Olhos Alma
Nas águas da memória os olhos
da mente leem ilha de Meiembipe,
Nas águas recentes é conhecida
por Ilha de Santa Catarina.
A história precisa ser contada
para que não seja apagada,
Vou deixando o Atlântico Sul
dando a direção até alcançar.
Com você e na vida eu sei onde
chegar sem precisar me exaltar,
nasci herdeira e conheço este mar.
As cartas e as regras sou eu
quem as dou e escrevo,
sei quem sou e o quê mereço.
Sempre que as camélias
florescem em Rodeio,
Nos meus olhos
fazem um jardim,
Quero ser para os teus
olhos como elas
para trazer-te para mim,
cobrir-te de mimos,
e dizer sem dizer nada enfim.
De qualquer ângulo
como quem vê um
filme em dia de estreia,
Olhar nos seus olhos
como quem aprecia
um pé de Bacuri carregado,
Com o coração gamado
e beijos apaixonados
por todos os nossos lados.
(É sobre erotismo aberto
sem dizer uma só palavra)
Com as palmas da mãos
repletas de Muruci,
Diante dos olhos teus
a Iara dos teus dias,
A minh'alma brasileira,
se orgulha ser inteira,
Ser poeta, poema,
primeira e derradeira.
Meus olhos se parecem
algumas vezes com
olhos de Mbaê-Tata diante
do ocultamento de alguns,
Só que não importa
a escuridão da noite,
é ali que eles são íntimos
e enxergam até as raízes,
Se esconder por
muito tempo é cavar
o próprio sepultamento,
O seu malfeito sem
esforço há de fazer por
mim a Lei do Retorno.
(O camarote da vida me pertence)
Fechar os olhos,
contigo deixar
que me conduza
para Chan Chan.
Ser toda tua
no dia de Ni,
e na noite de Si:
o acalanto para ti.
Simplesmente
contigo deixar
que me conduza
pela herança Chimú.
Neste tempo
que pede fortaleza,
e exige de nós só:
o quê a alma serena.
Não existe nada em toda
a Literatura que chegue perto
da candura dos teus olhos
feitos de mar, de amor
e que cobrem com dulçor.
Não canso dia e noite
de continuar a cobiçar,
Neles moram tudo
o quê é melhor que esta
América Latina é capaz
de abraçar e nos embalar.
Sentes de longe que sou como
a florada de Manacá-de-cheiro
espalhando o aroma no ar,
Algo diz que tu és verdadeiro,
risonho e sedutor querendo
o quê eu quero me enveredar.
Algo diz que preludia o melhor
sem medir as consequências,
porque não queremos conquistar
somente apenas por conquistar.
Os teus olhos
feitos de Sul,
par de Guabiju,
A delícia da vida,
a genuína poesia
criada sob medida.
Olhos atentos sempre
em todos àqueles que
usam do mal inato alheio
para instrumentalizar
os seus planos de poder;
Enquanto isso existir
e alguém se render,
o preço que o dinheiro
não compra será caro,
e nada na vida dará certo.
Retroalimentar ativamente
fórmulas requentadas,
típicas de quem não
tem nenhum repertório,
não agrega porque é seguir
quem carece de amor à terra,
e os que acolhem a ideia.
Gente assim sempre passa,
e no final é a gente
que sempre que aqui fica,
Por isso não compensa
se viciar em cultivar
uma convivência tensa.
Não autorize que este
influências assim alcancem
e nem te desestabilizem,
construa secretamente
a sua realidade paralela,
plante o seu pomar poético
e a sua fortaleza interna.
Em tempo de uvaias,
colher frutos doces,
é de sobrevivência
não autorizar tudo àquilo
que nos irrequieta:
é o quê realmente interessa.
Saudades é um sentimento que quando não cabe no coração, escorre pelos olhos isso nem sempre alivia a mente porque nela esta gravada tudo aquilo que realmente importa e que um dia te fez feliz.
"O toque em outra vida"
Nos teus olhos revi meu abrigo,
fomos mais que amantes, fomos mais que amigos.
Na palma da mão, o universo acendeu,
e tudo o que fomos, de novo, renasceu.
É toque que cura, que acalma, que chama,
memória que pulsa, que vive, que inflama.
E ali compreendi, no calor do teu ser,
que o amor não conhece o que é esquecer.
É fácil saber
quem é quem,
porque estes
olhos podem
ser emprestados
porque nunca
foram meus:
são de Argos.
No bater silencioso
das asas do condor
que é humano,
a verdade não está
presente no plano.
É de rir da nossa
própria desgraça
que virá a foguete,
porque tem muitas
faces sem nenhum
reconhecimento.
Não sei o quê
estão pretendendo,
parecem alheios
como meninos
numa praça em
uma tarde de verão
como se nada
estivesse por
aqui acontecendo.
Fechando os olhos
pense no seu lar:
imagine se tu fosse
impedido de entrar
pela porta da frente,
foi o quê o Chile
fez com a Bolívia
impedindo de ter
o acesso ao mar.
Pense se o seu
direito fosse negado
por quem tem o
dever dele pelo bem
comum ser um bom
paladino da paz
combatendo o ego
que o mundo jaz.
Em pleno século
há a constatação
da existência
de quem não
quis entender que
você só tem pelos
fundos e pelo alto
como entrar;
reclamo essa
verdade cortante
porque consigo me
colocar no lugar,
e pela moralidade
vi que falharam
porque deixaram
de optar por
aquilo que é
direito assegurar.
Há quem já tenha
a sã consciência
que existem certas
vitórias que têm a
ver com derrotas,
e nada têm a ver
com conquistas
porque violam
a justa lei da vida.
O dia primeiro será
lembrado como
o dia da injustiça
enquanto não houver
mais iniciativa por
parte de quem errou
fazendo o mal ao povo
e a história e abrindo
mão de querer consertar.
Eu pressinto que
o amor virá,
e quando fecho
os olhos e penso nisso
me dá uma sensação
inexplicável
de maravilha.
As dores dos teus olhos
inundaram os olhos meus
como chuva de lirídeas
regando as minhas letras.
Você ainda não sabe
o quê é ter meus cabelos
com doçura amorosa
entre os teus dedos:
te busquei e me corrigi.
Ao lado da minha janela
para diminuir a distância
tenho rosas damascenas
porque estou a tua espera.
Você ainda não percebeu
que eu sou de verdade,
a tua Lua Cheia beijando
as montanhas em liberdade:
te quero como você sabe.
Os fios dos nossos destinos
estão entrelaçados nos bilros
muito além da Fortaleza
de São José da Ponta Grossa.
Você ainda em silêncio,
e eu no mesmo caminho,
em contemplação adentro
do amor que sendo tecido
pelas mãos do Universo.
