Olhos Alma
A alma se curva sob o peso de suas próprias perguntas, e o mundo responde apenas com ecos que confundem mais do que esclarecem. Entre o que desejamos e o que somos, estende-se um deserto de escolhas não feitas, onde cada passo parece distante do chão e cada silêncio carrega a densidade de um grito jamais pronunciado.
A alma é uma chama que não pertence ao corpo, mas o habita como peregrino; cada dor é apenas o vento que a faz tremular, e cada alegria, o clarão que recorda sua origem no fogo divino que jamais se apaga.
O sagrado não se anuncia em trombetas, mas no leve estremecer da alma diante do simples: uma folha que cai, a água que corre, o olhar que acolhe; é nesse quase nada que o infinito se esconde, esperando ser percebido.
Há algo anterior ao nome, ao trauma e à memória — o PRIMEVO — onde a alma não se explica, apenas pulsa. É desse território que brotam as neuroses, não como falhas, mas como mensagens mal traduzidas do fundo arcaico que insiste em existir. Quando a consciência tenta domesticar o PRIMEVO, nasce o sintoma; quando aprende a escutá-lo, nasce o sentido. Toda cura começa no instante em que o ser aceita que não é senhor da própria origem, apenas intérprete tardio de um chamado antigo.
Há lugares que não se atravessam com os pés, mas com as fissuras da alma. A praia, quando aceita como rito, não lava o corpo: dessalga a dor, toca as feridas sem pergunta e devolve ao ser aquilo que o mundo tomou — a leveza silenciosa de existir sem grades.
Há quem tema o vazio sem perceber que é nele que a alma respira. O excesso de ruído serve apenas para ocultar a ausência de escuta. Quando o silêncio deixa de assustar, o ser descobre que não estava só — apenas distraído de si.
Paz, alegria e vitalidade. Essa é a essência que habita em mim e conecta a minha alma ao que há de mais verdadeiro na vida.
Toda forma de pensamento que nos impede de questionar pode aprisionar a alma. A liberdade nasce quando ousamos retirar a venda dos olhos e contemplar a luz que sempre esteve além do véu. Não é abandonar crenças ou ideias, mas permitir que a consciência desperte para enxergar com mais profundidade, discernimento e amor.
A prisão da alma se dá por diferentes formas de pensamento que nos impede de questionar. A liberdade nasce quando ousamos retirar a venda dos olhos e contemplar a luz para além do véu. Não é abandonar crenças ou ideias, mas permitir que a consciência desperte para enxergar com mais profundidade e discernimento e não reprimir a oportunidade de viver com amor.
A Alma Não Conta os Anos
O corpo envelhece.
As mãos mudam, os passos ficam diferentes, o espelho começa a contar histórias que muitas vezes nem percebemos quando estavam acontecendo.
Mas a alma parece não conhecer calendário.
Ela se lembra.
Lembra das coisas que fizemos, dos lugares por onde passamos, das pessoas que amamos e, principalmente, daquilo que um dia nos fez profundamente felizes.
Talvez seja por isso que algumas lembranças permaneçam tão jovens dentro de nós.
Você fecha os olhos e, por alguns segundos, já não tem a idade que o espelho mostra.
Está correndo outra vez.
Está dançando.
Está apaixonado.
Está rindo com aquelas pessoas.
Está vivendo aquela tarde que desapareceu há décadas, mas que dentro de você continua iluminada.
E há também a nossa sombra.
Essa companheira silenciosa que caminhou conosco quando éramos crianças, quando nos tornamos adultos e que continuará ao nosso lado enquanto houver luz suficiente para projetá-la no chão.
Talvez ela seja testemunha de todas as nossas versões.
O corpo pode cansar.
Os cabelos podem embranquecer.
O tempo pode deixar suas marcas.
Mas existem lugares dentro de nós onde ele jamais consegue chegar completamente.
Ali continuam nossas gargalhadas.
Nossos primeiros amores.
Nossas pequenas loucuras.
As músicas que dançamos.
Os abraços que recebemos.
E todas aquelas coisas simples que um dia fizeram a vida parecer infinita.
Por isso envelhecer não significa deixar para trás quem fomos.
Significa carregar conosco todas as pessoas que já fomos.
E talvez, quando estivermos muito velhos, ainda exista dentro daquele corpo cansado alguém fechando os olhos e sorrindo como antigamente.
Porque o corpo aprende a contar os anos.
A alma prefere contar lembranças.
Eu me entreguei de corpo e alma para você, disse que tudo o que sentia. Por muito tempo, pensei em todas as palavras que eu precisava te falar e isso finalmente aconteceu. Não me arrependo em nenhum momento em ter mostrado tudo o que eu sinto. Desculpa por toda essa insegurança, é que você é tão importante pra mim que é difícil imaginar uma vida na qual não estou ao seu lado. Não sei viver sem amar você e isso não é de hoje. Sempre me lembro do primeiro dia que nos conhecemos, da primeira vez que você me disse ''eu te amo'', da nossa primeira viagem juntos, de todas as vezes em que nossos melhores amigos estiveram com a gente. Temos todo um futuro pela frente, e me apego em nossas lembranças porque elas me deixam seguras e felizes. Você é o único que eu realmente amei de verdade, com quem quero viver o resto da vida. Permaneça ao meu lado, hoje e sempre!
"Amar é reconhecer na presença do outro um abrigo para a alma, onde aparência alguma tem valor maior que a paz que ela traz ao coração.”
“Boas companhias fortalecem a alma, pois quando andamos em comunhão com a paz e a bondade, o Espírito Santo faz reinar entre nós a serenidade e nos transforma em boas companhias também.”
“Anjos não travam batalhas visíveis; lutam no silêncio do espiritual, protegendo a alma enquanto o mundo testa a fé.”
Conexões da alma 🤍
Eu posso te amar
sem te prender nas minhas mãos.
Posso te querer perto,
mas ainda assim sorrir
se a tua alegria vier de outro abraço,
de outra voz,
de outro caminho que não cruza o meu.
Porque amar, do meu jeito,
não é possuir —
é desejar que floresça,
mesmo que o jardim não seja o meu.
Eu me sinto em paz
sabendo que quem eu quero bem
está bem.
Mesmo que eu não seja
o motivo do teu riso,
sou sincera no desejo
de que ele exista.
Viemos sozinhos ao mundo,
e por mais que as conexões aqueçam a alma,
nem todo mundo permanece.
Alguns são estação,
outros são ponte,
outros são só vento que passa —
mas todos deixam marcas.
E cada marca é história.
Cada despedida, um capítulo.
Cada presença, ainda que breve,
é prova de que viver
é colecionar passagens
e aprender a amar
sem perder a leveza de deixar ir.
O Formato da Alma
Às vezes nos esprememos tanto para caber que esquecemos até o formato da nossa alma.
A alma também tem contornos. Tem lugares onde se alarga, desejos onde respira, sonhos onde encontra espaço para existir. É feita das coisas que amamos, das palavras que acreditamos, das delicadezas que guardamos e até das cicatrizes que aprendemos a carregar.
Mas, quando queremos muito pertencer, começamos a dobrá-la.
Dobramos uma vontade para não desagradar. Escondemos uma verdade para não perder alguém. Encolhemos um sonho para não parecer demais. Silenciamos aquilo que sentimos para continuar cabendo.
E a alma vai cedendo.
Um pouco hoje, outro pouco amanhã.
Até que aquilo que era inteiro começa a viver apertado dentro de nós.
Talvez venha daí um cansaço que o sono não resolve. Não é o corpo pedindo descanso. É a alma cansada de passar os dias numa forma que não é a sua.
Porque há lugares em que não precisamos partir para desaparecer.
Desaparecemos ficando.
Ficamos tanto tempo tentando caber que, quando finalmente conseguimos, já quase não estamos lá.
Mas nem todo lugar foi feito para nos receber.
E não caber não significa ser grande demais, difícil demais ou errado demais. Às vezes significa apenas que aquele espaço nunca teve o tamanho da nossa alma.
Talvez partir, então, não seja desistência.
Talvez seja desdobrar-se.
Devolver à alma cada parte que escondemos, cada sonho que diminuímos, cada verdade que calamos. E permitir que ela, depois de tanto tempo encolhida, volte lentamente ao seu formato original.
Porque existem lugares onde não precisamos diminuir nada para permanecer.
Lugares onde a alma pode chegar inteira.
E talvez pertencer seja exatamente isso:
encontrar onde podemos existir sem precisar desaparecer.
