Oi tudo bem
Nem tudo mau, nem tudo bom.
Um certo sábio reduziu toda a sabedoria ao caminho do meio. Levar o certo longe de mais e ele se torna errado. A laranja espremida ao máximo dá só amargor. Mesmo no prazer não devemos ir a extremos. A própria inteligência se esgota se exigida demais, e se ordenhamos uma vaca em excesso teremos sangue por leite.
Completar as vitórias.
Alguns começam tudo e nada terminam. De caráter volúvel, começam, mas nunca persistem. Nunca conseguem louvores porque não prosseguem com
nada. Para eles, tudo termina antes do tempo. Para alguns, isso nasce da impaciência, que é típica dos espanhóis, assim como o belga é conhecido pela
paciência. O último completa as coisas, o primeiro acaba com elas; suam até vencer a dificuldade, contentam-se em vencer, mas não sabem completar a vitória. Provam que podem mas não querem. Trata-se de um defeito: mostra de leviandade, ou de incapacidade. Se a empreitada vale a pena, compensa terminar. Se não compensa terminar, por que começar? Os sábios não se limitam a espreitar a presa; abatem-se.
Cristo é tudo para nós! Se queres curar uma ferida, Ele é o médico; se estás a arder de febre, Ele é a fonte; se estás oprimido pela iniquidade, Ele é a justiça; se precisas de ajuda, Ele é a força; se temes a morte, Ele é a vida; se desejas o céu, Ele é o caminho; se estás nas trevas, Ele é a luz... Saboreai e vede como o Senhor é bom: bem-aventurado é o homem que nele depõe a sua esperança.
“O brasileiro tem complexo de vira-lata. Acha tudo do estrangeiro muito bom, e despreza as qualidades de seu próprio povo.”
Nem falador nem seco, entregue ao mutismo, mas falar com sobriedade e cuidado de tudo quanto se trata, é a regra de ouro da conversação.
Deus é onipotente porque Deus pode tudo o que pode; pode, portanto, todo o possível. Ora, o não-ser (nada) é impossível. A onipotência é proficiência e não deficiência. Pecar é não alcançar a perfeição do ato; portanto, pecar é ser deficiente na ação, coisa que repugna a onipotência. Deus não peca porque é onipotente. Não se deve dizer que não pode pecar, porque, neste caso, pecar não é produto do poder, mas de deficiência de poder. Os ateístas, que repelem a idéia de Deus, por lhe notarem deficiências, fazem apenas confusão entre poder e não poder.
Mas quando o assunto é política
Houve uma época em que tudo
Ou era oito ou era oitenta
Ou era sim ou era não
Hoje já existe o talvez
O talvez sim o talvez não
Hoje já existe o meio termo
O depende, o quase isso, o mais ou menos
Mas quando o assunto é política
Ninguém pode ficar em cima do muro.
"Amor é aquela coceira que coça quando tudo está cor de rosa e que logo passa quando as contas a pagar chegam."
"Cheguei à fase da vida em que pouca coisa me impressiona, tudo apenas exige prioridades. Aprendi a dizer não aos adultos que nada agregam e sim às poucas crianças que me motivam a viver e a fazer o meu melhor. Cuidar de quem amamos nunca será uma obrigação. É um privilégio e um dom que Deus me concedeu."
Conheço meu potencial e tudo o que posso entregar, mas eu me pergunto: você é digna?
Tem que ter disposição. Prometa-me a sua alma e eu a faço arder como chamas meteóricas. O meu afeto não cabe em medidas humanas. Quis compará-lo a um astro, pensei em Netuno. Netuno, não. Netuno ainda é um lugar, ainda conhece fronteiras. O que eu ofereço não orbita, invade. Alimentaria você para além do espaço e do tempo, até que confundisse a minha presença com a gravidade que mantém os corpos de pé.
E então, no dia em que eu diminuísse a intensidade por um único instante, você chamaria isso de ausência. Não porque eu tivesse ido embora, mas porque acostumar-se ao excesso transforma qualquer sobra em abandono. É assim que nascem os dependentes: primeiro recebem o infinito, depois aprendem que o infinito também cansa.
Eu sei o que causo. Em mim, antes de qualquer outro. Toda luz exagerada cobra seu preço de quem a acende. Não existe estrela que queime sem consumir a própria matéria.
Mereço passar por isso? Claro que sim. O karma que carrego eu mesmo financiei. Assinei cada parcela sorrindo, como quem acredita que algumas dívidas nunca vencem. Hoje pago tudo com juros compostos de memória.
E eu já sabia. Sabia quando prometi mais do que um coração consegue sustentar. Sabia quando fiz do afeto um espetáculo, como se amar fosse incendiar tudo ao redor para provar que havia calor. No fundo, sempre soube que quem transforma o próprio peito em sol acaba condenado a viver cercado de planetas frios.
Talvez o meu maior castigo nunca tenha sido perder alguém. Foi ensinar as pessoas a sentirem falta de uma versão minha que nem eu consigo habitar para sempre.
A nuvem negra não chegou de uma vez.
Ela não apareceu como uma tempestade anunciando que tudo iria mudar. Ela veio devagar, quase educada, como uma sombra que aprendia os caminhos da casa antes de tomar conta dela.
No começo eu ainda conseguia enxergar o céu.
Ainda existiam dias bons, momentos que pareciam provar que aquilo era só uma fase. Eu dizia para mim mesmo que amanhã seria diferente, que alguma coisa dentro de mim iria voltar ao lugar.
Mas o tempo passou.
E a nuvem ficou.
Ela não precisava mais esconder o sol, porque eu já não lembrava exatamente como era sentir o calor dele.
As coisas continuaram acontecendo ao meu redor, pessoas rindo, histórias sendo criadas, músicas tocando em algum lugar. O mundo nunca parou por minha causa. E talvez essa tenha sido uma das partes mais estranhas: perceber que tudo continuava em movimento enquanto dentro de mim alguma coisa permanecia parada.
Eu comecei a existir mais do que viver.
Os dias viraram uma sequência de obrigações, os momentos viraram apenas momentos. Eu estava presente em lugares onde minha mente nunca estava. Eu respondia, conversava, sorria quando precisava, mas parecia que uma parte minha tinha ficado para trás em algum lugar que eu não conseguia encontrar.
E por muito tempo eu procurei um culpado.
Procurei em cada escolha errada, em cada palavra que eu poderia ter dito diferente, em cada versão minha que eu queria apagar. Eu carregava meus próprios erros como uma mochila cheia de pedras, e mesmo quando ninguém mais falava sobre eles, eu continuava voltando para buscá-los.
Até que um dia eu percebi que talvez eu nunca tenha sido o monstro que eu criei na minha cabeça.
Talvez eu só fosse alguém cansado.
Alguém que tentou, errou, perdeu coisas, machucou e foi machucado. Alguém que passou tanto tempo tentando entender onde tinha falhado que esqueceu que também estava sofrendo.
Talvez eu tenha finalmente conseguido me perdoar.
Mas o estranho é que o perdão não trouxe aquela paz que eu imaginava.
Não abriu o céu.
Não fez a nuvem desaparecer.
Ela continuou lá.
Só que agora eu não estava mais brigando comigo mesmo dentro dela.
E talvez esse seja o lugar mais estranho para se estar: quando você para de se odiar, mas ainda não sabe como voltar a se encontrar.
Quando você finalmente solta as correntes que você mesmo colocou, mas percebe que ainda está perdido no mesmo lugar.
A nuvem negra continua acima de mim.
Às vezes mais distante, às vezes tão baixa que parece tocar meu rosto.
E eu continuo andando sem saber exatamente para onde.
Não porque acredito que vou encontrar alguma coisa.
Mas porque ficar parado também já não parece uma opção.
Talvez esse seja o máximo que eu consigo fazer agora:
carregar a mim mesmo por caminhos que eu ainda não reconheço, tentando descobrir se em algum lugar existe uma versão minha que eu perdi no caminho.
Ou se eu estou apenas procurando por alguém que nunca mais vai voltar.
“I think I, I think I finally found a way to forgive myself”.
