Olhos
Alguns olhos são piores que línguas ferinas: degustam a imagem de forma insensível, amaldiçoam no seu íntimo, para descartar e enterrar o irmão num piscar
Os teus olhos sempre irão falsear teu destino, por mais que acreditem observar feito águias, se comportam como pintinhos
Toda constelação refletida no brilho dos teus olhos só poderá ser vista, por aquele que for capaz de tocar o teu profundo universo
De todas as vistas, a mais esplêndida foi aquela que me notou, através da profundidade dos teus olhos
Reticências num pensamento vazio nesse mundo que não consigo entrar, apenas observo o que os meus olhos conseguem enxergar...
Quando começarmos a olhar a vida com os olhos da alma e não com os olhos físicos, vamos compreender e entender o seu verdadeiro sentido e a razão de estarmos aqui, pois a visão da alma é ampla e não limitada como a visão física, onde só enxergamos o que nos convém...
Olhos que se cruzam em bocas que se abraçam na cumplicidade de palavras fugazes e ditas na ânsia incontida de um encontro de almas num beijo roubado que só em sonhos será dado.
O corpo é efêmero e se desfaz, enquanto a alma é perene na imortalidade e sempre será luz aos olhos de quem vê e sente a presença da matéria que fica e ficará eternamente incrustada nas mais íngremes encostas do coração...
A ira e palavras maledicentes algema as almas de costas uma para a outra e coloca venda em seus olhos físicos para a eternidade.
Conforme Deus quer é tudo planejado, siga a linha invisível demarcada por Ele aos olhos humanos, para então acertares o caminho dos olhos espirituais...
Quando um sorriso amigável se solidariza contigo e se abre num abraço até a tristeza que goteja de teus olhos pula de alegria...
Olhos pesados que pestanejam em cintilações decorrentes de uma noite insone que vejo no olhar de meu filho autista, aí percebo que minhas lágrimas misturam-se na chuva que cai...
Eu corria pelo campo verdejante e conversava com os cogumelos. Apreciava a gurizada que soltava pipa ao céu azul anil. Meus olhos brilhavam nesse contentamento pueril. Sentava sempre naquele tronco de árvore seca e demarcava com meus pés descalços aquele percurso que emoldura até hoje um retrato imaginário na parede, e assim vou seguindo um caminho por atalhos...
