorei em silêncio
Sobre as suas falsas palavras a meu respeito, eu desejei que sentisse toda a dor que eu estava sentindo, depois desejei que não sofresse.
Sobre tudo, eu desejei, mas virou passado uma rotina incontestável em te colocar na estante.
Nos encontraremos lá na frente... No altar, onde seremos jugados pelos nossos erros.
Onde seremos perdoados, onde ainda assim, seremos amados, e ao olhar para trás, algum dia se lembrará da minha imagem, e sem deboche. A mesma virá a sua mente. Quem sabe nesse plano existente, você ainda mostre os dentes?

"Você não faz ideia de como eu me sinto quando eu penso nos seus olhos, na sua pele fria, palavras vazias, sentimentos máximos e mínimos, na sua loucura perfeita, nas suas mãos sobre as minhas, nos papos descontraídos, no amanhecer do seu sorriso, de todas as cores do mundo você foi a mais bela, a mais cruel e a mais singela, e a mais difícil de esquecer"

"Podemos modificar o mundo, modificando nossos olhos"

" Você"


Lembro de olhar
nos seus olhos.
Reparei no seu sorriso
e fiquei encantada.


Ficava boba
ao te ver.
Observava
os seus detalhes.


Você me lembra
uma harmonia doce.
Seus lábios rosados
transmitem palavras.


Seu rosto é belo,
mas isso não me atrai.
A forma como você é
me trouxe uma atração.