Olhar Amigo
Quem julga e sentencia, longe dos fatos, por achismo, sem o olhar pro próprio umbigo e contrariando o defensor do réu, seu próprio coração, a pena será bumerangue. Voltará contra quem sentenciou, mais longa e dolorida. Apenas uma questão de tempo.
O homem será muito melhor quando em seu olhar não houver a face obscura das marcas, no lugar da deficiência veremos Paulo, Marcio, João, Marilia, Maria etc... Somos todos iguais em direito pela nossa singularidade que nos faz demasiadamente humanos!!!
De tanto olhar para cima em oração a burguesia cristã se esqueceu de perceber a miséria que habita o seu entorno. Não tenho tempo para essa banalidade religiosa que transformou a "memória" em espetáculo. A cada dia a dor do outro parece ser mais esquecida. A dor do Cristo, semi nu, parece ter se tornado ornamento numa celebração de corações vazios.
ALGO ALÉM DA VISÃO
Este bloco de gelo acoberta uma chama;
meu olhar de Saara tem um lago oculto;
algo bom me reside, apesar da má fama,
sou alguém nas entranhas da faixa e do vulto...
Levo muitos pecados, mas mereço indulto;
tenho vida real escondida na trama
do boato e do vero; da ira e do culto;
acharás a minh´alma, revirando a lama...
Quem me quer venha fundo, mergulhe sem cisma;
queira mesmo a verdade, menospreze o prisma,
pra julgar meu melado considere a cana...
Tudo tem fundamento, sentido e razão;
cada cena e cenário algo além da visão;
minha capa de andróide uma máquina humana...
DEPRESSÃO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Um olhar de pedido, perdido no espaço;
expressão da pressão de quem tenta conter;
depressão que depressa o depreda por dentro
e faz traço por traço dar um nó no rosto...
Uma dor bem doída sem dor aparente
sob o nervo escondido no dente afetivo,
alma cheia de cáries que nada obtura
no vazio que oculta cada uma delas...
Quem será que será seu olheiro vital,
pra salvá-lo do vácuo dessa morte viva
ou ogiva de sonhos que há muito explodiram?
Nem há prece que apresse o já bem-vindo fim,
sim nem não, só a mão que segura o destino
e prolonga o seu nada que virou seu tudo...
UM OLHAR
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Sempre olhei ao redor e vi um campo
que supera os seus frutos negativos;
chão de vivos; de gente que reluz;
toca fundo e seduz os pés e as asas...
Meu olhar se derrama sobre a vida,
sem o medo que o tempo instituiu;
com a vasta esperança que se tem
no caminho; no bem; no ser humano...
Nunca vi esse velho fim dos tempos
que ressoa nos templos desde sempre;
vejo, sim, recomeços; renascenças...
Gente má não supera o dom do amor;
a garoa fecunda; não a enchente;
minha mente plantou que o mundo é bom...
VÍCIO DO TEU VÍCIO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Já me cansa te olhar e só ver sombras,
procurar o teu rosto e me perder
nos escombros de alguém que nunca está;
ou está, mas no fundo nunca é...
Piso em falso nas órbitas do amor
que não sabe trazer felicidade,
cuja flor não supera seus espinhos
nem se livra das grades do pesar...
Vencerei o teu vício de sofrer,
deixarei o meu vício desse vício,
passarei a viver, pois estou vivo...
Eu me canso da espécie de ninguém
sob alguém que me aluga mas não mora;
não me ocupa nem quer desabitar...
TEMPO É VIDA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Tenho tempo de olhar a manhã renascente,
receber dose a dose dos raios de sol,
pra depois ir em frente; mastigar meu dia
e fechar com a lua que seduz meu céu...
Não importa que as nuvens ponham pano em tudo;
nada pode apagar o que tal pano filtra,
nem deter o meu tempo de saber que o mundo
lá no fundo é tão raso que posso tocar...
Sempre tive um momento pra lembrar de alguém,
uma tenra saudade pra sentir sem dor,
um amor do tamanho de minha verdade...
Não me nego a ter tempo e confessar meu ócio,
ser humano que às vezes menospreza ofício,
pra início; pra meio; pra fim de conversa...
CADA VEZ QUE TE VEJO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Fico assim só de olhar nos teus olhos nos meus;
dou adeus e te levo, e permaneço assim,
por um curto sem fim que só depois me chama
e derrama o vazio de já não te ver...
Quando bebo em teu rosto esse dizer profundo
que me cala e consente ficar tonto e bobo,
eu me roubo pra ti; nem preciso de mim;
vou ao fim do meu mundo e colho céus ocultos...
É assim que me flagro desde que te achei,
desde quando não sei, porque lá me perdi
sob tuas presenças e muitos adeuses...
Ao saíres da linha do meu horizonte,
cada vez que te afastas ou cumpro essa pena,
fico assim, viro ponte suspensa no caos...
CULTO À PREGUIÇA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Vida boa de olhar deste meu canto;
deste mundo ao alcance dos meus pés;
desses braços de chão arborizado
e das tiras de manto entre a folhagem...
Vida fácil de alguém que se acomoda
com a simples riqueza de um quintal,
muita sombra, o cachorro do vizinho
e a moda longínqua de viola...
Mundo bom de sentir numa saudade
que não é de ninguém ou tempo algum,
só invade a magia de sonhar...
Corajosa viagem da preguiça
que se doa e veleja tempo afora
ou enguiça e se perde por prazer...
TROMBA D´ÁGUA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Um olhar assustado
rompe o céu; mesmo cético,
faz uma prece.
Cai muita chuva; parece
que Deus tomou diurético.
PASSADO EM BRANCO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Meu olhar frente ao seu direto ao vazio;
rompe o crânio, se livra e não tem nostalgia;
não encontra magia e não revive um tempo
que perdeu em miragens de felicidade...
Sua boca não diz, quando fala comigo;
tão apenas relata o necessário e pronto;
bate o ponto certeiro do assunto formal;
nunca bate com nada que meu pulso marca...
Eu a culpo do mal de não sentir saudade
a não ser da saudade que podia ter
se você se restasse de quem foi outrora...
Dói demais não sentir a mais longínqua dor
pelas cores e os traços que o tempo esvaiu
num amor transformado nesta folha em branco...
FUMAÇA
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Outro dia de olhar e não poder;
ter bem próximo à mão e não pegar;
conhecer os caminhos a seguir
e não ir; não achar a sua placa...
Seu calor no colar do meu suor,
mas a pele à deriva em plena praia,
uma vaia simpática e sem voz
ata os nós do meu sonho de você...
Outra vez adiando a minha vez
para quando já sei que assim será;
pra contar até dez outras dez vezes...
Mais uns dedos de prosa e muitos dedos
de segredos do fogo entre a fumaça
que disfarça os sinais e me sufoca...
SOLIDÃO EM FUGA
Demétrio Sena, Magé – RJ.
Teu olhar fugidio nunca pousa,
vai ao ar, desce ao chão, perde o caminho,
não faz ninho na luz dos outros olhos
que te buscam nas trevas do silêncio...
Tua triste caverna esconde afetos
acuados, confusos e feridos,
tempos idos invadem teu espelho
e corroem a ponte pra depois...
Quando sais do buraco é pra fugires
em viagens distantes, em glamures
que disfarçam quem és pra não sei quem...
Logo além já percebes que te aguardas,
vais por dentro e não podes te ocultar
nessas fardas perfeitas de turista...
DESEJO EMPALHADO
Demétrio Sena, Magé - RJ.
Meu olhar nunca viu a passagem do tempo
em teus olhos, teus lábios e tua textura;
tua essência madura manteve o frescor
que alimenta o meu vício de ficar por perto...
Sei que os anos insistem até nos puir,
desbotar fantasias, desfazer costuras,
mas tomei esse glúten do eterno desuso
entre juras não feitas e nenhum desgaste...
O que nunca se tem não tem data vencida;
minha vida manteve o tempero em conserva,
preservou a miragem da primeira vista...
Uma chama te aquece num banho-maria,
suaviza esse dia que jamais virá
e renova o desejo que te plastifica...
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