Olhando o Mar
E num piscar de olhos tudo muda. Não entendemos os motivos, o sol se pondo no fim do mar e o escurecer da noite vem. O dia amanheceu triste, nublado, como se despedindo de alguém. Em um mundo tão terrivelmente triste e cinza, teve a sensatez de trazer risos e alegria, amor e serenidade. Serenidade de poucos. Poucos conseguem criar uma base tão bela e profunda nessa terra. Mas existem aqueles que vale à pena conhecer, amar e dedicar uma vida. Será sempre um dia cinza. Em todos anos, todos os momentos e recordações virão à tona. Mas é preciso recordar a grandeza desse alguém que se foi, que na alma levava a marca dos amores que cultivou. Porque suas raízes eram tão grandes que a terra não poderia dar conta, e enraizou-se eternamente em nossos corações.
Em memória do Sr Marcelo.
Pai amoroso, marido dedicado e carinhoso, homem exemplar e ser humano Ímpar.
Descanse na certeza de que aprendemos suas lições.
Estou a necessitar
de um mar, uma lua cheia,
e de ouvir os nossos olhares a conversar
até epidermicamente amanhecermos
Quando ouço o mar
e a melodia do luar
lembro-me logo
dos teus olhos estrelados
e da tua boca à beira-mar
da minha boca.
Amarrotados Silêncios
O teu rosto invade
os meus pensamentos
os teus olhos são mar
a sorrir para o meu luar
as tuas mãos são líquidas
ensopam os meus
amarrotados silêncios
e eu serenamente derramo
as minhas primaveras
nos jardins do teu coração.
Quando o rio
do destino
se encontrar
com o mar
do nosso amor,
Olharemos
para o alto
e veremos
pérolas arroz
caindo sobre nós.
No mar de cristal
conseguimos olhar
a profundidade,
Vamos submergindo,
olhos nos olhos,
as tuas mãos me coroam
com uma coroa
feita de Acropora tenella,
a fé nos guia
e o amor nos governa.
Garuva
Olhando para a Serra do Mar
plena é a cidade de metal
que se ergue com industrial
sabedoria e repleta de lavouras
de amor por mãos europeias
que o Atlântico cruzaram
em busca de uma nova vida.
Minha Garuva maravilhosa
agrícola e madereira
dos rios e da Baía do Babitonga,
é nas Cascatas do Quiriri
faceira que celebro somente a ti.
Minha Garuva profunda,
meu Paraíso das Águas,
meu Caminho dos Príncipes
meu Caminho do Peabiru
real, etéreo e mais sublime
que ao tempo resiste.
Minha Garuva mística
do Monte Crista
e dos Campos do Quiriri,
o meu coração mora em ti.
Minha Garuva inebriante
de lábios de alambique,
coberta de flores e radiante
tu és do Nordeste de Santa Catarina
mais preciosa do que diamante.
Um olhar irrenunciável
como o mar voltado
para o Oceano Pacífico
nesta América Austral
ainda me cobre de infinito
E é o único capaz de fazer
o meu coração rendido.
Demore o tempo que for
terei absoluta paciência
para esperar pelo seu amor.
Sentir o aroma das folhas
de uma Watapana na beira
do mar e o seu olhar encontrar,
é ter razões para se inspirar.
Não é demais pedir para Deus
que daqui para frente assim
seja na vida só eu e você
neste encantamento sem fim.
O tempo todo não consigo
te tirar da minha cabeça,
e da mesma você com certeza.
Deixar o orgulho de lado,
colocar as cartas na mesa
e viver o quê merecemos com beleza.
Entre Granada e Carriacou
ancorar e mergulhar
no mar dos seus olhos
e na Ilha Grande das emoções
Descobrir recifes de corais
e todos os jeitos de querer
fazê-lo meu mais e mais
com os sentidos que escolher
Que eu seja tudo para você
e o teu você seja para mim
num mar de amor sem fim
Nestas Pequenas Antilhas
e nas Grandes Antilhas
celebremos com todas poesias.
Ir ao acaso e ter a fortuna
de encontrar a tua
alma feita de mar,
E o teu olhar feito de rede
e me deixar capturar.
Hoje fui caminhar na praia,
Saí em busca dos teus olhos,
- lindos olhos cor de (a)mar,
Bastou as ondas para lembrar
Do teu jeito de me desalinhar.
Deste teu jeito de fotografar,
Em letras registrar,
- esse poema
Sobre a mesa de trabalho,
Estou a inundar-te...,
- tal como um estuário
Sou eu a te assanhar...
Eu na praia, e você aí,
Sobre a mesa de trabalho,
Eu sou o teu verso ordinário,
E também o teu verso oratório;
O teu desejo longe de ser transitório.
Eu sou a morena de Jarapatinga,
Você me olha, e eu faço graça,
Cheiro de mar e lábios de pinga,
A minha sempre cor convida,
Para a secreta e boa insídia,
Porque és caçador, e eu a caça,
Em si a regra a gente cria,
Quando o assunto é amor,
Não há caça e nem caçador.
Eu sou a tua Musa alagoana,
O teu coração bate por mim,
O amor jamais engana,
O meu vestido tem decote,
O vento o acaricia,
Ele é de chita,
E nem por isso é menos nobre.
Eu sou a tua morena cigana,
Que jamais reclama,
Só pede, e reza...,
Para um dia ser por ti amada,
E que só sabe dizer sim,
Quero você todo para mim;
Tenho cheiro de alfazema fresca,
Balanço como as ondas do mar,
Você nunca irá deixar de me amar...
Não existe nada em toda
a Literatura que chegue perto
da candura dos teus olhos
feitos de mar, de amor
e que cobrem com dulçor.
Não canso dia e noite
de continuar a cobiçar,
Neles moram tudo
o quê é melhor que esta
América Latina é capaz
de abraçar e nos embalar.
Sentes de longe que sou como
a florada de Manacá-de-cheiro
espalhando o aroma no ar,
Algo diz que tu és verdadeiro,
risonho e sedutor querendo
o quê eu quero me enveredar.
Algo diz que preludia o melhor
sem medir as consequências,
porque não queremos conquistar
somente apenas por conquistar.
